Livro: A Invenção de Morel – Adolfo Bioy Casares

Publicado originalmente em 1940, quando o argentino Adolfo Bioy Casares tinha 26 anos, A Invenção de Morel é um clássico inaugural e marco da literatura fantástica produzida na América Latina.

Narrado em primeira pessoa por um fugitivo condenado à prisão perpétua, pela justiça venezuelana, que chega sozinho a uma ilha inabitada. A ilha apresenta construções abandonadas, como um museu, uma piscina, uma espécie de hotel e um maquinário de complexo funcionamento.

Acreditando que a ilha estava desocupada, para seu profundo espanto, ele avista inúmeras pessoas transitando. Entre esses indivíduos, Faustine encanta o narrador. Ele faz tudo pra chamar sua atenção, mas curiosamente à mulher de seu interesse não o nota. Considerando esta estranha situação, o fugitivo tenta racionalizar e buscar uma resposta.

A narrativa como um gênero do realismo fantástico, também possível classificá-la como ficção cientifica, carrega uma série de reflexões difíceis de extrair. Minha leiga interpretação do tema discutido é referente às questões de sobrevivência, da consciência e da memória. Entretanto, levando em conta a época de publicação da novela, a Argentina havia acabado de completar dez anos desde o primeiro de sucessíveis golpes de estado que durariam 53 anos (1930 – 1983). Ou seja, o cenário no país de origem do autor estava com um governo fantoche de caráter fascista controlado por potências estrangeiras. E este cenário era idêntico em outros países da Americana Latina. Por isso acredito que tenha várias mensagens nas entrelinhas referentes a este período conturbado. Então no ato final da novela, interpreto que o narrador fugitivo, que provavelmente seja por questões políticas, deseja somente uma consciência tranquila, longe da opressão.

Interessante destacar que a obra de estreia do Casares é dedicada a Jorge Luis Borges. Os dois autores eram muito amigos e Borges escreveu um texto sobre A Invenção de Morel que normalmente vem nas edições como prefácio. Infelizmente a editora Folha de S.Paulo o excluiu dessa edição (*lamentável*). Agora tenho que providenciar.

Dizer que achei essa obra primorosa não é exagero. Casares constrói a narrativa com uma habilidade magistral. Admito que minha expectativa estava alta, e surpreendentemente ela foi alcançada (^_^). Mesmo curtinho, a obra exige do leitor total concentração para o grande mistério, para suas múltiplas interpretações. Eu, por exemplo, não consegui concluir em uma sentada. Precisei parar para organizar as ideias. Não que o livro seja difícil, longe disso, mas ele te exige de uma forma peculiar.

Gostaria de indicar a vocês, colegas leitores, que vão à novela sabendo o mínimo possível. Não tenho dúvida de que a experiência será maravilhosa. Eu fui sabendo quase nada e fiquei completamente surpresa quando conclui. Ah, minhas impressões não entregam nada da trama, só exponho a interpretação que tive, então podem ficar tranquilos quanto a isso.

A Invenção de Morel, de Adolfo Bioy Casares, é um livro simplesmente instigante e profundo. Uma grande e clássica obra da literatura latino americana. Todo mundo deveria ler essa perfeição. Eu, particularmente, amei (♥^-^♥).

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Título: A Invenção de Morel
Título original: La Invención de Morel
Autor: Adolfo Bioy Casares
Tradução: Sérgio Molina
Editora: Folha de S.Paulo
Páginas: 88
Ano: 2016

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A leitura de A Invenção de Morel, de Adolfo Bioy Casares, faz parte do projeto [TBR Book Jar Nomes da Literatura]. Para acompanhar os demais títulos do projeto recomendo que verifique esta publicação.

Livro: Anne de Green Gables – Lucy Maud Montgomery

No inicio do século XX, na Ilha do Príncipe Eduardo, no Canadá, o casal de irmãos solteiros, Matthew e Marilla Cuthbert, proprietários da fazenda Green Gables, estão planejando adotar um menino órfão de uns 11 anos para ajudar Matthew, que está sentindo a idade, com o trabalho no campo. Decisão tomada, Marilla instrui uma de suas conhecidas para trazer o tal menino. Entretanto a criatura que aparece na plataforma da estação é uma órfã: a pequena, ruiva, sardenta e imaginativa Anne Shirley, pronunciando claramente a letra “E” de Anne.

Anne de Green Gables, de Lucy Maud Montgomery, publicado originalmente em 1908, é o tipo raro de romance tão carismático que torna à tarefa de largá-lo difícil. No meu caso, eu diria impossível (*muito amor*). Os motivos para tal conquista é que a cada frase somos levados a um mundo maravilhoso, cheio de sentimentos poderosos, onde a beleza da natureza circunda e se mistura com a imaginação em constante florescimento dessa heroína tão única. Montgomery dá vida a uma garotinha encantadora, poética, humorada, inteligente, impulsiva e de caráter sem igual que encanta a todos. Seu lado imaginativo e dramático também trás desventuras, por vezes emocionantes, sendo outras desastrosamente cômicas.

