Os melhores de 2017

Entre leituras e releituras, li bastante no ano de 2017. O mais surpreendente é que houve várias obras maravilhosas. Sim, teve títulos capengas e uma porcaria que não vale o que o gato enterra, mas no apanhado geral o ano foi bastante positivo (^_^v). Como foi difícil definir uma quantidade de melhores leituras, reuni as narrativas que realmente marcaram o ano do macaco. Quem quiser conferir minha lista, sigam-me os bons! (^o^/)

» Agnes Grey – Anne Brontë ~ Finalmente eu comecei a ler as Irmãs Brontë. Anne foi à terceira irmã que li. A conheci pelo seu romance de estreia Agnes Grey. Gente, que narrativa concisa, mas direta. Anne descreve com tato e sem papas na língua a relação entre governanta e família do empregador, como de outros elementos da vida doméstica da burguesia da época vitoriana. Porém mostrando o lado egocêntrico dessa classe. Romance sensacional! Impressões em breve.

» Um Amor Incômodo – Elena Ferrante ~ A enigmática Ferrante já havia me conquistado pela sua escrita nas obras únicas, mas principalmente nos dois primeiros romances da tetralogia Napolitana (*que concluirei em 2018*). Agora ela roubou meu coração com Um Amor Incômodo (*-*). Que romance visceral. Que narrativa bem construída. Que livro. Impressões sobre este livro aqui.

» Anne de Avonlea – Lucy Maud Montgomery ~ Obvio que Anne de Avonlea faria parte da lista de melhores leituras. Afinal, eu e Anne Shirley somos almas gêmeas ♥. Foi tão prazeroso reencontrar Anne neste segundo volume da série; vê-la uma jovem encantadora, mas mantendo sua dramática personalidade (*que eu adoro*). Impressões sobre este livro aqui.

» Anthology – Hagio Moto ~ Na verdade me faltava apenas uma história para concluir a antologia da fenomenal Hagio Moto. As demais li assim que a edição saiu na França, no ano de 2013. Não sei bem a razão porque deixei uma narrativa em stand by. Enfim, quem acompanha o blog sabe que eu fui novamente ao Japão, e desta vez tive a grande sorte de visitar a exposição temporária de uma das minhas mangakás favoritas ♥. Então reli tudo que tenho da Moto e li a história que faltava. Foi uma experiência e tanto, já que eu sabia que em breve iria ver vários originais de pertinho (*o*). Por esse motivo estou incluindo Anthology nas melhores leituras deste ano, já que teoricamente conclui agora. Impressões em breve.

» Blue Spring Ride (Ao Haru Ride) – Io Sakisaka ~ O que poderia ser um comum shoujo escolar, Sakisaka trás temas consideráveis para suas leitoras mais jovens como para as mais velhas, como recomeços, diferença entre relações artificiais e verdadeiras, e, claro, muito amorzinho. Foi maravilhoso acompanhar nesses trezes volumes o crescimento interior de Futaba, Kô, Yuri, Shuko, Aya e Toma. Melhor ainda, foi ter uma companheira de leitura que ficou tão empolgada quanto eu (^_^). Impressões sobre este mangá aqui.

» Les Deux Van Gogh (Sayonara Sorcier) – Hozumi ~ Cá entre nós, eu quero ler até a lista de supermercado da Hozumi. Gente, que mangaká fenomenal! Ela é mestra em contar histórias. Em Les Deux Van Gogh, ela consegue trazer um mangá histórico cheio de dramas, onde a realidade e a ficção se entrelaçam em harmonia. Acabei nem comentando nas minhas impressões: Sayonara Sorcier foi adaptado para musical no Japão em 2016. Particularmente eu queria ver uma animação dessa obra. Nossa, ia ficar uma coisa (*-*). Pois é, não sei o que falar, só sentir ♥. Impressões sobre este mangá aqui.

» Doukyusei / Sotsugyousei – Nakamura Asumiko ~ Conhecer o BL de Nakamura Asumiko foi uma ótima descoberta. A construção do relacionamento de Kusakabe e Sajou é tão abarrotada de clichês que chega a ser previsível. Entretanto a autora desenvolve essa relação de uma forma leve e gostosa de acompanhar. Acho que por isso, e pelo traço singular de Nakamura, sua obra tenha caído na graça das fujoshi e ganhado outras sequências, como O.B. (*já li e achei muito bacana*) e Sora & Hara (*será publicado na França próximo ano*). Impressões sobre este mangá aqui.

