Mangá: Bonne nuit Punpun! (Oyasumi Punpun) – Inio Asano

Publicado inicialmente na revista Big Comic Spirits, da editora Shôgakukan, o seinen de Inio Asano foi produzido entre os anos 2007 e 2013. Bonne nuit Punpun! é o seu primeiro título de longa duração, apresentando 13 volumes no total.

Em Oyasumi Punpun acompanhamos as experiências de Punpun Punyama (posteriormente Punpun Onodera) desde a escola primária até seus 20 anos, e de alguns de seus colegas e familiares. Diferente das demais personagens, Punpun e sua família são representadas por um tipo de pássaro que parece mais ser um desenhado feito por uma criança, fazendo um contraste marcante e causando uma sensação de estranhamento na narrativa. Entretanto, a forma do protagonista muda de acordo com as situações, dando um simbolismo aos seus sentimentos.

Como disse, vamos seguindo os acontecimentos pelos olhos de Punpun: conhecemos seu primeiro amor, sua primeira masturbação, seus sonhos, suas dúvidas, suas frustrações, suas dificuldades da vida e sua percepção e incompreensão do mundo. A ingenuidade do personagem título vai rapidamente sendo atingida pelas decepções decorrentes dos vários episódios causadas pela sociedade. Para deixar a narrativa mais perturbadora, o mangaká apresenta uma seita secreta chamada Pegasus, que acredita no fim do mundo. De acordo com o líder, o fim será no dia do Tanabata Matsuri, em 7 de julho.

Para mim, um dos pontos fortes do mangá são as personagens secundárias que expõem com sinceridade suas histórias e dores. As mais curiosas de acompanhar foram a da frustrada Punpun Mama e a decadência de Seki Masumi. Vidas possíveis, infelizmente. Pareceu-me bastante condizente com a nossa realidade. Vale incluir as situações exageradas que revelam os sentimentos humanos refletidos dessa sociedade doente. Também destaco Deus (Kami, 神), que persuade a mente de Punpun com suas frases desestimuladoras, um tanto bizarras e violentas.

Inio Asano é um autor talentoso em narrativas curtas. Acredito que ele consiga trazer dramas mais marcantes. Como Bonne nuit Punpun! é uma obra mais longa, ele acaba complicando um pouco a psicologia de suas personagens, se repetindo e inclusive perdendo em alguns momentos o ritmo da trama. Durante a leitura, houve momentos que eu achava cansativo.

A impressão geral que tive da obra foi da desilusão da juventude para com a sociedade e das disparidades sociais devido ao ambiente social. Ou seja, parece que Oyasumi Punpun questiona o ambiente em que nascemos e de como ele pode ser influente a nos condenar ao fracasso simplesmente por ter nascido no lugar errado. O final principalmente dá essa impressão. Também acho que exista uma critica as confusas obrigações do povo japonês, como por exemplo, aparentar é mais importante do que ser. Isso se reflete muito na personagem Aiko, que teve seus simples sonhos prejudicados pelo seu insano ambiente familiar.

Kami, 神

Se essa for à mensagem da obra, achei insuficiente. Claro que numa família desestruturada há grandes chances da criança seguir um caminho infeliz. Mas essa desestrutura está além do ambiente familiar. Está mais fundo, no sistema que vinga a sociedade, onde o indivíduo sem pensar, capta e aplica essas regras na vida. Quanto mais o sistema vigente for competitivo, mais frustrações carregam as pessoas. Resumindo, os problemas apresentados no mangá perpetuam que a culpa do fracasso é a nível individual. O que não é verdade. O problema está no sistema individualista que condena boa parte da população a essa condição de angustias e frustrações. E numa sociedade alienada, como é o caso do Japão, esse absurdo é aplicado com mais força.

Não sei se foi intencional, mas acredito que as capas dos tomos tragam uma interpretação do que é a vida; claro que associada à narrativa da obra. Os volumes iniciais têm cores vibrantes que vão ganhando tons sombrios até que no ultimo volume as cores desaparecerem por completo. Ou seja, começamos cheios de sonhos e à medida que crescemos a dura realidade esmaga a esperança e apaga as emoções.

