Livro: Dançarinas – Margaret Atwood

A leitura de Dançarinas foi realizada entre os meses de julho e agosto de 2016 e compartilhada com a querida Michelle (do blog Resumo da Ópera) para nosso projeto Lendo Margaret Atwood.

Originalmente compilado em 1977, Dançarinas, de Margaret Atwood, condensa 14 contos que exploram histórias e sentimentos de uma variedade de mulheres. Essas personagens estão ligadas ao distanciamento dos relacionamentos modernos e ao tédio que define a vida atual. Todos esses cenários trazendo uma tristeza profunda que as deixam incapazes de explicar este peso.

Os 14 contos presentes nesta edição são: O Marciano, Betty, Polaridades, Sob o Vidro, O Túmulo do Famoso Poeta, Joias para os Cabelos, Quando Acontecer, Um Artigo de Turismo, O Resplendente Quetzal, O Treinamento, As Vidas dos Poetas, Dançarinas, O Comedor de Pecados e Dar à Luz.

Eu tentei interpretar cada conto, acredito que sem muito sucesso, pois a maioria deles me pareceu confuso. Alguns eu achei realmente desinteressantes, e outros mostram a potência da escritora canadense. Resumindo, estou com séria dificuldade em falar sobre o livro.

Os contos que mais gostei foram: O Marciano, Betty, Um Artigo de Turismo e O Resplendente Quetzal. Neles vemos elementos marcantes de Atwood, que é a empatia por suas personagens, a decisão de uma escolha difícil, as dificuldades de comunicação entre as pessoas e das relações familiares e amorosas. Também nesses contos destacados, senti que alguns deles falam também sobre a falta de amor próprio, da incompreensão dos outros para com questões pessoais de um individuo e a sensação de vazio e de perdido que as pessoas sentem em vida.

Eu tinha muito interesse neste livro, até o sugeri como seguinte leitura para o projeto, mas essa coleção de história me deixou com uma sensação de bagunça. A leitura perde o ritmo rapidamente, depois acende, mas logo cai. Não sei se foi por não perceber alguma mensagem nas entrelinhas, ou, se a autora estava experimentando, ou, se encontrando como escritora nesses contos. Honestamente acabei não aproveitando a leitura quanto gostaria.

Como muitas coleções de contos, este continha algumas narrativas de maior interesse do que outros. Todos os contos em Dançarinas, de Margaret Atwood, são escritos com primor. Poucos trazem aquela prosa evocativa e gritante que te deixa de queixo caído. Já outros, não dão para desfrutar, infelizmente. Porém no geral eu gostei de conhecer esse lado da autora canadense.

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Título: Dançarinas
Título original: Dancing Girls
Autora: Margaret Atwood
Tradução: Lia Wyler
Editora: Rocco
Páginas: 216
Ano: 2003

Livro: A Odisséia de Penélope – Margaret Atwood

A Odisséia de Penélope - Margaret AtwoodMargaret Atwood e outros autores contemporâneos foram convidados pela editora escocesa Cannongate Books para reescrever grandes mitos de sua escolha, assim constituindo uma coleção chamada Canongate Myth Series.

Diante de alguns incômodos em Odisséia, a autora canadense escolheu a aventura de Odisseu (ou Ulisses, como era chamado no mito romano) para expor, ou tentar explicar, a razão do enforcamento das doze escravas, e o que realmente pensava Penélope. Apoiada em várias pesquisas, Atwood oferece uma obra rica e emocionante que dá voz a essas personagens silenciadas da narrativa grega.

Odisséia é um dos principais poemas épicos da Grécia Antiga, existindo variantes regionais do mito, não unicamente a atribuída por Homero, pois o poema que relata o regresso de Odisseu é uma história oral interpretada de acordo com a localidade e repassada por gerações. Até que foi fixada, provavelmente no fim do século VIII a.C., por escrito.

Nunca li Odisséia. Entretanto tenho um conhecimento básico da história. Mesmo sabendo um mínimo, não me senti perdida em nenhum momento durante a leitura. Então quem tem interesse de ler A Odisséia de Penélope antes de Odisséia sua leitura não será prejudicada. E para quem já leu e lerá posteriormente a obra de Atwood, com certeza será uma leitura rica.

Através dos olhos da mulher de Odisseu, A Odisséia de Penélope trás a visão feminina de Odisséia. Neste pequeno livro, descobrimos que a lenda, embelezada por séculos pelo patriarcado, não coincide com a realidade. No submundo, Penélope e as escravas, contaram sua própria versão da história.

A narrativa é extremamente bem construída. Margaret envolve o leitor em torno das injustiças sofridas pelas escravas e principalmente por Penélope. Dentre os mortos, elas revelam tudo e sabem tudo. Finalmente, não precisam ficar em silêncio. Essas vozes formam no além um coro que anuncia os acontecimentos e as mais profundas sensações da tragédia dessa história. Melhor, dá tragédia pessoal dessas mulheres que clamam por justiça. Mesmo em tom de lamentação, o livro tem seus momentos humorados, mas é um tipo de humor agridoce.

Penélope

Penélope

Fiquei mais uma vez surpreendida com o poder da escrita de Atwood e por sua ousada interpretação desta famosa história. Ela consegue trazer ideias que trazem reflexões sobre o papel coadjuvante feminino; da nossa falta de voz; da subjugação da nossa capacidade; e das injustiças feitas ao nosso gênero. Tudo isso simplesmente pela sociedade patriarcal determinar nosso papel de cidadão de segunda classe.

