Mangá: Card Captor Sakura – Clear Card Arc ~ Vol. 1 – CLAMP

Publicado originalmente entre 1996 e 2000, Card Captor Sakura é uma das obras mais conhecidas, se não a mais conhecida, do grupo CLAMP. O mangá, totalizado em doze volumes, chegou há vários países, como França e Brasil.

Por aqui, a jovem caçadora de cartas se tornou popular graças ao anime transmitido primeiramente no Cartoon Network e posteriormente na TV Aberta. No país da baguette, a trajetória foi praticamente à mesma. Assim como muitos, eu também conheci Sakura através do anime, que foi adaptado pelo estúdio japonês Madhouse entre os anos de 1998 e 2000. Eu adorava a dublagem em português do Brasil com a Sakura dizendo “Ai ai ai, Yukito!”, hahahaha.

Em 2016, Card Captor Sakura completou 20 anos. Então no Japão como comemoração teve exposição, café temático e vários produtos fofos disponíveis no mercado. Além disso, o CLAMP iniciou a publicação da sequência das novas aventuras de Sakura, intitulado Card Captor Sakura – Clear Card Arc, que inicialmente foi pré-publicada na revista shoujo Nakayoshi. No formato tankoubon, até o momento, foram três volumes publicados pela editora Kodansha.

Na França, Card Captor Sakura – Clear Card Arc estava sendo muito aguardado; quando a editora Pika anunciou a publicação, foi uma comemoração para os leitores da velha-guarda, como também causou curiosidade aos novos leitores de mangá. O primeiro volume foi lançado em novembro de 2017. Importei, chegou e li com aquela boa sensação de nostalgia (♥\^-^/♥).

Depois de recuperar as Clow Cards (Cartas Clow), Sakura entra para o quinto ano do colegial da Escola Secundária Tomoeda. Seguindo para o colégio e admirando no caminho as flores de cerejeiras, ela se surpreende ao reencontrar Shaolan, que retornou de Hong Kong. Com toda a agitação dos bons reencontros e desse novo cenário, Sakura começa a ter sonhos estranhos, onde encena com um indivíduo enigmático. Através desses sonhos, suas cartas misteriosamente ficam transparentes, uma nova chave / báculo ganha forma, como começa a surgir novas cartas com peculiaridades nas suas imagens.

Neste novo enredo, além de reunir o universo e as personagens que tanto nos divertiu no passado, a linha narrativa segue um tom bastante parecido com o mangá dos anos 90. Ou seja, percebe-se o cuidado que o grupo CLAMP teve de conectar a sequência. Espero que esse bom trabalho continue com os demais volumes do novo arco até a sua conclusão.

No quesito mudança acredito que houve um pouco na arte. Mesmo depois de tantos anos e com suas acumulações de experiências, as mangakás deram uma ligeira mudança nas linhas de Card Captor Sakura – Clear Card Arc, que ficou um pouco mais espessa dando um ar de elegância. Ah, as pétalas de cerejeiras e outros elementos a lá CLAMP continuam preenchendo as páginas com muita beleza.

Rever Sakura, Shaolan, Tomoyo (*minha personagem favorita*), Kero (*outro personagem favorito*), Yukito, Toya e entre outros personagens secundários que complementam com ternura essas relações, foi prazeroso (^_^). A Tomoyo ficou encantadora com o novo uniforme e continua com aquele espírito animado (*adoro a empolgação dela. Me divirto com sua obsessão inocente com a Sakura, hahaha*). Ah, e o reencontro de Sakura e Shaolan foi muito fofo (*-*). As autoras resgataram um simples detalhe do finalzinho da obra anterior, de Shaolan segurando o ursinho que Sakura havia lhe presenteado na sua despedida, conectando com muito tato as obras.

Depois que meu exemplar chegou e eu pude ler, finalmente fui verificar os primeiros episódios da nova animação. Card Captor Sakura – Clear Card-hen estreou no Japão em 7 de janeiro deste ano e constará com 22 episódios. Assim como no anime anterior, o atual está sendo dirigido pelo diretor Morio Asaka, com roteiro de Nanase Ohkawa (para quem não sabe ela faz parte do grupo CLAMP) e produzido pelo estúdio Madhouse.