» E depois – Natsume Soseki ~ Eu havia gostado de Sanshiro, mas Soseki me surpreendeu no segundo livro da sua trilogia informal. Mesmo que o protagonista Daisuke tenha me indignando em alguns momentos por suas atitudes e pensamentos prepotentes, a narrativa de E depois é muito bem construída. O ritmo da leitura é lento, mas nada entediante. Muito pelo contrário, causa certa curiosidade. Impressões em breve.

» A Fórmula Preferida do Professor – Yoko Ogawa ~ Pode-se pensar inicialmente que A Fórmula Preferida do Professor seja aqueles dramalhões forçados além da conta, mas Ogawa constrói a relação de amizade, que se torna fraternal, entre a empregada doméstica e seu filhinho Raiz (√) com o velho docente de matemática. A autora nos trás um drama muito bonito, com uma sensibilidade tocante. Sério, eu fiquei comovida. A adaptação cinematográfica é boa, mas não chega aos pés da beleza do romance. Impressões sobre este livro aqui.

» Fragmentos do Horror – Junji Ito ~ Fazia um tempo que eu não lia nada do Ito Junji; fiquei feliz quando soube da publicação de Fragmentos do Horror, principalmente numa edição caprichada. Gostei bastante das histórias desse mangá. Ito tem um estilo peculiar para narrativas de horror. Aprecio a mistura bem sucedida que ele faz das bizarrices com as ações comuns. Impressões sobre este mangá aqui.

» Homens Sem Mulheres – Haruki Murakami ~ Por suas peculiaridades, eu gosto bastante da escrita e do estilo narrativo de Murakami. Então fui ao seu livro de contos com intuito de ter uma leitura no mínimo agradável. Entretanto, adorei todos os contos de Homens Sem Mulheres! (*o que é bem difícil em livros de contos*) Fiquei realmente encantada com todas as histórias, com seus personagens, mas principalmente na forma curiosa como o autor japonês fala sobre solidão. Impressões sobre este livro aqui.

» A Inquilina de Wildfell Hall – Anne Brontë ~ Como adorei Agnes Grey, fui esperando no, infelizmente, ultimo romance de Anne, uma narrativa sem rodeios. A autora inglesa trás com precisão dramas categóricos na narração do fazendeiro Gilbert Markham (*partes preferidas*), como da inquilina Helen Graham. Porém, o que ficou marcado na minha leitura foi como a escritora mostrou em sua personagem feminina a devoção cristã, o amor pelo outro, até mesmo por aquele que lhe faz mal. Não é algo que eu concorde, mas achei os motivos e ações de Helen possíveis. Impressões em breve.

» A Invenção de Morel – Adolfo Bioy Casares ~ Este livro foi uma completa surpresa. Mesmo eu sabendo pouco, minha expectativa estava altíssima, afinal A Invenção de Morel é uma obra elogiada. Enfim, a tal expectativa foi completamente alcançada, ultrapassando inclusive a fronteira. Adorei a agilidade de Casares no desenvolvimento da narrativa. Olhei com mais vontade para os outros livros do autor argentino que tenho na estante; inclusive assim que conclui a leitura do clássico latino-americano, adquiri o primeiro volume de Obras Completas de Adolfo Bioy Casares (*espero que publiquem os demais volumes*). Impressões sobre este livro aqui.

» Jane Eyre – Charlotte Brontë ~ Eu nunca tinha visto nenhuma adaptação do clássico de Charlotte Brontë. Então fui completamente sem saber uma vírgula da trama. Com toda a sinceridade, foi a melhor coisa que poderia ter acontecido, pois a história de Jane Eyre me surpreendeu a cada página. Que narrativa fascinante e que heroína critica (*-*). E que bonita a natural relação romântica de Jane com o Sr. Rochester (*-*). Charlotte foi à segunda irmã Brontë que li e me encantei por ela. Felizmente a escritora nos deixou mais três romances finalizados que serão lidos com todo o prazer. Impressões em breve.

» Um jogo de varetas no Templo das Mil Fortunas (Contos da Tartaruga Dourada) – Kim Si-seup ~ Considerado o ponto fundador da prosa coreana, foi interessante ter conhecido algumas escritos de Kim Si-seup. Dentre essas histórias, o conto Um jogo de varetas no Templo das Mil Fortunas foi a melhor surpresa. O enredo apresenta um clima de devaneio sombrio, misturado com eventos históricos, culturais e religiosos. Acredito que eu tenha simpatizado com o clima da trama devido aos filmes de época do cinema japonês, do qual tenho um grande apresso; até indiquei duas películas na minha postagem. Impressões sobre este livro aqui.