Quanto ao character design de Inio Asano, com exceção dos Punyama / Onodera que são desenhados numa infantil forma de pássaro, as demais personagens e os cenários apresentam um estilo realista e cheio de detalhes. Já os elementos fantásticos intercalam com desenhos que vão do simples ao complexo. O mangaká conduz com sucesso a combinação dos delírios e do realismo gráfico.

Oscilando entre tristezas e pequenas alegrias efêmeras, Bonne nuit Punpun!, de Inio Asano, é um mangá que aborda de modo agridoce, e um tanto repetitiva, as questões dos desconfortos e tormentos da vida.

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Título: Bonne nuit Punpun!
Título original: Oyasumi Punpun, おやすみプンプン
Autor: Inio Asano
Editora: Kana
Número de volumes: 13 volumes
Ano: 2012 ~ 2014

Mangá: Sakamoto, pour vous servir! (Sakamoto desu ga?) – Nami Sano

sakamoto-pour-vous-servir-nami-sanoPublicado originalmente entre 2012 e 2015 nas revistas Harta e Fellows!!, da editora Enterbrain, posteriormente ganhando quatro volumes encadernados, o seinen de Nami Sano ultrapassa barreiras do gênero cômico, tornando-se um grande sucesso no Japão.

Sakamoto é um estudante do ensino médio nada comum. Além de lindo, nosso protagonista é carismático, elegante e dotado de múltiplos talentos. Com toda perfeição em um único ser humano, alguns homens sentem inveja de suas habilidades e beleza esplendida, e tramam contra ele. Ou então, por ser um rapaz engenhoso, acaba ajudando os colegas de sua turma. Seja qual for à circunstância, Sakamoto nunca perde a calma e usa seus dons para sair de qualquer situação. Claro, sempre em grande estilo. Afinal, tudo que ele faz é cool, cooler, coolest!

O ambiente da narrativa joga inteiramente sobre os exageros do talentoso estudante que consegue sempre nos surpreender e arrancar suspiros. Tudo em Sakamoto desu ga? é construído em torno de um grande escárnio das situações mundanas típicas de tramas escolares. Difícil não gargalhar em todas as páginas. Eu, por exemplo, ria ao ponto de lacrimejar (>_<). Sim, adoro esse humor nonsense japonês. Acho muito engraçado!

Talvez alguns não tenham entendido o estilo da comédia. Fica um pouco difícil explicar tamanho exagero, então deixo o trailer da animação, só para vocês sentirem o gostinho do quão maravilhoso é Sakamoto desu ga?:

A animação foi produzida pelo Studio Deen e lançada em 2016 contendo 12 episódios e 1 OVA (Original Video Animation). Achei uma ótima adaptação! Cobre perfeitamente os eventos apresentados na obra original. Já no OVA, que trás uma historinha extra, os alunos fantasiam e teorizam sobre Sakamoto. É muito legal! Recomendo!

Voltando ao mangá… Curioso que sempre imaginei um mangá dessa natureza, com um personagem bonito que fosse impecável em tudo que fizesse e nada poderia o deter de ser primoroso. Nami Sano teve o mesmo pensamento e materializou essa ideia da melhor forma possível (*-*).

Comecei a leitura de Sakamoto, pour vous servir! ao ser lançado na França e finalizei no mês de dezembro do ano passado. Sem dúvida é um dos mais criativos mangá de comédia dos últimos tempos. Sério, como me diverti com essas loucuras nonsense, hahahahaha. O único ponto que merecia ter sido explorado um tiquinho mais é o grande vilão da série, o repetente trintão que já se divorciou duas vezes.

Quanto à arte de Nami Sano, ela é belíssima! O character design do personagem-título é lindamente desenhado em cada quadro, enquanto as demais personagens, tirando alguma exceção, têm aspectos comuns. O protagonista colabora também para engrandecer o detalhado cenário e seus elementos. Mas o mais hilário disso tudo é que independente do momento o gráfico de Sakamoto sempre permanece sedutor e cintilante.

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Gostaria de destacar o cuidado da editora francesa com a obra. Acredito que o trabalho de tradução esteja bem feito, pois se sente uma fluidez nos diálogos. Quanto ao título da obra, como o título japonês é de difícil tradução: Sakamoto estaria se apresentado e dando a ideia de continuar sua apresentação; acredito que a adaptação do título em francês conseguiu trazer a essência da narrativa.