Concluindo os episódios disponíveis, minhas primeiras impressões foram bastante positivas. A animação está ótima, capricharam no primeiro episódio e os demais se mantiveram num bom nível, só que, tiveram uma ou outra coisinha estranha, mas nada que comprometesse a boa qualidade da animação. O CG (Computação Gráfica) está presente, mas felizmente é utilizado em momentos pontuais.

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Pelo que pude perceber, a trilha sonora é mescladas com músicas da animação passada e novas composições. Ambas são de autoria do compositor japonês Takayuki Negishi. Para mim essa mescla foi um ponto bastante positivo, pois tendo Card Captor Sakura uma trilha divertida e marcante, seria mancada perder essa “personalidade” da sua melodia.

Quanto à música tema da abertura, 「CLEAR」 é da cantora e dubladora Maaya Sakamoto, enquanto que a música do encerramento 「Jewelry」 é da cantora e dubladora Saori Hayami. Fiquei contente que chamaram a Maaya Sakamoto, pois além de ter uma voz muito bonita (*e por eu adorar várias músicas dela*), ela cantou 「Platinum」 – que é a terceira abertura de Card Captor Sakura –, como também dublou a carta Nothing (無) no filme Card Captor Sakura – Fuuin Sareta Card e a Tomoyo Daidouji em Tsubasa Chronicle.

Também aproveitei para assistir o prólogo de Card Captor Sakura – Clear Card Arc, intitulado Sakura to Futatsu no Kuma (Sakura e os Dois Ursos), que foi um especial lançado no Japão em setembro de 2017 no DVD da edição limitada do terceiro volume de Clear Card Arc. O OVA (Original Video Animation) é uma adaptação do ultimo volume do mangá. Gostei da ideia do “aquecimento”, pois além da animação estar lindinha e também por conectar os dois animes, os fãs puderam preparar o coração para o que viria (^_~). Ah, não deixe de ver a cena pós-créditos!!!

O primeiro volume do Card Captor Sakura – Clear Card Arc me proporcionou um prazer nostálgico (^-^♥). O grupo CLAMP oferece aos leitores uma positiva transição direta entre as duas séries, criando uma expectativa promissora.

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Título: Card Captor Sakura – Clear Card Arc
Título original: Kādokyaputā Sakura Kuriakādo-hen, カードキャプターさくら クリアカード編
Autoras: CLAMP
Volume: Vol. 1
Tradução: Lamodière Fédoua
Editora: Pika
Páginas: 160
Ano: 2017

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Mangá: Magical Girl Boy (Mahou Shoujo Ore) – Icchokusen Mokon

Magical Girl Boy, de Icchokusen Mokon, foi pré-publicado na revista josei Comic Be entre os anos de 2012 até o início de 2014 e depois lançado em dois volumes pela editora Fusion Product. O mangá trás o tema das garotas mágicas da maneira mais insana possível.

Para quem não sabe, Mahou Shoujo é um subgênero do mangá ou do anime de fantasia japonesa que apresenta garotas comuns que ganham a habilidade de usar magia. Sem dúvida no Brasil as garotas mágicas mais famosas estão nas obras Bishoujo Senshi Sailor Moon e Cardcaptor Sakura.

A colegial Saki Uno, de 15 anos, formou uma dupla de idols com sua melhor amiga. Na rua elas tentam se promover, mas nada adianta. Sua vida, compartilhada entre o cotidiano e seu sonho, continua… Até que numa noite, ela se surpreende ao encontrar um homem mal encarado batendo na sua porta. O sujeito vestido de preto, com óculos escuros e uma grande cicatriz no rosto só pode ser um mafioso da Yakuza. Mas na verdade o sujeito suspeito se chama Kokoro e é conhecido da mãe de Saki desde que ela era uma garota mágica. Por alguns motivos, a senhora Sayori Uno repassa as responsabilidades de vigilante para a filha. Saki não está interessada, mas para salvar seu querido Mohiro Mikage, do qual tem uma paixão secreta, ela ativa seu poder e se transforma numa garota mágica… Bem, na verdade a transformação a torna num macho viril mágico de roupinha meiga.

