Livro: Livro Negro da Ditadura Militar – Divo Guisoni

Livro Negro da Ditadura Militar - Divo GuisoniNós brasileiros estamos enfrentando tempos conturbados, onde uma Presidenta democraticamente reeleita por 54,5 milhões de votos sofreu um golpe de estado por uma câmara fascista (*detalhe: somente 36 dos 513 deputados foram eleitos pela população*) e do senado e supremo igualmente corrompidos, patrocinados pela elite capitalista pró-imperialismo.

Depois daquele processo do impeachment ilegal, não resta duvida que nosso país já estivesse tomado (*sei lá, desde sempre*) por falsos moralistas, por cafetões do imperialismo e por saudosistas da ditadura militar. O plano dos golpistas é retirar, e já estão retirando, direitos básicos da população e vender nosso país para elites estrangeiras (*no Brasil mal produzimos o que precisamos. Importamos praticamente tudo, da matéria prima dos remédios até papel. Querem sucatear e privatizar tudo. Além disso, estão cortando importantes programas sociais*).

Não se pode negar que o Brasil avançou algo somente nos governos de Lula e Dilma. Concordo que o trabalho do PT ainda não é ideal, precisava melhorar e muito (*ser um governo realmente de esquerda e sem alianças com fascistas*), mas foi o melhor que tivemos em toda nossa história política (*primeiro presidente operário, primeira mulher presidenta, programas sociais de vários tipos e melhor gestão*). Não porque seja um partido bonzinho, mas a situação do Brasil na época da gestão do FHC estava tão critica (300 crianças morriam de fome por dia!!!) que havia grandes chances de acontecer uma revolta popular. Então a elite nacional concedeu espaço ao PT para que o resultado de seu péssimo governo explodisse nas mãos do presidente operário. Só que eles não previram a ascensão. Enfim, o que enfrentamos atualmente é pelo vacilo do PT ter feito acordo com a elite capacho do imperialismo, esta que hoje repete a mesma receita do golpe passado.

É importantíssima a luta da população contra o golpe, pois entre um governo que dá um mínimo de dignidade para a população entre outro que desconsidera direitos básicos e trabalhistas, é preferível lutar ao lado daqueles que governaram nesses últimos treze anos e que mesmo mínimo trouxeram mudanças positivas ao país.

Vivendo os fatos atuais, é recomendado também olharmos para trás, para aquele período nefasto que nosso país enfrentou e que neste momento se repete com a mesma farsa de 54 e concluída em 64.

Livro Negro da Ditadura Militar_2ªEdição

Livro Negro da Ditadura Militar, de Divo Guisoni, publicado pela primeira vez em julho de 1972 pela Editora Libertação, é um livro-denúncia, escrito, impresso pela gráfica da Ação Popular Marxista-Leninista (APML) e distribuído os 500 exemplares, tudo isso feito na total clandestinidade, no auge da censura, tortura e assassinato da iniciada ditadura em 1964, sob o tacão do general Garrastazu Médici.

No cinquentenário ano do golpe, em 2014, o livro foi reimpresso com o objetivo de trazer para as novas gerações, e para que esta parte da história do Brasil jamais seja esquecida e deturpada, as atrocidades cometidas pela Ditadura Militar (*com as mesmas figuras e suas crias que perduram até hoje*).

O livro traz informações sobre a luta promovida por estudantes, operários, camponeses, intelectuais, religiosos e revolucionários. Expõem conhecidos episódios como o “massacre da praia vermelha”, o do estudante Edson Luiz, a “sexta feira sangrenta”, o Ato 5, de poderosas manifestações, greves e denúncias de casos de tortura e assassinatos em centros de repressão. Inclui depoimentos e outros documentos pouco divulgados, como o caso do poema que narra à revolta no campo e a ação do camponês Manoel da Conceição do vale do Pindaré, no Maranhão, presente no sétimo capítulo “Minha perna é minha classe”. O Livro Negro reúne vários fatos, verifique o índice aqui, que foram e são essenciais para um detalhamento posterior.

