Mangá: O Homem que Foge – Natsume Ono

Conheço a mangaká Natsume Ono pelos excelentes Ristorante Paradiso (2006) e Gente (2007) que li quando foram publicados na França. Ono também é bastante conhecida no ocidente por sua obra Sarai-ya Goyou (2006). Então quando a editora JBC anunciou este título fiquei muito feliz, pois gosto demais dessa autora ♥. Eu e a Lígia, do blog Randomicidades Aleatórias, combinamos e realizamos uma leitura compartilhada de O Homem que Foge (*foi ótimo ler mais esse mangá com você*).

O Homem que Foge, de Natsume Ono, foi publicado orginalmente entre 2010 e 2011 na revista seinen Manga Erotics F, ganhando em 2011 seu encadernado pela editora Ohta Shuppan. Em meio à floresta em que se encontra um urso misterioso, a obra carrega em sua narrativa uma grande e importante reflexão sobre as consequências de uma decisão, tendo como elemento dessa mensagem um homem que “fugiu”, sua razão para tal ato e o que acontece quando essa mesma razão deixa de existir.

Nas duzentas páginas, não há tantos diálogos. O foco é nas atividades diárias do protagonista, no ciclo das estações do ano, no urso misterioso, nos curiosos que vão à floresta e intercalando com eventos ocorridos anteriormente. Em meio a esses quadros silenciosos, acredito que a autora quis repassar a sensação da mente do protagonista em constante reflexão sobre sua ação realizada há tantos anos. Para mim, essas cenas trouxeram uma profundidade de que o silêncio diz mais do que as palavras.

Acredito que a obra se aproxima dos pensamentos subconscientes do leitor. Qualquer pessoa pode se identificar com a luta interna travada pelo homem que foge. Por isso pergunto, quem de vocês nunca quis fugir de um problema? Quem se arrependeu profundamente de uma decisão ou da falta dela e fica se remoendo com constância? Quem aqui não teve vontade de desaparecer? A fuga dos problemas do mundo, das decisões mal tomadas, de como lidamos com elas e de como organizamos nossos pensamentos confusos, não são fáceis, mas necessários. A mangaká nos trás justamente essas dificuldades internas, presente em qualquer um de nós. Esse diálogo silencioso é a grande essência desse título.

Quanto à arte de Natsume Ono, ela tem um estilo esboçado bastante original. Eu aprecio imensamente o traço próprio dela pela estranheza que ele causa. Além disso, a arte da mangaká é bastante expressiva e eficaz. Gosto das cenas que focam nos olhos. Acho que ela consegue repassar com habilidade os sentimentos internos mais profundos das personagens.

Escrevendo minhas impressões, O Homem que Foge me fez lembrar a Aokigahara, uma floresta situada na base noroeste do monte Fuji, conhecida mundialmente por ser local comum de suicídios no Japão. Em média são encontrados 100 corpos por ano e esse número vem aumentando. Por motivos diversos, principalmente financeiros, o individuo adentra na floresta para tira a própria vida. Mesmo que o protagonista de Ono não pratique o ato, há uma “morte social”. Por isso fiquei com uma forte impressão de que o mangá seja uma alegoria a este local. Dizendo para aqueles que pensam em se matar para repensarem em não se desconectar definidamente do mundo. Provavelmente eu estou viajando na maionese, mas será que não há nenhuma conexão da obra com este triste fato?! Enfim, recomendo que assistam este documentário sobre A Floresta dos Suicidas:

O Homem que Foge, de Natsume Ono, é o tipo de narrativa que consegue dizer muito através de poucos diálogos e cenas expressivas. Mesmo tendendo para o realismo fantástico, acho injusto definirem este mangá como um conto de fadas para adultos. Acredito que a obra de Ono traga uma mensagem profunda entrelaçada numa narrativa que considera importante, diria até essencial, este diálogo interno. Um diálogo que pode salvar nossa própria vida.

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Título: O Homem que Foge
Título original: Nigeru Otoko, 逃げる男
Autora: Natsume Ono
Tradução: Edward Kondo
Editora: JBC
Páginas: 200
Ano: 2017

Mangá: Doukyusei / Sotsugyousei – Nakamura Asumiko

Durante minha viagem ao Japão, quando eu estava numa loja especializada em mangás e animes em Ikebukuro, na seção da livraria conferindo os artbooks, um deles, de traço peculiar, chamou minha atenção. Achei o material lindíssimo, mas acabei não levando por conta das minhas prioridades. Voltando ao Brasil, fui procurar a respeito desse desenho. E eis que conheço a obra mais famosa de Nakamura Asumiko.

Doukyusei é um mangá do gênero Shounen Ai lançado inicialmente pela revista Opera entre 2006 e 2007. Enquanto a sequência, intitulada Sotsugyousei, foi publicada entre os anos de 2007 e 2009. Em 2010, a editora japonesa Akaneshinsha publica os encadernados da obra de Nakamura em três volumes.