O autor nos faz mergulhar numa onda de delírios do universo padronizado das garotas mágicas, misturando clichês e maluquices de uma forma bem engraçada. Por exemplo, os famosos ataques coloridos cheios de brilhos e piruetas que focam em algumas partes do corpo da guerreira, aqui são igualmente focados nos elementos másculos do corpo altamente masculino da heroína transformada, principalmente no documento voluptuoso.

Como toda Mahou Shoujo, nossa guerreira tem direito ao tradicional mascote: Kokoro se transforma na tal mascote, mas sua cabeça continua do temido mafioso cicatrizado (>_<). Muito bizarro. Para completar as esquisitices, os monstros controlados pelo divertido vilão são criaturas altamente cômicas. Eles começam todos bonitinhos e depois se transformam em fisiculturista com a cabeça do personagem Puchu do anime Excel Saga, hahahahaha.

Por apresentar dois volumes, Mahou Shoujo Ore acaba sendo eficiente no humor e proporcionando um agradável momento de descontração. Li o mangá ano passado, quando estava precisando de uma leitura divertida, e a obra se mostrou bastante eficaz na sua proposta. No mais, acredito que se a narrativa fosse estendida as piadas acabariam se repetindo e perdendo a graça. Então terminar em dois tomos foi uma sabia decisão do mangaká, do editor (que sugeriu a ideia do rapaz viril mágico ao autor) e da editora.

Quanto à arte de Icchokusen Mokon, é um estilo usual bonito que trás uma leveza e beleza coordenada com os momentos excêntricos. Destaque para as partes anatômicas altamente bem desenhadas. Gostei também da mistura feita entre o fofo e as expressões irrealistas, hahahahaha.

Magical Girl Boy, de Icchokusen Mokon, é um hilário mangá de garotas mágicas que traz uma criativa ideia do másculo homão mágico. Estou curiosa para verificar o anime que será lançado na primavera japonesa deste ano.

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Título: Magical Girl Boy
Título original: Mahou Shoujo Ore, 魔法少女 俺
Autor: Icchokusen Mokon
Editora: Akata
Número de volumes: 2
Ano: 2017

Os melhores de 2017

Entre leituras e releituras, li bastante no ano de 2017. O mais surpreendente é que houve várias obras maravilhosas. Sim, teve títulos capengas e uma porcaria que não vale o que o gato enterra, mas no apanhado geral o ano foi bastante positivo (^_^v). Como foi difícil definir uma quantidade de melhores leituras, reuni as narrativas que realmente marcaram o ano do macaco. Quem quiser conferir minha lista, sigam-me os bons! (^o^/)

» Agnes Grey – Anne Brontë ~ Finalmente eu comecei a ler as Irmãs Brontë. Anne foi à terceira irmã que li. A conheci pelo seu romance de estreia Agnes Grey. Gente, que narrativa concisa, mas direta. Anne descreve com tato e sem papas na língua a relação entre governanta e família do empregador, como de outros elementos da vida doméstica da burguesia da época vitoriana. Porém mostrando o lado egocêntrico dessa classe. Romance sensacional! Impressões em breve.

» Um Amor Incômodo – Elena Ferrante ~ A enigmática Ferrante já havia me conquistado pela sua escrita nas obras únicas, mas principalmente nos dois primeiros romances da tetralogia Napolitana (*que concluirei em 2018*). Agora ela roubou meu coração com Um Amor Incômodo (*-*). Que romance visceral. Que narrativa bem construída. Que livro. Impressões sobre este livro aqui.

» Anne de Avonlea – Lucy Maud Montgomery ~ Obvio que Anne de Avonlea faria parte da lista de melhores leituras. Afinal, eu e Anne Shirley somos almas gêmeas ♥. Foi tão prazeroso reencontrar Anne neste segundo volume da série; vê-la uma jovem encantadora, mas mantendo sua dramática personalidade (*que eu adoro*). Impressões sobre este livro aqui.