» Le Journal des Chats de Junji Ito (Junji Ito no Neko Nikki – Yon & Mu) – Junji Ito ~ Depois da leitura de Fragmentos do Horror, lembrei que tinha o mangá seinen autobiográfico do mestre do horror japonês. Le Journal des Chats de Junji Ito conta de forma exagerada e bastante cômica a relação de Ito e de sua esposa (sempre com uma peça de roupa listrada) com seus dois gatinhos, Yon e Mu. Eu ri tanto que chegou naquele nível de lacrimejar, hahahaha. Adorei conhecer esses gatinhos peculiares, principalmente o Yon com seu jeitinho excêntrico. Impressões em breve.

» Marie-Antoinette: La jeunesse d’une reine – Fuyumi Soryô ~ Como à senhora Fuyumi Soryô é uma das minhas mangakás do coração, o que essa mulher escrever eu vou gostar. Este mangá encomendado é um exemplo. Eu não simpatizo com a figura de Maria Antonieta, e não entendo realmente o frisson por essa parasita. Mas sendo de autoria da maravilhosa Fuyumi, eu ia ler de qualquer jeito. Como previsível, adorei a obra! Tendo sido autora de shoujo, Soryô usou desses elementos na narrativa da jovem rainha e o resultado ficou encantador (*-*). Sim, sou babona. Não tem como. Fuyumi Soryô sempre me encanta ♥. Impressões em breve.

» A Metamorfose – Franz Kafka ~ Acredito que o clássico A Metamorfose seja o tipo de narrativa que está no pensamento popular. Por conta disso, eu achava a premissa interessante, então esperava no mínimo uma boa leitura. No entanto me surpreendi com o fato deu ter adorado acompanhar a transformação de Gregor Samsa e seus conflitos. Que novela sensacional! A famosa obra de Kafka é realmente fenomenal! Impressões sobre este livro aqui.

» O Morro dos Ventos Uivantes – Emily Brontë ~ Por a segunda irmã ter somente um romance publicado, iniciei a leitura das Irmãs Brontë por Emily. O que é uma pena, pois ela já me deixou uma grande saudade. Seu único romance trás uma narrativa carregada, mas brilhantemente construída. Li na edição comentada da Editora Zahar e acho que as notas fizeram uma grande diferença na minha compreensão das referências. A narração de O Morro dos Ventos Uivantes é uma coisa de difícil de descrever, mas é tão incrível que me falta palavras para dizer o quão grandiosa é essa obra. Impressões em breve.

» Tsugumi – Banana Yoshimoto ~ O romance sem pretensões de Yoshimoto é o tipo de livro que não trás grandes personagens nem empolgantes desfechos. Mas que encanta por dar uma complexidade numa narrativa simples. O que me fez adorar o romance é como a autora japonesa joga com a memória, não só de suas personagens, como também dela mesma e de seus leitores. Impressões sobre este livro aqui.

» Vulgo Grace – Margaret Atwood ~ Pela terceira vez consecutiva Margaret Atwood entra na minha lista de melhores leituras do ano. Não é por menos, essa mulher é uma autora magnífica; sabe contar uma historia como ninguém. Engraçado que quando estava lendo Vulgo Grace, eu devorava as páginas, só que queria demorar na leitura para perdurar essa maravilha (*o eterno conflito, hahaha*). Ah, para quem não sabe, eu e a Mi estamos fazendo um projeto muito bacana de ler despretensiosamente todos os livros da Atwood publicados no Brasil. Então quem tiver interesse, está mais que convidado. Impressões sobre este livro aqui.

» Xica da Silva. A Cinderela Negra – Ana Miranda ~ Eu gosto muito da escrita da conterrânea Ana Miranda. Então fiquei bastante contente quando vi o seu Xica da Silva. Particularmente acho interessante a figura histórica da escrava que virou sinhá. Uma negra subir no palanque da sociedade da época, onde o negro era visto como um ser sem alma, acaba sendo um acontecimento curioso da nossa história. Pelo poder que conquistou, Xica foi tão difamada que a ojeriza por sua figura perdurou até pouco tempo. Afinal, uma mulher negra numa posição privilegiada era algo impensável. Porém Xica é uma figura poderosa, que finca seu nome na história. Enfim, achei o livro de Ana Miranda tão rico, tão extraordinário, que eu não consegui escrever algo que chegasse ao nível de detalhes desse trabalho. Então eu recomendo fortemente a leitura, que dá um panorama detalhado do Brasil do século XVIII.

E vocês, quais foram as suas melhores leituras de 2017?

