Livro: Admirável Mundo Novo – Aldous Huxley

Escrito em 1931 por Aldous Huxley e publicado em 1932, Admirável Mundo Novo é um clássico lixo extremamente superestimado da ficção cientifica que narra o controle e manipulação da tecnologia reprodutiva e o condicionamento psicológico da sociedade ocidental.

A população da Londres de 600 depois de Ford é apresentada no romance como uma sociedade organizada com regras e castas definidas. A vida é criada em laboratório e os fetos desenvolvidos pelo Processo Bokanovsky (que permite produzir até noventa e seis seres humanos idênticos). Os embriões recebem doses de ingredientes químicos e estímulos físicos que definirão sua classe social (Alfa, Beta, Gama, Delta e Ípsilon), nível de inteligência e trabalho. Do nascer até a morte, esses indivíduos são condicionados e padronizados fisicamente e psicologicamente, não sendo estimulados a pensar. Em caso de humor abalado, a ingestão do “soma” (droga) é recomendada.

Seguimos inicialmente dois personagens que possuem elementos não presentes na sua casta: o alfa Bernard Marx, que por sua particularidade física e de personalidade ressentida apresenta uma independência de espírito. E a beta Lenina Crowne que levanta questões quanto a sua escolha emocional. Quando Bernard convida Lenina para a visitação da reserva de selvagens no Novo México, lá eles conhecem John e a beta Linda; descobrindo inclusive que Linda é mãe de John. John nasceu e viveu na humilde Malpaís, uma sociedade que ainda pratica o nascimento natural, a vida familiar e a religião.

Eu tinha expectativa quanto ao romance. No entanto, Admirável Mundo Novo não passou de um amontoado verborrágico de moralismo barato de um autor fascista enrustido. Digo fascista enrustido, pois além de um prefácio (publicado desde a edição de 1946) em que o autor se isenta dos horrores causados pela ideologia de extrema direita do qual ele faz parte e por ser uma figura obscurantista que ataca o progresso tecnológico, numa entrevista do programa The Mike Wallace Interview datado de 18 de maio de 1958, Aldous Huxley fala várias besteiras, mas a mais grave entre elas é que o autor mostrou-se um grande defensor da teoria de superpopulação e eugenia. Citando inclusive Harrison Brown, proeminente eugenista, que escreveu em seu livro The Challenge of Man’s Future (1954) ideias como esterilizar ou proibir o acasalamento de pessoas fracas e doentes. Pessoas fracas e doentes, para o autor citado e respeitado por Huxley, são no sentido igual ao de Hitler. Essa prática monstruosa, além de ter acontecido no sistema nazista da Alemanha, nos anos de 1907 a 1963 os Estados Unidos forçou a esterilização de 64 mil pessoas. Engraçado que essas pessoas fracas que portam hereditariedades graves de defeitos físicos ou mentais são somente os pobres. A burguesia e aristocracias estão sempre fora da lista.

Problema de superpopulação inexistiu na época de Huxley e inexiste atualmente. Dementes que defendem a prática da eugenia não passam de direitistas conservadores perigosos. A extrema pobreza do mundo existe devido a uma concentração de renda, onde aqueles 1% detém o que 99% produzem. Engraçado que o tão “consagrado” Aldous Huxley, como outras personalidades fascistas que defendem a mesma teoria, sempre culpam a população e não a prática de seus ideais de extrema direita que colaboram para a miséria e destruição do mundo, reforçando a insanidade do que é o capitalismo.

Ah, e se você brasileiro de classe média que está lendo minhas impressões e concordando com esses absurdos do demente do Huxley, aos olhos da elite da Europa Ocidental e dos Estados Unidos você não passa de um ser inferior. Pode ter certeza que você estaria na lista dos eliminados pelos eugenistas. Então, sugiro carinhosamente para baixar a bola. E para o seu bem, tenha o mínimo de critério para perceber que esse senhor, que deveria ter sido internado, apoiou e divulgou a mais completa loucura da eliminação de pessoas através dos critérios definidos por ele.

Em Admirável Mundo Novo critica-se a estrutura social do período stalinista. Focando no estado sanguinário comunista (no caso socialista) do regime sobre a população. Algumas das criticas no romance são: o controle total do estado sobre a população; alienação; adoração à figura do pai do sistema; a eliminação da instituição família, que inclui a inexistência da monogamia; proibição de livros de ficção, como Shakespeare, e religiosos, como a bíblia; entre outros papos furados.