Devido ao seu sucesso estrondoso, Doukyusei / Sotsugyousei é considerado um dos melhores mangás Boys’ Love (BL) da ultima década, ganhando o raro privilégio de ser adaptado. A animação, produzida pelo estúdio A1 Pictures, foi lançada nos cinemas japoneses em 20 de fevereiro de 2016 e ficou na 9ª posição de melhores bilheterias. Para uma obra que retrata a comum relação romântica entre dois estudantes do ensino médio é de impressionar.

Kusakabe Hikaru e Sajou Rihito estão na mesma classe de uma escola só para garotos. Devido ao festival de canto organizado pela instituição, os alunos praticam constantemente. Sajou acaba também treinando sozinho por sentir dificuldade com o ritmo da canção. O que atrai a atenção de Kusakabe. Intrigado, ele se oferece para ajudá-lo. Durante o tempo que eles passam juntos, Hikaru e Rihito acabam por experimentar variadas emoções, e à medida que as estações avançam, os corações desses dois rapazes vão se aproximando.

Confirmado pela própria autora, Doukyusei / Sotsugyousei é abarrotado de clichês. Entretanto Asumiko desenvolve o molde de sua obra com leveza, tornando a narrativa deliciosa de acompanhar. Ou seja, a mangaká soube utilizar com habilidade os estereótipos da demografia, trazendo de certa forma algo novo.

A identidade oposta do descolado Kusakabe Hikaru e do estudioso Sajou Rihito é o ponto alto da trama. Devido suas diferenças de personalidade e visão de futuro, os dramas vão surgindo e se desenvolvendo sem deixar de acompanhar a evolução do casal. Trazendo também o descobrimento de seus sentimentos com inocência e espontaneidade. É bonito o ritmo que essa união é formada. E quanto às cenas de amorzinho é tão safadinha, mas ao mesmo tempo tão fofinha (=^-^=).

Sem sombra de dúvida o elemento mais marcante desse mangá é a arte sofisticada de Nakamura Asumiko. Seu traço limpo apresenta um efeito de leveza, movimento, expressão e elegância visivelmente singular. A cada quadro a artista ressalta com clareza e harmonia o essencial da cena. Amei demais a arte da Nakamura-sama ♥.

Como comentei no inicio, assim que voltei de viagem pesquisei sobre a obra. Para minha felicidade o mangá havia sido publicado na França (*-*). Quando tive condições ($$) importei imediatamente os volumes que chegaram um mês e meio depois (*pensem na aflição*). Com os volumes em mãos eu primeiramente fiquei encantada com a edição (*o*). O projeto gráfico é muito bem cuidado, apresentado além de páginas coloridas, outros detalhes da edição japonesa. Em seguida devorei os três tomos ♥. Agora estou ansiosa pela continuação, O.B..

Quanto ao filme, ele cobre os eventos do mangá Doukyusei. A animação tem um ritmo fluido e calmo conseguindo captar as características presente na obra original. O visual da animação, desenvolvidos pela diretora de arte Chieko Nakamura (conhecida por seu trabalho no anime Shoujo Kakumei Utena), impressiona por sua alta qualidade e palheta de corres. Um deleite para os olhos (*-*). Destaque também para a ótima dublagem. As vozes combinaram como uma luva. No geral, achei a adaptação fiel e muito boa.

Doukyusei / Sotsugyousei, de Nakamura Asumiko, é um mangá agradável que emana uma atmosfera gentil durante toda a leitura. Recomendo fortemente a qualquer colega leitor, principalmente as leitoras de BL, que apreciam ou procuram por uma história de amor com dramas possíveis (^_^).

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Título: Doukyusei / Sotsugyousei
Título original: Dôkyûsei / Sotsugyousei, 同級生 / 卒業生
Autora: Nakamura Asumiko
Editora: Boy’s Love – IDP
Número de volumes: 3
Ano: 2016

Mangá: Bonne nuit Punpun! (Oyasumi Punpun) – Inio Asano

Publicado inicialmente na revista Big Comic Spirits, da editora Shôgakukan, o seinen de Inio Asano foi produzido entre os anos 2007 e 2013. Bonne nuit Punpun! é o seu primeiro título de longa duração, apresentando 13 volumes no total.

Em Oyasumi Punpun acompanhamos as experiências de Punpun Punyama (posteriormente Punpun Onodera) desde a escola primária até seus 20 anos, e de alguns de seus colegas e familiares. Diferente das demais personagens, Punpun e sua família são representadas por um tipo de pássaro que parece mais ser um desenhado feito por uma criança, fazendo um contraste marcante e causando uma sensação de estranhamento na narrativa. Entretanto, a forma do protagonista muda de acordo com as situações, dando um simbolismo aos seus sentimentos.