Sobre a edição, está muito bem cuidada e creio que esteja igual à versão original. Normalmente são. Destaque para os desenhos que ficam na capa e contracapa do mangá, ao retirar a sobrecapa de cava volume. A mangaká fez quatro releituras de obras famosas com a imagem de Sakamoto:

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Adorei todas! (^o^)

No primeiro volume é acrescentado um one-shot intitulado Hiroshi, L’Homme aux Épaulettes (Hiroshi, o homem com ombreiras), que narra a obsessão de Hiroshi por ombreiras. Essa história é demais! O final me surpreendeu e fiquei lá rindo alto. Nami tem sacadas geniais quando o assunto é à fusão da seriedade e de elementos comum com o nonsense.

Nami Sano nos brinda com uma receita simples, funcional e muito bem-humorada. Sakamoto, pour vous servir! começa esplendoroso, continua com um ritmo sedutor e finaliza no momento certo, trazendo algumas interpretações sobre a figura de Sakamoto.

[Atenção!!! Este parágrafo contém SPOILER] A autora deixou uma dúvida no ar: Sakamoto é ou não humano, eis a questão. Para isso não há nenhuma resposta específica. Sano deixou algumas pistas da verdadeira natureza desse herói que ajuda os outros sem esperar nada em troca e que obviamente mentiu sobre os motivos de deixar a escola. Assim os leitores pensam o que quiser sobre ele: alienígena, enviado por Kami-sama, ser o próprio Kami-sama. Seja qual for à resposta, Sakamoto é tão inspirador que melhora o caráter humano. Só vê aquele final completamente maluco, hahahaha. [/ Fim do SPOILER]

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Título: Sakamoto, pour vous servir!
Título original: Sakamoto desu ga?, 坂本ですが?
Autora: Nami Sano
Editora: Komikku Editions
Número de volumes: 4 volumes
Ano: 2014 ~ 2016

Mangá: The Wedding Eve – A Véspera do Casamento e Outras Histórias – Hozumi

the-wedding-eve-a-vespera-do-casamento-e-outras-historias-hozumiMinhas impressões do mangá The Wedding Eve – A Véspera do Casamento e Outras Histórias, de Hozumi, contêm sutis spoiler.

Originalmente publicadas em 2012 nas revistas Gekkan Flowers e Rinka, da editora Shôgakukan, o josei The Wedding Eve – A Véspera do Casamento e Outras Histórias, da mangaká Hozumi, reuni seis histórias curtas que envolvem melancolia através de eventos comuns da vida com certo toque sobrenatural.

A leitura do mangá foi realizada no mês de novembro deste ano e compartilhada com a querida Lígia, do blog Randomicidades Aleatórias. A obra de Hozumi nos rendeu uma produtiva conversa. Para ler a resenha da Lígia, clique aqui.

A primeira história A Véspera do Casamento (Shiki no Zenjitsu), que dá título ao mangá, narra os últimos momentos juntos de uma dupla de irmãos antes do dia do casamento da irmã mais velha. Carregando uma mistura de melancolia e alegria e uma doce intimidade, acredito que a grande surpresa desse conto é descobrimos que o casal na verdade são irmãos. A relação deles foi fortificada após o falecimento de seus pais e a irmã muito mais velha acabou sendo uma espécie de mãe para o rapaz. Esse sentimento de perda que ambos sentem durante a narrativa só mostra a forte relação que eles cultivaram. Acho que a história trouxe um bonito sentimento de perda.

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A Véspera do Casamento (Shiki no Zenjitsu)

Seguimos para minha história preferida do mangá: Reencontro em Azusa nº2 (Azusa Nigou de Saikai), que narra um determinado dia do mês de agosto da visita de um pai a sua filha na tal Rua Azusa nº2 enquanto a mãe da menina está fora trabalhando. Durante a narrativa, com seu clima de ternura, vamos ligando os pontos até percebermos o final impactante e melancólico. Apreciei imensamente esta história, pois trás elementos do folclore japonês que estão enfatizados na inocência da garotinha e neste dia tão especial que a menina espera com ansiedade.