» Anthology – Hagio Moto ~ Na verdade me faltava apenas uma história para concluir a antologia da fenomenal Hagio Moto. As demais li assim que a edição saiu na França, no ano de 2013. Não sei bem a razão porque deixei uma narrativa em stand by. Enfim, quem acompanha o blog sabe que eu fui novamente ao Japão, e desta vez tive a grande sorte de visitar a exposição temporária de uma das minhas mangakás favoritas ♥. Então reli tudo que tenho da Moto e li a história que faltava. Foi uma experiência e tanto, já que eu sabia que em breve iria ver vários originais de pertinho (*o*). Por esse motivo estou incluindo Anthology nas melhores leituras deste ano, já que teoricamente conclui agora. Impressões em breve.

» Blue Spring Ride (Ao Haru Ride) – Io Sakisaka ~ O que poderia ser um comum shoujo escolar, Sakisaka trás temas consideráveis para suas leitoras mais jovens como para as mais velhas, como recomeços, diferença entre relações artificiais e verdadeiras, e, claro, muito amorzinho. Foi maravilhoso acompanhar nesses trezes volumes o crescimento interior de Futaba, Kô, Yuri, Shuko, Aya e Toma. Melhor ainda, foi ter uma companheira de leitura que ficou tão empolgada quanto eu (^_^). Impressões sobre este mangá aqui.

» Les Deux Van Gogh (Sayonara Sorcier) – Hozumi ~ Cá entre nós, eu quero ler até a lista de supermercado da Hozumi. Gente, que mangaká fenomenal! Ela é mestra em contar histórias. Em Les Deux Van Gogh, ela consegue trazer um mangá histórico cheio de dramas, onde a realidade e a ficção se entrelaçam em harmonia. Acabei nem comentando nas minhas impressões: Sayonara Sorcier foi adaptado para musical no Japão em 2016. Particularmente eu queria ver uma animação dessa obra. Nossa, ia ficar uma coisa (*-*). Pois é, não sei o que falar, só sentir ♥. Impressões sobre este mangá aqui.

» Doukyusei / Sotsugyousei – Nakamura Asumiko ~ Conhecer o BL de Nakamura Asumiko foi uma ótima descoberta. A construção do relacionamento de Kusakabe e Sajou é tão abarrotada de clichês que chega a ser previsível. Entretanto a autora desenvolve essa relação de uma forma leve e gostosa de acompanhar. Acho que por isso, e pelo traço singular de Nakamura, sua obra tenha caído na graça das fujoshi e ganhado outras sequências, como O.B. (*já li e achei muito bacana*) e Sora & Hara (*será publicado na França próximo ano*). Impressões sobre este mangá aqui.

» E depois – Natsume Soseki ~ Eu havia gostado de Sanshiro, mas Soseki me surpreendeu no segundo livro da sua trilogia informal. Mesmo que o protagonista Daisuke tenha me indignando em alguns momentos por suas atitudes e pensamentos prepotentes, a narrativa de E depois é muito bem construída. O ritmo da leitura é lento, mas nada entediante. Muito pelo contrário, causa certa curiosidade. Impressões em breve.

» A Fórmula Preferida do Professor – Yoko Ogawa ~ Pode-se pensar inicialmente que A Fórmula Preferida do Professor seja aqueles dramalhões forçados além da conta, mas Ogawa constrói a relação de amizade, que se torna fraternal, entre a empregada doméstica e seu filhinho Raiz (√) com o velho docente de matemática. A autora nos trás um drama muito bonito, com uma sensibilidade tocante. Sério, eu fiquei comovida. A adaptação cinematográfica é boa, mas não chega aos pés da beleza do romance. Impressões sobre este livro aqui.