Como disse, vamos seguindo os acontecimentos pelos olhos de Punpun: conhecemos seu primeiro amor, sua primeira masturbação, seus sonhos, suas dúvidas, suas frustrações, suas dificuldades da vida e sua percepção e incompreensão do mundo. A ingenuidade do personagem título vai rapidamente sendo atingida pelas decepções decorrentes dos vários episódios causadas pela sociedade. Para deixar a narrativa mais perturbadora, o mangaká apresenta uma seita secreta chamada Pegasus, que acredita no fim do mundo. De acordo com o líder, o fim será no dia do Tanabata Matsuri, em 7 de julho.

Para mim, um dos pontos fortes do mangá são as personagens secundárias que expõem com sinceridade suas histórias e dores. As mais curiosas de acompanhar foram a da frustrada Punpun Mama e a decadência de Seki Masumi. Vidas possíveis, infelizmente. Pareceu-me bastante condizente com a nossa realidade. Vale incluir as situações exageradas que revelam os sentimentos humanos refletidos dessa sociedade doente. Também destaco Deus (Kami, 神), que persuade a mente de Punpun com suas frases desestimuladoras, um tanto bizarras e violentas.

Inio Asano é um autor talentoso em narrativas curtas. Acredito que ele consiga trazer dramas mais marcantes. Como Bonne nuit Punpun! é uma obra mais longa, ele acaba complicando um pouco a psicologia de suas personagens, se repetindo e inclusive perdendo em alguns momentos o ritmo da trama. Durante a leitura, houve momentos que eu achava cansativo.

A impressão geral que tive da obra foi da desilusão da juventude para com a sociedade e das disparidades sociais devido ao ambiente social. Ou seja, parece que Oyasumi Punpun questiona o ambiente em que nascemos e de como ele pode ser influente a nos condenar ao fracasso simplesmente por ter nascido no lugar errado. O final principalmente dá essa impressão. Também acho que exista uma critica as confusas obrigações do povo japonês, como por exemplo, aparentar é mais importante do que ser. Isso se reflete muito na personagem Aiko, que teve seus simples sonhos prejudicados pelo seu insano ambiente familiar.

Kami, 神

Se essa for à mensagem da obra, achei insuficiente. Claro que numa família desestruturada há grandes chances da criança seguir um caminho infeliz. Mas essa desestrutura está além do ambiente familiar. Está mais fundo, no sistema que vinga a sociedade, onde o indivíduo sem pensar, capta e aplica essas regras na vida. Quanto mais o sistema vigente for competitivo, mais frustrações carregam as pessoas. Resumindo, os problemas apresentados no mangá perpetuam que a culpa do fracasso é a nível individual. O que não é verdade. O problema está no sistema individualista que condena boa parte da população a essa condição de angustias e frustrações. E numa sociedade alienada, como é o caso do Japão, esse absurdo é aplicado com mais força.

Não sei se foi intencional, mas acredito que as capas dos tomos tragam uma interpretação do que é a vida; claro que associada à narrativa da obra. Os volumes iniciais têm cores vibrantes que vão ganhando tons sombrios até que no ultimo volume as cores desaparecerem por completo. Ou seja, começamos cheios de sonhos e à medida que crescemos a dura realidade esmaga a esperança e apaga as emoções.

Quanto ao character design de Inio Asano, com exceção dos Punyama / Onodera que são desenhados numa infantil forma de pássaro, as demais personagens e os cenários apresentam um estilo realista e cheio de detalhes. Já os elementos fantásticos intercalam com desenhos que vão do simples ao complexo. O mangaká conduz com sucesso a combinação dos delírios e do realismo gráfico.

Oscilando entre tristezas e pequenas alegrias efêmeras, Bonne nuit Punpun!, de Inio Asano, é um mangá que aborda de modo agridoce, e um tanto repetitiva, as questões dos desconfortos e tormentos da vida.

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Título: Bonne nuit Punpun!
Título original: Oyasumi Punpun, おやすみプンプン
Autor: Inio Asano
Editora: Kana
Número de volumes: 13 volumes
Ano: 2012 ~ 2014

Mangá: Sakamoto, pour vous servir! (Sakamoto desu ga?) – Nami Sano

sakamoto-pour-vous-servir-nami-sanoPublicado originalmente entre 2012 e 2015 nas revistas Harta e Fellows!!, da editora Enterbrain, posteriormente ganhando quatro volumes encadernados, o seinen de Nami Sano ultrapassa barreiras do gênero cômico, tornando-se um grande sucesso no Japão.