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Reencontro em Azusa nº2 (Azusa Nigou de Saikai)

Irmãos Monocromáticos (Monochrome no Kyoudai) é o terceiro conto e narra o reencontro de dois irmãos gêmeos de meia idade após a morte de Yukiko, a mulher que ambos amaram. Essa foi à segunda história que mais gostei, porque apresenta personagens idosos (*o que é raro nos mangás*) e pelo teor dramático de um triangulo amoroso que durou a vida inteira. Apreciei o ritmo lento dessa narrativa, no cuidado que a autora teve no reencontro desses irmãos que tiveram rumos de vida diferentes e por se reencontrarem por causa da perda de um amor comum. A conclusão é forte e acredito que destaca a intensidade dos sentimentos que guardamos conosco.

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Irmãos Monocromáticos (Monochrome no Kyoudai)

O Espantalho que Sonha – Parte 1 e 2 (Yume Miru Kakashi) é o maior conto do mangá, pois como vocês podem ver é dividido em duas partes. É o único conto que se passa fora do Japão, o cenário desta narrativa é nos Estados Unidos, e narra o retorno de Jack ao Kansas, cidade onde passou a infância e juventude, para o casamento de sua irmã mais nova, Betty. Neste momento marcante da vida da irmã e o local do casamento que ela escolheu, iremos mergulhar nas memórias do protagonista-narrador ao serem deixamos aos cuidados da família do tio paterno e por sofrerem por não serem bem-vindos. Devido às circunstâncias, Jack criou um senso de responsabilidade para com Betty, tornando-se com o passar dos anos bastante ciumento. Acho que essa história guarda duas versões: a que vemos do narrador e a nossa interpretação dos eventos trazendo a questão da rejeição familiar sentida por Jack ser uma ilusão ou um exagero. O elemento sobrenatural do conto é o espantalho que a menina chama de “mamãe”.

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O Espantalho que Sonha (Yume Miru Kakashi)

O Pequeno Jardim de Outubro (Juugatsu no Hakoniwa) é o conto que trás várias referências em relação à imagem do corvo. Sem dúvida um dos mais sombrio e difícil de interpretar. A história trás um escritor de sucesso único, Kazunori Shinoda, que mora próximo de uma floresta. Devido ao tormento de não conseguir avançar em seus escritos, ele sonha repetidas vezes com um corvo. Neste cotidiano infértil, do nada uma suposta parenta adolescente surge na sua casa. Kazunori até tenta mandar a garota embora, mas se pergunta constantemente de onde ela surgiu e qual familiar teria o deixado cuidar dela. Conversando com a Lígia, perguntei se ela sabia o significado da imagem do corvo no Japão. Pesquisando, ela me disse que os corvos são mensageiros da deusa Amaterasu e se caracterizam pela criatura mística de um corvo de três pernas, chamado Yatagarasu, cuja aparição simboliza uma intervenção divida nos assuntos humanos. O que faria sentindo na narrativa do conto, pois o corvo interfere na vida de Kazunori. A Lígia acha que Hozumi escolheu a figura do corvo como uma referência mais banal: o “ar misterioso”, ou, mesmo a imagem de associação da morte que o animal tem no ocidente. Realmente, ambas as interpretações são possíveis.

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O Pequeno Jardim de Outubro (Juugatsu no Hakoniwa)

O ultimo e o mais curto conto é E então… (Sorekara) (*adoro o som dessa palavra em japonês*), narra à visão de um gato recentemente adotado se perguntando sobre o comportamento de seu dono. A história é fofa e surpreendente quando vemos que o dono do gato é o rapaz do primeiro conto. Isso mesmo, aquela personagem da história que dá título ao mangá. Foi ótimo reencontrá-lo e ver como ficou a relação dele com a irmã. Este conto passou a sensação de certa continuidade. O felino aqui tem sua forma particular de carinho, mas continua com aquela imagem de gato indiferente. Engraçado que a minha gatinha é o inverso (*acho que ela é reencarnação de cachorro, hahahaha*).