Meu momento preferido da narrativa foi o julgamento. No tribunal atual, diante dos “profissionais” que interpretam as leis, a versão da vitima é completamente desmerecida. A vozes dessas mulheres não tem peso, mesmo com todas as evidências. Achei incrível a forma crua que ela abordou tal momento. Foi uma tapa bem dada a sociedade hipócrita em que vivemos, de que a justiça só é dada aquele que tem mais poder. Não sei se a autora teve a intensão de dizer algo além, mas eu obtive uma mensagem: que os direitos iguais que nós mulheres tanto lutamos, não será dado pelo legislativo de um sistema decadente como este em que nós vivemos.

A Odisséia de Penélope, de Margaret Atwood, é um mergulho na mitologia que revela uma faceta diferente, trazendo conceitos antigos paralelamente com os atuais, da tão famosa história de Odisseu / Ulisses. Eu simplesmente convido vocês a lerem esta obra que oferece uma ideia original.

A leitura deste drama grego foi realizada no mês de junho deste ano e compartilhada com a Michelle, do blog Resumo da Ópera. Então quem quiser conferir das impressões da Mi, clique aqui.

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Título: A Odisséia de Penélope
Título original: The Penelopiad
Autora: Margaret Atwood
Tradução: Celso Nogueira
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 160
Ano: 2005

[Projeto] Lendo Margaret Atwood

[Projeto] Lendo Margaret AtwoodAno passado eu e a Michelle Gimenes começamos a ler Margaret Atwood. A cada leitura compartilhada e tendo sempre boas surpresas, nossa empolgação com as obras da escritora canadense foi crescendo ao ponto dos apelidos carinhosos, hahaha. Então, combinamos de ler todos os livros da Atwood publicados no Brasil.

Para que nossa leitura compartilhada fique organizada, e para não ter o risco de ficar faltando algum título, a Michelle propôs um projeto. Não um projeto de ler tudo em X tempo. Nada disso. Será um projeto tranquilo onde combinamos, lemos e discutimos. Tudo feito na calma. Desta forma a leitura fica prazerosa e sem aquela obrigação de cumprir prazos (^_~).

Lista das obras de Margaret Atwood publicadas no Brasil (com exceção de 1 título publicado pela Companhia das Letras, todos os demais saíram pela Rocco):

Minhas impressões estão / estarão linkadas no título de cada obra da autora canadense. Para ler as resenhas da Michelle acesse o blog Resumo da Ópera.

Quem quiser acompanhar este projeto lindo, empolgante e sem pretensões conosco, por favor, fique a vontade (^_^). [Atualização] Estarei avisando nas minhas redes sociais – Twitter e Google+ – o livro que leremos e o prazo.

Até logo!

Livro: O Assassino Cego – Margaret Atwood

O Assassino Cego - Margaret AtwoodO magistralmente bem construído e premiado O Assassino Cego, de Margaret Atwood, publicado originalmente no ano 2000, foi uma leitura compartilhada realizada em fevereiro com a querida Michelle (do Resumo da Ópera).

Estou com dificuldade de expor minhas impressões sobre essa obra, que deu à escritora o prêmio Booker Prizer 2000. Consigo dizer que enquanto descobrimos a história da família Chase, pelo olhar de Íris Chase Griffen, passamos pelo Canadá do século XX, entre o nascimento da indústria em uma pequena cidade, os horrores da Primeira Guerra Mundial experimentado pelo pai de Íris, em seguida, a crise econômica com a recusa em demitir os funcionários e a falência que se seguira, a Segunda Guerra Mundial que enriquece industriais e, finalmente, as mudanças no pós-guerra e o final do século. Todo esse panorama histórico encontra-se envolta de muitas vozes, anedotas e dramas familiares e pessoais. Mas especialmente de Laura, a excêntrica irmã mais nova de Íris, que diz tão pouco e sabe muito.

Além desta narrativa, existe outra, num tom diferente com teor de ficção cientifica e realismo fantástico, que é o romance póstumo escrito por Laura Chase, chamado “O Assassino Cego”. Pinçamos também mensagens que estão bem escondidas nas entrelinhas dessa curiosa trama.

Para completar a incrível diversidade dessa obra, os eventos também são apresentados sob a forma de artigos de jornal que podem ter aparecido na época.

Aqui está um romance incrível! No começo eu tive que caminhar lentamente por aquele recorte de vozes e construir o quebra-cabeça, perguntando-me a razão de vários acontecimentos e ligações. Quando percebi, descobri o segredo da trama e fiquei espantada como a autora conseguiu criar e construir uma história que você acaba acreditando que tudo aquilo seja real. Sério, é impressionante!

Gostaria de destacar a forte ligação das irmãs Íris e Laura. Sensacional como a autora constrói a relação delas nas várias situações que se apresentam ao longo do romance e que somente conseguem enfrentar juntas. A união que elas têm uma com a outra é tão visceral que fiquei com a impressão de que elas seriam uma única personagem.

Eu poderia dizer que O Assassino Cego é um livro belo. No entanto a escrita de Margaret Atwood é a responsável por este adjetivo, já que a narrativa carrega uma escuridão intensa e as personagens apresentam uma fineza psicológica muito interessante.

Este é o segundo livro que li da escritora canadense que mal conheço e já considero pacas. Estou cada vez mais conquistada por suas obras (*_*). Quero ler tudo e quero todos os livros na estante!

Sobre O Assassino Cego, de Margaret Atwood, é um romance envolvente e rico. Por favor, leia imediatamente!

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Título: O Assassino Cego
Título original: The Blind Assassin
Autora: Margaret Atwood
Tradução: Léa Viveiros De Castro
Editora: Rocco
Páginas: 496
Ano: 2001