Com Amor, Van Gogh

Inspirada na vida do pintor holandês Vincent van Gogh (1853 – 1890), Com Amor, Van Gogh (título original: Loving Vincent) é uma animação de origem britânico-polonesa idealizada pela artista polonesa Dorota Kobiela e pelo animador britânico Hugh Welchman. A película foi lançada em vários países no ultimo trimestre de 2017, chegando aos cinemas brasileiros em meados de novembro do mesmo ano.

A narrativa se passa no ano de 1891, quando o carteiro Joseph Roulin remete a tarefa ao filho Armand de entregar a carta do falecido Vincent endereça ao irmão Theodorus van Gogh. Por sua convicção quanto à loucura do artista, Armand não tem interesse de entregar a carta, mas concorda em realizar a tarefa com intuito de agradar o pai. Tentando descobrir o paradeiro de Theodorus, ele descobre que o irmão do artista havia falecido alguns meses depois de Vincent. Entretanto com informações acerca da morte do pintor, a missão de Armand ganha um novo significado e a partir disso ele vai até o vilarejo Auvers-sur-Oise, na França, para investigar os últimos dias de Vincent van Gogh.

O clima da trama lembra o gênero policial, onde o protagonista questiona cada testemunha, que lhe dirá sua versão dos fatos sobre as seis semanas antes do suicídio do pintor. Porém para os telespectadores o quebra-cabeça montado será na descoberta dos detalhes da trágica vida de Vincent: começando pela infância e juventude, passando por seus tormentos, sua solidão, seu comportamento excêntrico e pouco compreendido e a falta de reconhecimento contínua. O filme mostra também a dificuldade financeira enfrentada por Theo para sustentar o irmão mais velho, a tristeza dilacerante do irmão diante do fim de Vincent, como a relação de amizade com os membros da família Gachet, entre outros acontecimentos e figuras. O mais incrível de acompanhar essa narrativa tão brilhantemente bem construída é saber que cada pedacinho dessa trama é inspirado nas obras do artista holandês.

Mesmo tendo o nome de Vincent van Gogh no título, ele não é o personagem principal, mas sim Armand Roulin. Nosso protagonista começa sem nenhuma afinidade para com o pintor, mas investigando sobre a vida do amigo de seu pai, ele acaba se identificando de corpo e alma com Vincent. A evolução de Armand é um dos pontos mais belos da narração.

Loving Vincent não é uma animação comum. O seu diferencial se caracteriza no formato original: é o primeiro longa-metragem inteiramente pintado à mão. A animação foi realizada a partir de pinturas especificas e inspiradas do próprio Vincent van Gogh. Foram mais de 100 artistas trabalhando, no total de 65.000 pinturas a óleo, que depois foram fotografadas. Além disso, interessante destacar a imagem do pôster, que foi inspirada no ultimo, se não um dos últimos, autorretrato de Vincent finalizado em 1889.

Representar as pinturas de Van Gogh em película não é uma ideia nova: no quinto conto Corvos do filme Sonhos (Yume, 1990), o diretor Akira Kurosawa levou seu personagem através das paisagens do artista holandês e da figura do próprio. Porém neste recente filme, se nota o belo tributo ao trabalho impar de Vincent, mas principalmente a sua trágica vida. Todas as personagens e várias cenas são completamente inspiradas em suas pinturas, como por exemplo, o retrato do carteiro Roulin, do Dr. Gachet, Marguerite Gachet no Piano, A Noite Estrelada e o Campo de Trigo com Corvos.

A animação de Com Amor, Van Gogh é realmente uma obra de arte. O movimento das personagens como dos cenários tem uma peculiaridade difícil de descrever. A movimentação é fixa, mas fluida ao mesmo tempo. A precisão dos detalhes, como os movimentos das nuvens e da água, por exemplo, são realmente impressionantes. Igualmente curioso de perceber que na história do presente o tom e as cores são a lá Van Gogh, acredito que representando o olhar de descoberta diante da vida e da obra do solitário artista; enquanto que nos flashbacks os tons de preto e branco prevalecem e o estilo da pintura se torna mais realista, creio que para reforçar o peso da escuridão vivida por Vincent, mas através dos olhares de terceiros.

Além de um visual deslumbrante, Com Amor, Van Gogh trás uma narrativa tocante e cheia de sentimentos sobre a trágica vida de Vincent Van Gogh. Particularmente me emocionei bastante (*-*). Espero que por aqui lancem uma edição digna do poder visual e narrativo dessa impar animação. Enfim, recomendo de todo coração esta obra-prima.

Loving Vincent ♥ ♥ ♥ ♥ ♥

10 respostas em “Com Amor, Van Gogh

  1. Ótima resenha! 🙂 Também gostei de “Com Amor, Van Gogh”. A animação é o destaque do filme. Lulu, acho que só vai lançar em DVD 😦

  2. Muito boa indicação! Já tinha ouvido falar da animação, mas não tinha ideia do quão trabalhoso foi realizá-la. E o resultado então, uma verdadeira obra de arte, como vc falou! Obrigada pela dica!

    • Extremamente trabalhosa a produção, né. O resultado ficou impecável (*-*). Como te disse, se quiser uma cena do filme para emoldurar, é só pausar o vídeo, printar, escolher o tamanho e imprimir. Não importa em qual momento pausar, a imagem fica perfeita. De nada! Fico feliz que tenha gostado (^_^). Beijos, Raquel!

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