Impossível não se indignar com tanta crueldade e injustiça. Ditadura de direita fascista é desta forma: sanguessuga, violenta, intolerante, mentirosa e castradora. Quem tem saudade ou deseja que esta época volte só demostra falta de caráter e de ser um tremendo desumano.

A leitura deste livro na atual situação causou-me um estranho incomodo. Imergi completamente naquelas páginas e senti cada medo, dor, ou seja, cada sofrimento e repressão sofrida. Mas também senti esperança que da união dos trabalhadores, dos estudantes, da população em geral, podemos derrotar o autoritarismo do fascismo.

Sobre o projeto gráfico da segunda reedição, ele é idêntico ao publicado em 72 e o intuito de ser um fac-símile foi proposital para que o leitor atual sentisse-se na época de chumbo.

A impactante arte da capa é obra de Elifas Andreato e acho que ilustra perfeitamente a real face desse regime autoritário (*até me fez lembrar o filme Eles Vivem (1988) (título original: They Live). O filme é bem pastelão, no entanto apresenta uma narrativa interessante que aborda de uma forma clara como o sistema totalitarista de classe controla e manipula facilmente a população*).

A edição fac-símile inclui um livrete com depoimentos daqueles que foram responsáveis pela publicação. Cada depoimento que lia imaginava a tensão constante de serem descobertos e da dificuldade de discutir e ocultar todo o esquema.

Livro Negro da Ditadura Militar, de Divo Guisoni, é um registro de um dos períodos mais tenebrosos da história do Brasil e uma proeza entre tantas resistências.

O terror e a violência da ditadura só estão atiçando ainda mais as chamas da luta, aumentando e concentrando o ódio do povo. (p. 8)

.

Título: Livro Negro da Ditadura Militar
Autor: Divo Guisoni
Editora: Anita Garibaldi
Páginas: 204
Ano: 2014

.

[Projeto] Lendo a Ditadura

Selo_lendoaditadura.blogspot.com

Minhas impressões sobre o Livro Negro da Ditadura Militar, de Divo Guisoni, é outra contribuição para esse essencial projeto criado pela Pipa, que tem o objetivo de propor uma reflexão sobre este período triste de nossa história através da literatura e outras mídias. Acesse: lendoaditadura.blogspot.com.br

Anúncios

Quadrinho: Notas de Um Tempo Silenciado – Robson Vilalba

Notas de Um Tempo Silenciado – Robson VilalbaNotas de Um Tempo Silenciado, de Robson Vilalba, publicado em junho deste ano, é um quadrinho fragmentado em histórias referentes do golpe de 1964. Nessas páginas não temos uma releitura dos episódios clássicos, mas uma imersão na história do Brasil e dos brasileiros, algumas delas que permaneceram esquecidas e outras silenciadas.

Formado por treze capítulos: I – No princípio, as trevas; II – As vozes da rua; III – Fogo contra fogo; IV – O duplo; V – O mais longo dos anos; VI – A guerrilheira; VII – Herói de guerra; VIII – Nem tudo foi milagre; IX – A domesticação dos selvagens; X – Os passos da integração; XI – História de caça às bruxas; XII – Desarmados e perigosos; XIII – Salvadores da pátria; e concluindo com uma série de extras na seção Revelando o Notas. A obra de Vilalba acaba sendo um mosaico da pluralidade dos danos desse período nefasto.

A princípio oito dos treze capítulos de Notas foram publicados na série Pátria Armada Brasil pela Gazeta do Povo em março e abril de 2014. Você pode conferir os oitos capítulos AQUI. Como consequência de seu cuidadoso trabalho, o autor recebe o Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos no mesmo ano.

Notas faz uma análise direta e muito interessante desses acontecimentos e o autor consegue condensar as informações em poucas páginas de forma clara e que instigam a reflexão e a pesquisa. O traço realista ajuda também a externalizar os males da ditadura de 64.

Dentre esses fatos, as vozes silenciadas dos povos indígenas foi um dos pontos que achei mais importante no quadrinho, pois são esses, que sofreram e sofrem com a violência, desde a época da colonização (ou invasão, se preferirem) e que estão postos à margem da história do Brasil, definidos como cidadãos de segunda classe. Naquelas páginas, a mordaça é retirada para que gritem em protesto, para que suas dores não sejam esquecidas e que não sejam classificadas como menos importantes.