Tchau 2017! o/ Feliz 2018! \o/

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Livro: Contos da Tartaruga Dourada – Kim Si-seup

Contos da Tartaruga Dourada, de Kim Si-seup, é um escrito datado do século XV considerado a ponto fundador da prosa coreana. Supõe-se que as narrativas dessa coletânea foram escritas quando Si-seup mudou-se para a Montanha da Tartaruga Dourada, onde viveu por sete anos. Por isso a escolha do título acaba reforçando ainda mais a importância do caráter histórico dessa prosa, que provavelmente foi escrita na década de 1470.

A edição publicada pela Editora Estação Liberdade e organizada pela tradutora e professora Yun Jung Im, trás cinco surpreendentes contos, chamados: Um jogo de varetas no Templo das Mil Fortunas; Yi espreita por cima da mureta; Embriaguez e deleite no Pavilhão do Azul; Visita à Terra das Chamas Flutuantes do Sul; e O baquete esvanecido no Palácio do Fundo das Águas.

Em todos os contos são apresentados o mundo dos humanos misturando-se as divindades, reinos imortais, amor entre vivos e mortos, episódios históricos (como a invasão de piratas japoneses) e outras fantasias da cultura coreana. Mesclado à junção dessas duas realidades distintas, ensinamentos filosóficos e religiosos, como as doutrinas do taoísmo, budismo, xamanismo e neoconfucionismo, incrementam o panorama das prosas. Combinado a essa riqueza de narrativas, a escrita de Si-seup trás um lirismo junto às características de diversas crenças e mensagens para a vida.

Na época desses escritos, na Dinastia Joseon (Reino das Manhãs Calmas; de 1392 a 1897), a Coreia estava passando por mudanças importantes no âmbito governamental. O budismo tinha uma forte influência no sistema politico, administrativo e econômico dos reinos coreanos há quase um século. Por esse sufocante domínio, determinou-se o banimento do controle da instituição religiosa sobre o sistema, para a construção de um estado com princípios do sábio Mêncio, filosofo chinês do século IV a.C. e seguidor do confucionismo.

Pintura dos Dez Símbolos Tradicionais da Longevidade. 십장생도. Os dez símbolos tradicionais da longevidade são o sol, as montanhas, a água, as rochas, os pinheiros, as nuvens, os bulaocao (planta Costus Spicatus), as tartarugas, os gruidae (conhecidos também como grous) e os cervos. Derivados da filosofia taoísta, esses elementos eram tradicionalmente objetos de adoração da natureza.

Um episódio parecido aconteceu no Japão do século VIII, quando a capital era Heijō-kyō (atual Nara; de 710 a 784; entre esse tempo teve duas outras breves capitais). Em resumo, o budismo nesta época tinha forte controle da região. Por causa disso, o Imperador Kammu mudou a capital japonesa primeiramente para Nagaoka-kyō (de 784 a 794) e posteriormente transferiu para Heian-kyō (atual Kyoto; de 794 a 1868).

Porém, nos contos, elementos budistas estão entre os ensinamentos. Mesmo que a Coreia estivesse passando por uma transição, e de acordo com Yun Jung Im tal evento era um grande choque de identidade interno do autor, concluí que Si-seup não se referia a fé, mas a nível institucional. Ou seja, isso não significa o extermínio da religião, da fé das pessoas, mas da instituição budista, do controle religioso no governo. Mas questões assim nunca são simples e normalmente não tem um único motivo.

No conto Visita à Terra das Chamas Flutuantes do Sul tem um elemento na narrativa que eu acreditava ter aparecido somente no mundo da literatura na publicação do livro infantil Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, em 1865. Mas não, no século XV Kim Si-seup já o utilizou (*fico pensando se existem outras narrativas orientais mais antigas utilizando tal elemento*).

Contos da Lua Vaga (1953) e Kwaidan (1965) ♥

Meus contos preferidos do livro foram Um jogo de varetas no Templo das Mil Fortunas e Yi espreita por cima da mureta, mas principalmente o primeiro. Eu gostei demais do clima sombrio, histórico e de devaneio de Um jogo de varetas no Templo das Mil Fortunas. E esse título é tão estiloso (*-*). Esse conto me lembrou dos filmes Contos da Lua Vaga (1953), do diretor Kenji Mizoguchi, e a primeira história – O Cabelo Negro – do longa Kwaidan (1965), do diretor Masaki Kobayashi. Dois filmes clássicos japoneses que eu adoro ♥ e recomendo fortemente (^_~).

Para completar a leitura, várias notas de rodapé estão espalhadas e nos ambientando quanto às referências históricas e culturais importantes daquele período. Eu fiz várias marcações! Tornando nossa leitura ainda mais rica, foram incluídos três excelentes textos escritos por Yun Jung Im, mostrando um panorama detalhado e bastante interessante do contexto histórico e cultural da obra e da vida de Kim Si-seup.

