Livro: O Americano Tranquilo – Graham Greene

Publicado originalmente em 1955, O Americano Tranquilo, do britânico Graham Greene, se passa em Saigon (atualmente Cidade de Ho Chi Minh), no Vietnam, no ano de 1952, e desenvolve a história de um triângulo amoroso em um pano de fundo da Primeira Guerra da Indochina (1946 – 1954 / 1955).

Longe de uma relação familiar despedaçada, o narrador, Thomas Fowler, é correspondente da impressa britânica e cobre os acontecimentos da guerra. O cenário mostra o controle francês no país, forças da resistência comunista e uma terceira força apoiada pelos norte americanos das tropas do general Trinh Minh The. Porém o principal tema do romance é a história formada por Fowler, sua amante vietnamita chamada Phuong e o americano Alden Pyle que está no país sob “cobertura humanitária”, mas na verdade é um agente infiltrado da agência de inteligência civil do governo dos Estados Unidos da América.

Descobrimos o entrelaçar dessa relação em um longo flashback, com o ponto de vista do narrador, após sabermos, desde o inicio da narrativa, sobre seu remorso pela perda de seu amigo tranquilo. Então acompanhamos o conflito desses dois homens que sentem atração pela mesma jovem mulher.

Se o cenário fosse outro, que condissesse com os dramas apresentados, talvez eu tivesse achado legal a leitura. Afinal Graham Greene não escreve mal. No entanto, o romance foca nessa relação egoísta desses dois homens patéticos – um velho frustrado e o outro fingindo de bonzinho, mas é um completo babaca – com a apática Phuong. Falando nela, que diabos de personagem feminina mais sem vontade própria e mal trabalhada (O_o). Phuong parece um bibelô na mão desses homens; ela não passa de uma figura vazia que está lá para a satisfação e autoafirmação deles.

Tendo essa impressão da relação do trio, inicialmente pensei que Greene estava fazendo uma alegoria das forças europeias e americanas no controle da colônia no Vietnã. Porém, o que dizem ser um romance de embate histórico e visionário no resultado da guerra, com toda a sinceridade não há nada disso naquelas páginas.

Seu narrador quer ludibriar os leitores com pensamento neutros do tipo de como as ideologias corrompem as pessoas e destroem relações (*Oi? Engraçado que a suposta ideologia da neutralidade é uma ideologia, que sempre tende à direita ou ao mais forte. Ou seja, os picaretas omissos*); como também a indiferença para as questões políticas de uma guerra que não é da Inglaterra, por isso seu protagonista almeja a tal democracia para aquele povo. Essas conversinhas de “ideologia perturba a paz” ou “vamos levar a democracia aos pobres países do terceiro mundo” são jargões utilizados para mascarar o real objetivo das forças de domínio estrangeiro. Retorica esta sempre utilizada pelas potências europeias e dos Estados Unidos no controle das riquezas naturais, território e população do país invadido. O Vietnã passou por duas guerras ferrenhas: a primeira com domínio francês na manutenção de sua colônia e a segunda com domínio norte americano em firmar sua influência. Os vietnamitas conseguiram a duras perdas enxotá-los.

Querem enaltecer a obra pelo fato de Graham ter “antecipado” o resultado da Primeira Guerra da Indochina. Como ele não era nenhum desinformado – Greene teve carreira como repórter, inclusive baseou seu romance nas suas experiências como correspondente de guerra; além disso, foi recrutado para serviço secreto britânico –, com um pouquinho de percepção, na época em que escreveu e publicou O Americano Tranquilo, as tropas francesas não estavam conseguindo controlar sua colônia e as forças americanas aproveitaram a oportunidade. Então o resultado era esperado, só faltava acontecer. Afinal os fatos não acontecem de supetão, os indícios indicam o caminho. O real visionário mantém firme seus estudos, análises e ideologia. Greene aparenta ser mais um propagador das ladainhas do imperialismo.

Como disse no inicio de minhas impressões, talvez eu tivesse achado bacana O Americano Tranquilo se Graham Greene trouxesse os conflitos morais desses dois homens em outro cenário. As questões enfrentadas pelos vietnamitas foram sérias demais para esse amontoado de baboseira e de palavreados vazios.

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Título: O Americano Tranquilo
Título original: The Quiet American
Autor: Graham Greene
Tradução: Cássio de Arantes Leite
Editora: Folha de S.Paulo
Páginas: 216
Ano: 2016

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A leitura de O Americano Tranquilo, de Graham Greene, faz parte do projeto [TBR Book Jar Nomes da Literatura]. Para acompanhar os demais títulos do projeto recomendo que verifique esta publicação.

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