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E então… (Sorekara)

Tendo um panorama de todas as narrativas, o conto que mais destoa das demais histórias é O Pequeno Jardim de Outubro. Enquanto a obra foca na relação familiar entre duplas de irmãos, ou, num novo membro da família, o jovem escritor solteiro e frustrado destoa das demais situações. A interpretação que eu tive foi de que mesmo que esta história traga uma sensação de deslocamento das demais, de alguma forma aquele corvo que observava de longe Kazunori, criou certa simpatia pela situação desgastante dele e o ajudou. Talvez o corvo se sentisse próximo a Kazunori, e este sentimento de afinidade e proximidade tenha entrando timidamente na temática do mangá.

Quanto ao traço de Hozumi, ele flerta com o realismo. Além disso, é limpo e elegante. Já os cenários aparecem quando necessários. Amei a arte desta mangaká! Outro detalhe que me deixou mais encantada foram o enquadramento focando nos trejeitos, nos gestos, no olhar e no sorriso, ou seja, nos sentimentos profundos daquelas personagens. Isso tornou as narrativas mais sensíveis, pois o desenho faz com que esses sentimentos internos sejam identificados.

Além da editora Panini trazer um excelente título josei, que é bastante escasso no Brasil e assim como o shoujo sofre preconceito por sua demografia, a edição nacional, com orelhas, está de qualidade. Por ser uma obra tão fenomenal até merecia uma edição luxuosa com páginas coloridas (*-*). O interessante deste lançamento é também para mostrar aos próprios leitores de mangá, e de certa forma a própria editora, que a demografia para o público feminino apresenta uma gama de títulos que não se resumem somente a romance escolar.

The Wedding Eve – A Véspera do Casamento e Outras Histórias, de Hozumi, é uma obra que apresenta histórias incríveis, trazendo com maturidade, lirismo e vivacidade sentimentos tão pessoais. Não é de surpreender que no Japão este one-shot fez tanto sucesso. Revelo que estou apaixonada por Hozumi, quero ler tudo dela ♥.

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Título: The Wedding Eve – A Véspera do Casamento e Outras Histórias
Título original: Shiki no Zenjitsu, 式の前日
Autora: Hozumi
Tradução: Luciane Yasawa
Editora: Panini
Páginas: 192
Ano: 2016

Manhua: In These Words (tomos 01 & 02) – Jun Togai e Narcissus [+18]

in-these-words-tomos-01-02-jun-togai-e-narcissusIn These Words, de Jun Togai e Narcissus, é um manhua do gênero Boy’s Love de origem taiwanesa que ainda encontra-se em publicação. Começou a ser publicado como doujinshi (capítulo a capítulo) em 2011 pelo estúdio independente Guilt Pleasure. Com seu sucesso, passou a ser lançado no Japão pela editora Libre Shuppan, e depois seguiu para Coreia do Sul, Alemanha, Estados Unidos e França.

Norteando. Originário do Japão, o gênero Boy’s Love (BL), também conhecido como Yaoi, tem o foco em relações homossexuais entre dois homens. Os mangás BL são escritos por mulheres para mulheres. Sendo que um produto pode exceder o seu público alvo. As leitoras assíduas desse gênero são chamadas de Fujoshi (significa em tom pejorativo “garota podre / corrompida”). Enquanto os homens que curtem são chamados de Fudanshi (“homem podre / corrompido”).

Adoro BL, principalmente as obras com narrativas maduras. Pois é, tenho meu lado corrompido, hahahaha. Gostaria até de conhecer mais títulos, pois acho que li pouco desse vasto gênero de mangá que tem autoras do qual nutro grande admiração, como Hagio Moto e Fumi Yoshinaga, por exemplo, que também publicam em outras demografias. Então aceito dicas das colegas (^_~).

Meu interesse por In These Words começou por causa da belíssima arte de Jun Togai (\*o*/). Quando o título foi anunciado na França eu fiquei tão feliz. No entanto, foi dificílimo conseguir esses dois volumes. Pelo que parece a editora que publica In These Words em francês, a Taifu Comics, deve publicar uma tiragem pequena desses volumes e em doses homeopáticas. Bem, pelo menos nas lojas onlines que enviam para o exterior foi complicado encontrá-los, pois sempre estavam esgotados ou revendidos por preço exorbitantes. Só os consegui recentemente (*aliviada*). Quando os vi disponível pelo preço de capa, adquiri imediatamente. Assim que chegou, tirei do pacote e comecei a ler (^_^).