Huxley critica o controle comunista total do estado sobre a população, mas finge esquecer que os países dominantes da Europa Ocidental e os Estados Unidos, ou seja, países imperialistas que invadiram e invadem todos os recantos do mundo na busca pelo controle de mercados e matérias primas, detém um controle bastante rígido sobre sua população e principalmente sobre os países dominados (como vários países da África, do Oriente Médio e da América Latina). Nem chegando perto da rigidez do estado stalinista. Para quem não conhece estes monstros, uma rápida leitura mostraria que Stalin seria, na melhor das hipóteses, um amador na prática da destruição. Apenas uma França ou Inglaterra, bastiões da “democracia”, tem as mãos sujas de sangue em muitas dezenas de vezes mais.

Quanto à alienação, o Imperialismo é um especialista neste quesito. Sua população anestesiada e condicionada constantemente com propagandas (em filmes, livros, rádio, televisão e internet), criando nelas uma falsa sensação de liberdade, de individualidade e de pensamento próprio. Não estimulando o pensamento critico, o meio condiciona a população a perpetuar ideias que beneficiam a burguesia. E aqueles que vão contra a maré são taxados como insanos. Além disso, a “liberdade” imperialista que o autor britânico tanto defende sempre teve o intuito de destruir, massacrar e roubar países. O que quero dizer é que a “liberdade” pregada pelo eugenista Huxley é da soberania da elite sobre as massas. Nada surpreendente partindo da boca de um membro da aristocracia britânica, ou seja, um autêntico vagabundo e parasita do dinheiro do imposto dos trabalhadores ingleses.

E o mais irônico, o “soma” é peça cativa no cardápio das populações da Europa Ocidental e dos Estados Unidos desde os anos 70. Nunca uma população usou tantos narcóticos como nos tempos de hoje. E ainda mais irônico é que a Inglaterra, país genocida que deu luz a este demente, era e é um dos países que mais atua e se beneficia do tráfico internacional de drogas. Desde o século XIX, a Inglaterra segue nesta nobre tradição do livre mercado; para quem tiver curiosidade pesquisem sobre “Guerra do Ópio”.

Quanto à adoração ou respeito por figuras importantes do sistema, engraçado que nos Estados Unidos não existe de jeito nenhum uma estátua gigantesca de Abraham Lincoln e faces dos presidentes americanos esculpidas no Monte Rushmore, no estado americano de Dakota do Sul. Também inexiste no Reino Unido uma idolatrada e parasitária família real britânica que é sustentada pelo estado até os dias de hoje (*sim, estou sendo sarcástica*).

Socialismo e Comunismo nenhum quer eliminar família. Politicas públicas como planejamento familiar, não é eliminação da família, mas a organização desta. Já o desestimulo a monogamia no romance, o autor esqueceu de que o conceito de monogamia é exclusivo para o gênero feminino. Monogamia masculina nunca existiu desde a criação do sistema de classe.

Quem proíbe livros e impõem uma religião dominante sempre foram os regimes de direita financiados por bancos, indústrias e apoiados pela igreja cristã, como no fascismo e o nazismo. Enfim, como Aldous Huxley fazia parte da classe dominante britânica, que defende a nefasta eliminação das massas até os dias de hoje (o apoio da monarquia britânica ao nazismo é vasto e notório), tem medo do avanço do comunismo, ou seja, do único sistema que destruiria a mamata desses parasitas. Por isso à perseguição e criação de mentiras das mais descabíeis ao comunismo.

E não se engane que a criação e divulgação maciça de mentiras absurdas é uma prática que está viva e bem. O século XXI mostrou diversos exemplos de propagandas destinadas a criar antipatia contra um governo que não quer se curvar ao Imperialismo, gerando consequentemente uma invasão desse país, destruição e roubo de sua riqueza; vide o que aconteceu com Kadafi na Líbia e está acontecendo com Maduro na Venezuela. Ou vamos esquecer também que os Estados Unidos invadiram o Iraque e Afeganistão para levar à deliciosa “democracia”?

Além dessas porcarias travestidas de criticas, todos os personagens são totalmente desinteressantes e mal construídos. É impossível ter simpatia por alguns deles. John, o pior de todos (*o comportamento dele com Lenina foi uma coisa horrorosa que me fez detestá-lo ainda mais*), não passou de um personagem fanático e confuso. Na verdade a narrativa como um todo é decepcionante, sem vigor e pessimamente trabalhada. Sem duvida um dos piores livros que já li na vida.

Lamento que um romance tão decadente esteja no patamar dos clássicos da ficção cientifica. É de se lamentar também que um eugenista assumido seja idolatrado como uma grande mente em favor da liberdade. Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, não passa de um escrito entediante, de péssima qualidade e nada transcendente.

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Título: Admirável Mundo Novo
Título original: Brave New World
Autor: Aldous Huxley
Tradução: Lino Vallandro e Vidal Serrano
Editora: Folha de S.Paulo
Páginas: 256
Ano: 2016

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A leitura de Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, faz parte do projeto [TBR Book Jar Nomes da Literatura]. Para acompanhar os demais títulos do projeto recomendo que verifique esta publicação.