» Fragmentos do Horror – Junji Ito ~ Fazia um tempo que eu não lia nada do Ito Junji; fiquei feliz quando soube da publicação de Fragmentos do Horror, principalmente numa edição caprichada. Gostei bastante das histórias desse mangá. Ito tem um estilo peculiar para narrativas de horror. Aprecio a mistura bem sucedida que ele faz das bizarrices com as ações comuns. Impressões sobre este mangá aqui.

» Homens Sem Mulheres – Haruki Murakami ~ Por suas peculiaridades, eu gosto bastante da escrita e do estilo narrativo de Murakami. Então fui ao seu livro de contos com intuito de ter uma leitura no mínimo agradável. Entretanto, adorei todos os contos de Homens Sem Mulheres! (*o que é bem difícil em livros de contos*) Fiquei realmente encantada com todas as histórias, com seus personagens, mas principalmente na forma curiosa como o autor japonês fala sobre solidão. Impressões sobre este livro aqui.

» A Inquilina de Wildfell Hall – Anne Brontë ~ Como adorei Agnes Grey, fui esperando no, infelizmente, ultimo romance de Anne, uma narrativa sem rodeios. A autora inglesa trás com precisão dramas categóricos na narração do fazendeiro Gilbert Markham (*partes preferidas*), como da inquilina Helen Graham. Porém, o que ficou marcado na minha leitura foi como a escritora mostrou em sua personagem feminina a devoção cristã, o amor pelo outro, até mesmo por aquele que lhe faz mal. Não é algo que eu concorde, mas achei os motivos e ações de Helen possíveis. Impressões em breve.

» A Invenção de Morel – Adolfo Bioy Casares ~ Este livro foi uma completa surpresa. Mesmo eu sabendo pouco, minha expectativa estava altíssima, afinal A Invenção de Morel é uma obra elogiada. Enfim, a tal expectativa foi completamente alcançada, ultrapassando inclusive a fronteira. Adorei a agilidade de Casares no desenvolvimento da narrativa. Olhei com mais vontade para os outros livros do autor argentino que tenho na estante; inclusive assim que conclui a leitura do clássico latino-americano, adquiri o primeiro volume de Obras Completas de Adolfo Bioy Casares (*espero que publiquem os demais volumes*). Impressões sobre este livro aqui.

» Jane Eyre – Charlotte Brontë ~ Eu nunca tinha visto nenhuma adaptação do clássico de Charlotte Brontë. Então fui completamente sem saber uma vírgula da trama. Com toda a sinceridade, foi a melhor coisa que poderia ter acontecido, pois a história de Jane Eyre me surpreendeu a cada página. Que narrativa fascinante e que heroína critica (*-*). E que bonita a natural relação romântica de Jane com o Sr. Rochester (*-*). Charlotte foi à segunda irmã Brontë que li e me encantei por ela. Felizmente a escritora nos deixou mais três romances finalizados que serão lidos com todo o prazer. Impressões em breve.

» Um jogo de varetas no Templo das Mil Fortunas (Contos da Tartaruga Dourada) – Kim Si-seup ~ Considerado o ponto fundador da prosa coreana, foi interessante ter conhecido algumas escritos de Kim Si-seup. Dentre essas histórias, o conto Um jogo de varetas no Templo das Mil Fortunas foi a melhor surpresa. O enredo apresenta um clima de devaneio sombrio, misturado com eventos históricos, culturais e religiosos. Acredito que eu tenha simpatizado com o clima da trama devido aos filmes de época do cinema japonês, do qual tenho um grande apresso; até indiquei duas películas na minha postagem. Impressões sobre este livro aqui.

» Le Journal des Chats de Junji Ito (Junji Ito no Neko Nikki – Yon & Mu) – Junji Ito ~ Depois da leitura de Fragmentos do Horror, lembrei que tinha o mangá seinen autobiográfico do mestre do horror japonês. Le Journal des Chats de Junji Ito conta de forma exagerada e bastante cômica a relação de Ito e de sua esposa (sempre com uma peça de roupa listrada) com seus dois gatinhos, Yon e Mu. Eu ri tanto que chegou naquele nível de lacrimejar, hahahaha. Adorei conhecer esses gatinhos peculiares, principalmente o Yon com seu jeitinho excêntrico. Impressões em breve.