O caderno suplementar Revelando o Notas merece destaque, pois estão reunidas informações mais detalhadas a respeito de cada capítulo, incluindo suas fontes; relatos do autor; e textos curiosos de pesquisadores, jornalistas e editores acerca dos fatos presentes nessa obra. Recomendo a leitura de dois textos em particular: Engenharia do Caos, de Milton Ivan Heller – fala dos apoiadores e patrocinadores do golpe; e Nós, Os Índios do Brasil, de Maria Rita Kehl – um texto profundo sobre os considerados cidadãos de segunda classe.

Notas de Um Tempo Silenciado

Chamou-me atenção uma parte do mosaico que parece com o cenário atual: o capítulo dois As vozes da rua, que comenta sobre a Marcha da Família com Deus pela Liberdade. Aquela marcha fascista que tinha como objetivo apoiar o golpe que seria executado pelas Forças Armadas dias depois, antecedendo a derrubada de João Goulart da presidência da República.

Assim como a marcha de cinquenta e um anos atrás, as “manifestações” atuais de ‘verde e amarelo’ seguem com os mesmos argumentos: a vaga luta contra a corrupção (*por obsequio, me diga, quem em sã consciência é a favor da corrupção? Até o corrupto é contra a corrupção. E não, o Escândalo na Petrobras não é o maior escândalo de corrupção do nosso país. Force a memória e lembra-se daquela mineradora, patrimônio público, chamada Vale do Rio Doce, que foi “vendida” a preço de banana (avaliada em R$100 bilhões, foi vendida por apenas R$3,3 bilhões) para grandes corporações privadas estrangeiras na época do governo FHC. Vendida entre aspas, porque o dinheiro pago veio do BNDES, ou seja, nosso dinheiro emprestado a juros de pai para filho.*) e a ameaça “comunista” (*que só existe na cabeça deles. E que raios de Comunismo é esse que privatiza ao invés de estatizar?*). O estilo dos manifestantes também segue a mesma linha dos de 64: tradicionalistas, religiosos fanáticos (cristãos!), resumindo: fascistas. Que se dizem nacionalistas, mas que adoram entregar nossa riqueza para os capitais estrangeiros.

Toda essa ode aos anos de chumbo é patrocinada por quem? Assim como nas ditaduras implantadas na América Latina dos anos 50 e 60, pelo atual império: Estados Unidos, que há décadas vem destruindo países (Iraque, Afeganistão, Vietnã, etc.), roubando riquezas e implantando ditaduras fascistas travestidas de democracia. (*Recomendo fortemente o documentário Zeitgeist Addendum – clique AQUI para assistir e não se esqueça de ativar a legenda em português*)

Espero que um novo golpe não aconteça, espero que não tenhamos o mesmo cenário da época da ditadura militar e de governos de direita, mas que avancemos para uma sociedade igualitária.

.

Título: Notas de Um Tempo Silenciado
Autor: Robson Vilalba
Editora: Besouro Box
Páginas: 104
Ano: 2015

.

[Projeto] Lendo a Ditadura

Selo_lendoaditadura.blogspot.com

Lendo a Ditadura é um projeto criado pela Pipa, do blog Pipa Não Sabe Voar, que tem como objetivo estimular a leitura de obras (e também de filmes e músicas) que marcaram esse período ditatorial.

Assim como vários colegas leitores, fui convidada para participar. Prontamente aceitei. Fiquei grata pelo o convite, pois acredito que conhecer e discutir nossa história através das artes nos ajuda a construir uma memória. Uma memória dolorosa, eu sei, mas de importância para não repetirmos o mesmo erro.

Minhas impressões sobre quadrinho Notas de Um Tempo Silenciado, de Robson Vilalba, é minha contribuição para esse essencial projeto (^_^). #LendoaDitadura #1964nuncamais

Acesse: lendoaditadura.blogspot.com.br