Um ponto importante para destacar sobre Contos da Tartaruga Dourada é da obra original ter sido redigida em ideogramas chineses, sendo a escrita vigente no reino coreano, mas principalmente da classe dos letrados que a consideravam de maior valor. A escrita coreana hangeul, inventada pelo Rei Sejong em 1443, ainda estava sendo firmada no país. Posteriormente os escritos de Kim Si-seup foram traduzidos para o idioma coreano.

Por ser uma obra amplamente lida, acredita-se também que o autor coreano teve influencia numa novela chinesa intitulada Jiandeng Xinhua (Histórias novas ao apagar das lanternas), de Qu You, datado de 1378. Mesmo com grande referência nos clássicos chineses, Kim Si-seup trás em suas histórias reflexões filosóficas bem interessantes acerca de um contexto histórico de transição do Reino das Manhãs Calmas.

Retrato de Kim Si-seup (1435–1493)

Outras informações que achei curiosas foram o sucesso da obra no Japão e de um inesperado achado numa biblioteca chinesa no final do século XX. Enquanto os escritos de Kim Si-seup caiam no esquecimento em seu país de origem, um volume havia sido levado ao Japão na década de 1660, provocando uma redescoberta e ocasionando seguidas impressões em xilogravuras e reeditado em 1884. Já em 1999 uma edição coreana em xilogravura datada do século XVI, cerca de cinquenta anos depois da morte do autor, foi encontrada numa biblioteca chinesa. Em ambas as edições trazem ao final a expressão “Volume Primeiro”, indicando a existência de mais volumes. Esses acontecimentos inesperados são tão empolgantes (“\^-^/”).

Com suas narrativas de títulos simples, mas imponentes, Contos da Tartaruga Dourada, de Kim Si-seup, é um livro que trás em sua prosa poética uma arte literária multifacetada da literatura fantástica e da filosófica. Carregando também em suas entrelinhas uma importância histórica e cultural da Coreia. Um escrito que merece ser gravado em ouro e considerado tesouro de nossa estante.

Para mais informações do livro, do autor, da tradutora e do evento de lançamento (*parece ter sido tão legal*), recomendo que acesse a página destina especialmente a obra de Kim Si-seup, Contos da Tartaruga Dourada.

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Título: Contos da Tartaruga Dourada
Título original: Geumo Sinhwa, 금오신화
Autor: Kim Si-seup
Tradução: Yun Jung Im
Editora: Estação Liberdade
Páginas: 176
Ano: 2017

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Recebi este livro como cortesia da Editora Estação Liberdade.

[Cortesia] Editora Estação Liberdade ~ Contos da Tartaruga Dourada

A Editora Estação Liberdade acrescentou recentemente em seu catálogo de Domínio Coreano um escrito do século XV considerado o ponto fundador da prosa coreana: Contos da Tartaruga Dourada, de Kim Si-seup, com tradução da professora Yun Jung Im. O escrito de Kim Si-seup combina sua prosa nas referências dos clássicos chineses e elementos filosóficos e religiosos xamânicos, budistas, taoístas e neoconfucionistas.

Se você quiser conhecer um pouquinho da influência do neoconfucionismo, que vem diretamente do pensador e filósofo chinês Confúcio, recomendo fortemente esse livro gracinha: O Gato Filósofo, de Kwong Kuen Shan. Mantendo a mesma ideia, a autora também publicou O Gato Zen (*esse eu ainda não tenho, infelizmente*).

Então, Contos da Tartaruga Dourada acabou de chegar por aqui e fiquei muito feliz ao recebê-lo (*que capa e marcador lindos!*). Estou bastante curiosa com a obra, pois por amar literatura japonesa tenho interesse em conhecer a coreana. Bem, a literatura japonesa clássica, bem como a cultura no geral daquela época, até pelo menos o Período Heian, tinha forte influência da literatura clássica chinesa como também da coreana. Os períodos podem não ser os mesmos, mas pela sinopse da obra de Kim Si-seup apresentar influências do passado, acredito que dá sim para ter uma noção básica.

A leitura de Contos da Tartaruga Dourada será realizada em breve e espero conseguir trazer uma resenha a altura desse clássico coreano. Por favor, aguardem minhas impressões (^_~).

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O blog Lulunettes recebeu o lançamento Contos da Tartaruga Dourada, de Kim Si-seup, de cortesia da Editora Estação Liberdade. Agradeço a confiança neste modesto espaço (^_^).