O romance trás uma grande riqueza cultural e histórica, mostrando detalhes das figuras e dos costumes da pequena comunidade de Avonlea. Outros elementos que fazem o romance da autora canadense ser tão inesquecível são às belas descrições dos cenários e das estações do ano, principalmente pelo olhar aguçado de Anne. No entanto, um dos momentos mais belos da narrativa é a relação amorosa, porém firme de Marilla e Matthew para com Anne. Acho linda a troca de bons sentimentos entre eles, os dramas envolvidos e de como vão aprendendo a se amar e a se confiar. E eu adoro a Marilla e seu jeito sério com suas emoções escondidas (^_^).

Também aprecio a relação de Anne com a literatura. Não é o tema central da narrativa, mas a sutil presença dos romances está nos devaneios, nas brincadeiras ou nas confusões da protagonista. Por causa da leitura, de alguma forma, pôde ajudar Anne a suportar o cenário de sua vida como pequena trabalhadora ao cuidar de vários pares de gêmeos. Como igualmente auxiliá-la nos estudos após ser adotada pelos irmãos Cuthbert. Sim, ela é uma menina imaginativa, mas para tal imaginação teve influência de algo, e este algo acredito que seja devido ao seu amor pelos livros.

Lucy Maud Montgomery apresenta uma escrita leve e suave, ao ponto das palavras fluírem com grande facilidade e beleza; um verdadeiro deleite. Além disso, dá para notar algumas linhas de ironia. Por seu livro ser encantador em vários aspectos, surgiu em mim uma vontade de conhecer a Ilha do Príncipe Eduardo e sentir as descrições que a autora me proporcionou. Na ilha tem até um museu dedicado a Montgomery e sua principal obra, chamado Anne of Green Gables Museum.

♥ Edições das editoras Martins Fontes e Pedrazul (*My Precious!*) ♥

Eu tenho essas duas edições de Anne de Green Gables ♥. A primeira é a edição comemorativa do centenário da obra, publicada pela editora Martins Fontes em 2009, que inclui dois textos interessantíssimos como extra. Eu adoro tudo dessa edição! A segunda é da editora Pedrazul do qual fiz a releitura. Infelizmente não tem nenhum extra, mas a edição é muito bem cuidada. Recomendo qualquer uma das duas. Ou as duas, hahaha.

Acredito que não seja surpresa para alguns de vocês que acompanham o blog, o amor que sinto por Anne de Green Gables. Estava ansiosa para reencontrar Anne, mas esperei o tal momento certo. Nesta releitura, do qual fiz compartilhada com a Val, do blog Uma Pedra no Caminho, só reforçou ainda mais o meu amor por esta obra. Sinto-me extremamente feliz quando perambulo pelas páginas desse romance. Incrível como ele não perdeu a força para mim. Na verdade só aumentou (^_^). Não tenho dúvida que Anne é uma alma gêmea, que sempre me proporcionará momentos agradáveis de grande emoção que me farão sorrir e chorar.

Anne de Green Gables, de Lucy Maud Montgomery, traz uma impar e cativante protagonista que nos proporciona momentos inesquecíveis. É um magnífico romance de aprendizagem, que lida com precisão os temas de resiliência, da múltipla definição de família, da amizade e do companheirismo. Anne de Green Gables é o tipo de livro para carregar no coração com muito carinho por toda a vida ♥ ♥ ♥ ♥ ♥.

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Título: Anne de Green Gables
Título original: Anne of Green Gables
Autora: Lucy Maud Montgomery
Tradução: Tully Ehlers
Editora: Pedrazul
Páginas: 228
Ano: 2015

Livro: Dançarinas – Margaret Atwood

A leitura de Dançarinas foi realizada entre os meses de julho e agosto de 2016 e compartilhada com a querida Michelle (do blog Resumo da Ópera) para nosso projeto Lendo Margaret Atwood.

Originalmente compilado em 1977, Dançarinas, de Margaret Atwood, condensa 14 contos que exploram histórias e sentimentos de uma variedade de mulheres. Essas personagens estão ligadas ao distanciamento dos relacionamentos modernos e ao tédio que define a vida atual. Todos esses cenários trazendo uma tristeza profunda que as deixam incapazes de explicar este peso.