Sakamoto é um estudante do ensino médio nada comum. Além de lindo, nosso protagonista é carismático, elegante e dotado de múltiplos talentos. Com toda perfeição em um único ser humano, alguns homens sentem inveja de suas habilidades e beleza esplendida, e tramam contra ele. Ou então, por ser um rapaz engenhoso, acaba ajudando os colegas de sua turma. Seja qual for à circunstância, Sakamoto nunca perde a calma e usa seus dons para sair de qualquer situação. Claro, sempre em grande estilo. Afinal, tudo que ele faz é cool, cooler, coolest!

O ambiente da narrativa joga inteiramente sobre os exageros do talentoso estudante que consegue sempre nos surpreender e arrancar suspiros. Tudo em Sakamoto desu ga? é construído em torno de um grande escárnio das situações mundanas típicas de tramas escolares. Difícil não gargalhar em todas as páginas. Eu, por exemplo, ria ao ponto de lacrimejar (>_<). Sim, adoro esse humor nonsense japonês. Acho muito engraçado!

Talvez alguns não tenham entendido o estilo da comédia. Fica um pouco difícil explicar tamanho exagero, então deixo o trailer da animação, só para vocês sentirem o gostinho do quão maravilhoso é Sakamoto desu ga?:

A animação foi produzida pelo Studio Deen e lançada em 2016 contendo 12 episódios e 1 OVA (Original Video Animation). Achei uma ótima adaptação! Cobre perfeitamente os eventos apresentados na obra original. Já no OVA, que trás uma historinha extra, os alunos fantasiam e teorizam sobre Sakamoto. É muito legal! Recomendo!

Voltando ao mangá… Curioso que sempre imaginei um mangá dessa natureza, com um personagem bonito que fosse impecável em tudo que fizesse e nada poderia o deter de ser primoroso. Nami Sano teve o mesmo pensamento e materializou essa ideia da melhor forma possível (*-*).

Comecei a leitura de Sakamoto, pour vous servir! ao ser lançado na França e finalizei no mês de dezembro do ano passado. Sem dúvida é um dos mais criativos mangá de comédia dos últimos tempos. Sério, como me diverti com essas loucuras nonsense, hahahahaha. O único ponto que merecia ter sido explorado um tiquinho mais é o grande vilão da série, o repetente trintão que já se divorciou duas vezes.

Quanto à arte de Nami Sano, ela é belíssima! O character design do personagem-título é lindamente desenhado em cada quadro, enquanto as demais personagens, tirando alguma exceção, têm aspectos comuns. O protagonista colabora também para engrandecer o detalhado cenário e seus elementos. Mas o mais hilário disso tudo é que independente do momento o gráfico de Sakamoto sempre permanece sedutor e cintilante.

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Gostaria de destacar o cuidado da editora francesa com a obra. Acredito que o trabalho de tradução esteja bem feito, pois se sente uma fluidez nos diálogos. Quanto ao título da obra, como o título japonês é de difícil tradução: Sakamoto estaria se apresentado e dando a ideia de continuar sua apresentação; acredito que a adaptação do título em francês conseguiu trazer a essência da narrativa.

Sobre a edição, está muito bem cuidada e creio que esteja igual à versão original. Normalmente são. Destaque para os desenhos que ficam na capa e contracapa do mangá, ao retirar a sobrecapa de cava volume. A mangaká fez quatro releituras de obras famosas com a imagem de Sakamoto:

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Adorei todas! (^o^)

No primeiro volume é acrescentado um one-shot intitulado Hiroshi, L’Homme aux Épaulettes (Hiroshi, o homem com ombreiras), que narra a obsessão de Hiroshi por ombreiras. Essa história é demais! O final me surpreendeu e fiquei lá rindo alto. Nami tem sacadas geniais quando o assunto é à fusão da seriedade e de elementos comum com o nonsense.

Nami Sano nos brinda com uma receita simples, funcional e muito bem-humorada. Sakamoto, pour vous servir! começa esplendoroso, continua com um ritmo sedutor e finaliza no momento certo, trazendo algumas interpretações sobre a figura de Sakamoto.

[Atenção!!! Este parágrafo contém SPOILER] A autora deixou uma dúvida no ar: Sakamoto é ou não humano, eis a questão. Para isso não há nenhuma resposta específica. Sano deixou algumas pistas da verdadeira natureza desse herói que ajuda os outros sem esperar nada em troca e que obviamente mentiu sobre os motivos de deixar a escola. Assim os leitores pensam o que quiser sobre ele: alienígena, enviado por Kami-sama, ser o próprio Kami-sama. Seja qual for à resposta, Sakamoto é tão inspirador que melhora o caráter humano. Só vê aquele final completamente maluco, hahahaha. [/ Fim do SPOILER]

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Título: Sakamoto, pour vous servir!
Título original: Sakamoto desu ga?, 坂本ですが?
Autora: Nami Sano
Editora: Komikku Editions
Número de volumes: 4 volumes
Ano: 2014 ~ 2016