» Marie-Antoinette: La jeunesse d’une reine – Fuyumi Soryô ~ Como à senhora Fuyumi Soryô é uma das minhas mangakás do coração, o que essa mulher escrever eu vou gostar. Este mangá encomendado é um exemplo. Eu não simpatizo com a figura de Maria Antonieta, e não entendo realmente o frisson por essa parasita. Mas sendo de autoria da maravilhosa Fuyumi, eu ia ler de qualquer jeito. Como previsível, adorei a obra! Tendo sido autora de shoujo, Soryô usou desses elementos na narrativa da jovem rainha e o resultado ficou encantador (*-*). Sim, sou babona. Não tem como. Fuyumi Soryô sempre me encanta ♥. Impressões em breve.

» A Metamorfose – Franz Kafka ~ Acredito que o clássico A Metamorfose seja o tipo de narrativa que está no pensamento popular. Por conta disso, eu achava a premissa interessante, então esperava no mínimo uma boa leitura. No entanto me surpreendi com o fato deu ter adorado acompanhar a transformação de Gregor Samsa e seus conflitos. Que novela sensacional! A famosa obra de Kafka é realmente fenomenal! Impressões sobre este livro aqui.

» O Morro dos Ventos Uivantes – Emily Brontë ~ Por a segunda irmã ter somente um romance publicado, iniciei a leitura das Irmãs Brontë por Emily. O que é uma pena, pois ela já me deixou uma grande saudade. Seu único romance trás uma narrativa carregada, mas brilhantemente construída. Li na edição comentada da Editora Zahar e acho que as notas fizeram uma grande diferença na minha compreensão das referências. A narração de O Morro dos Ventos Uivantes é uma coisa de difícil de descrever, mas é tão incrível que me falta palavras para dizer o quão grandiosa é essa obra. Impressões em breve.

» Tsugumi – Banana Yoshimoto ~ O romance sem pretensões de Yoshimoto é o tipo de livro que não trás grandes personagens nem empolgantes desfechos. Mas que encanta por dar uma complexidade numa narrativa simples. O que me fez adorar o romance é como a autora japonesa joga com a memória, não só de suas personagens, como também dela mesma e de seus leitores. Impressões sobre este livro aqui.

» Vulgo Grace – Margaret Atwood ~ Pela terceira vez consecutiva Margaret Atwood entra na minha lista de melhores leituras do ano. Não é por menos, essa mulher é uma autora magnífica; sabe contar uma historia como ninguém. Engraçado que quando estava lendo Vulgo Grace, eu devorava as páginas, só que queria demorar na leitura para perdurar essa maravilha (*o eterno conflito, hahaha*). Ah, para quem não sabe, eu e a Mi estamos fazendo um projeto muito bacana de ler despretensiosamente todos os livros da Atwood publicados no Brasil. Então quem tiver interesse, está mais que convidado. Impressões sobre este livro aqui.

» Xica da Silva. A Cinderela Negra – Ana Miranda ~ Eu gosto muito da escrita da conterrânea Ana Miranda. Então fiquei bastante contente quando vi o seu Xica da Silva. Particularmente acho interessante a figura histórica da escrava que virou sinhá. Uma negra subir no palanque da sociedade da época, onde o negro era visto como um ser sem alma, acaba sendo um acontecimento curioso da nossa história. Pelo poder que conquistou, Xica foi tão difamada que a ojeriza por sua figura perdurou até pouco tempo. Afinal, uma mulher negra numa posição privilegiada era algo impensável. Porém Xica é uma figura poderosa, que finca seu nome na história. Enfim, achei o livro de Ana Miranda tão rico, tão extraordinário, que eu não consegui escrever algo que chegasse ao nível de detalhes desse trabalho. Então eu recomendo fortemente a leitura, que dá um panorama detalhado do Brasil do século XVIII.

E vocês, quais foram as suas melhores leituras de 2017?

Tchau 2017! o/ Feliz 2018! \o/