Os 14 contos presentes nesta edição são: O Marciano, Betty, Polaridades, Sob o Vidro, O Túmulo do Famoso Poeta, Joias para os Cabelos, Quando Acontecer, Um Artigo de Turismo, O Resplendente Quetzal, O Treinamento, As Vidas dos Poetas, Dançarinas, O Comedor de Pecados e Dar à Luz.

Eu tentei interpretar cada conto, acredito que sem muito sucesso, pois a maioria deles me pareceu confuso. Alguns eu achei realmente desinteressantes, e outros mostram a potência da escritora canadense. Resumindo, estou com séria dificuldade em falar sobre o livro.

Os contos que mais gostei foram: O Marciano, Betty, Um Artigo de Turismo e O Resplendente Quetzal. Neles vemos elementos marcantes de Atwood, que é a empatia por suas personagens, a decisão de uma escolha difícil, as dificuldades de comunicação entre as pessoas e das relações familiares e amorosas. Também nesses contos destacados, senti que alguns deles falam também sobre a falta de amor próprio, da incompreensão dos outros para com questões pessoais de um individuo e a sensação de vazio e de perdido que as pessoas sentem em vida.

Eu tinha muito interesse neste livro, até o sugeri como seguinte leitura para o projeto, mas essa coleção de história me deixou com uma sensação de bagunça. A leitura perde o ritmo rapidamente, depois acende, mas logo cai. Não sei se foi por não perceber alguma mensagem nas entrelinhas, ou, se a autora estava experimentando, ou, se encontrando como escritora nesses contos. Honestamente acabei não aproveitando a leitura quanto gostaria.

Como muitas coleções de contos, este continha algumas narrativas de maior interesse do que outros. Todos os contos em Dançarinas, de Margaret Atwood, são escritos com primor. Poucos trazem aquela prosa evocativa e gritante que te deixa de queixo caído. Já outros, não dão para desfrutar, infelizmente. Porém no geral eu gostei de conhecer esse lado da autora canadense.

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Título: Dançarinas
Título original: Dancing Girls
Autora: Margaret Atwood
Tradução: Lia Wyler
Editora: Rocco
Páginas: 216
Ano: 2003

Livro: O Curioso Caso de Benjamin Button – F. Scott Fitzgerald

O primogênito do casal Button nasce… Mas aparência do filho surpreende os pais e causa desespero aos funcionários do hospital. O médico que realizou o parto, por exemplo, acredita que sua carreia acabou. Benjamin Button nasce com a aparência de um idoso, não só a aparência, mas falando e do tamanho de um velho, e à medida que os anos passam sua fisionomia regride até se tornar um recém-nascido. Ou seja, sua vida caminha de forma inversa.

Mesmo que inicialmente o patriarca tenha sentido dificuldade em aceitar o singular fato, o senhor Button quis que seu único filho recebesse uma criação normal como qualquer criança de sua classe. Quanto à senhora Button, ela não tem voz durante na narrativa. Com o avançar dos anos, Benjamin segue uma vida em crescente agitação. Fitzgerald não insiste tanto nas frustrações do personagem título. Ao contrário, ele vai se adaptando a sua condição.

Acredito que o tema central do conto não seja a própria anomalia, mas a forma como o protagonista é acusado por sua particularidade. Como se ele tivesse feito isso de proposito; e Benjamin sempre é acusado (*algo bastante comum endereçada a qualquer um que envelhece. Com certeza já ouvimos frases do tipo: “A fulana tá tão velha, né?!”. Como se a culpa por envelhecer fosse da pessoa*). Além disso, o escritor norte-americano critica as convenções sociais da classe abastarda. Essa sociedade que vive de aparência, que não aceita o diferente. Aquele indivíduo que não atende as expectativas terá que fazer um esforço tremendo para se encaixar ao padrão definido como normal.

Outro ponto que para mim ficou em destaque é que independente da ordem cronológica de nosso físico, o meio em que vivemos continua a nos trazer dificuldades. E por fim acabamos tendo o mesmo final na mesma condição de incapazes. Como se a lei da natureza fosse imutável.

O Curioso Caso de Benjamin Button, de F. Scott Fitzgerald, publicado originalmente em 1922, trás um realismo fantástico muito bem construído e vamos descobrindo, junto as suas boas críticas sobre a sociedade, que o mais importante para o meio social conservador é a aparência.

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Título: O Curioso Caso de Benjamin Button
Título original: The Curious Case of Benjamin Button
Autor: F. Scott Fitzgerald
Tradução: Rodrigo Breunig
Editora: Folha de S.Paulo
Páginas: 56
Ano: 2016

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A leitura de O Curioso Caso de Benjamin Button, de F. Scott Fitzgerald, faz parte do projeto [TBR Book Jar Nomes da Literatura]. Para acompanhar os demais títulos do projeto recomendo que verifique esta publicação.