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♥ ♥ ♥ヽ(*≧ω≦)ノ♥ ♥ ♥

Katsuya Asano é um psiquiatra experiente treinado nos Estados Unidos da América. Por seu talento foi-lhe dada uma atribuição da polícia de Tóquio. Sua ajuda é necessária para traçar o perfil psicológico do serial killer que há vários anos mata pessoas de uma forma cruel e sádica. O assassino é capturado, mas só concorda em entregar a sua confissão para Katsuya. As extensões dessas discussões se dão numa casa restrita. Enquanto que todas as noites, Asano tem pesadelos horríveis, em que um homem sem rosto o sequestra, tortura, estupra e sussurra que o ama. A atmosfera maravilhosamente opressiva nos coloca em dúvida sobre esses acontecimentos.

A partir do prólogo, em forma de texto e ilustrações, somos mergulhando em uma atmosfera escura, opressiva e singular. Katsuya Asano foi torturado mentalmente e fisicamente por um homem desconhecido, e sendo um sobrevivente dessa violência é atormentado por pesadelos horríveis. Essas cenas de torturas e submissão são muito fortes, podendo causar desconforto ao leitor. Eu, por exemplo, fiquei sufocada com tanta violência. Até no final do primeiro volume, na parte dos extras, as autoras se desculpam por isso.

As ligações das cenas do tomo anterior são finalmente reveladas na continuação. O segundo volume trás uma reviravolta surpreendente, levando-nos de volta antes dos eventos presentes. O choque é grande para nós leitores, mas também para a personagem Katsuya Asano. O máximo que posso dizer do segundo volume é que a linha da trama fica mais calma, mais silenciosa e quase doce.

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Existem certas ações na trama que alguns leitores podem achar irreais. No começo eu até estava com essa mesma linha de pensamento em acreditar impossível determinadas atitudes, principalmente à da personagem Shinohara Keiji. Mas conhecendo os absurdos da nossa sociedade, nada é impensável. Grandes e controladoras instituições são capasses de ações chocantes para atingir objetivos; sendo de um pequeno grupo poderoso então, nem se pensa uma única vez no outro. Então acho que In These Words não exagerou tanto nesse sentido.

Um detalhe que me agradou bastante foi à veracidade da relação homoafetiva. Katsuya tem um caso com o investigador dessa missão, mas a relação deles não começou por uma paixão lancinante. Iniciou-se por atração, flerte e dos sinais deixado de um para o outro. Tal como acontece na vida real. Até o pedido ameaçador de Katsuya para com seu amante em guardar segredo do envolvimento deles. Ah, o sexo em In These Words é bastante cru. Ou seja, explícito.

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Sobre a impecável arte de Jun Togai, há um interessante equilíbrio do estilo mangá com quadrinhos de gráficos mais realistas. Uma mistura que ficou encantadora (*0*). Todas as personagens, sendo principais e coadjuvantes, são lindamente bem desenhadas. É um cuidado com os ângulos, músculos, roupas e acessórios, exalando um dinamismo e elegância impar. Em relação às cenas de sexo, elas são bem sucedidas. Na verdade, muito bem sucedidas. No estupro é repassada a aflição e dor, enquanto que na relação consensual é emocionante e sexy (*¬*). Encarregada dos cenários, Narcissus os desenha de forma realista.

In These Words apresenta uma qualidade notável, tanto pela narrativa original e inteligente como por personagens cativantes e misteriosas. Eu diria que é um dos melhores mangá, no caso manhua, do gênero. Para mim já entrou no rank dos favoritos, e sem dúvida se tornará um clássico BL. Jun Togai e Narcissus criaram uma atmosfera sombria absolutamente cativante como perturbadora. Estou ansiosíssima pelo terceiro volume, que infelizmente não tem previsão de lançamento (*snif*).

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Título: In These Words
Título original: Gen no Tsumi, 言之罪
Autoras: Jun Togai e Narcissus – Neko Kichiku
Editora: Taifu Comics
Número de volumes: 2 volumes (em publicação)
Ano: 2014 ~ 2015