Mangá: Orange – Ichigo Takano

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Minhas impressões do mangá Orange, de Ichigo Takano, contêm sutis spoiler.

Neste ano conclui a leitura de Orange, de Ichigo Takano, publicado originalmente em 2012 na revista Bessatsu Margaret da Shueisha, e que depois passou a ser publicado pela Monthly Action da Futabasha em 2013. Sua versão encadernada, os chamados tankōbon, totaliza cinco tomos.

Afirmo que a obra de Ichigo Takano foi amor à primeira vista (*-*). Ou como se diz em francês: un coup de coeur ♥ (*e dos grandes!!!*).

Orange começa como qualquer shoujo escolar, sendo por um detalhe: seu pé na ficção cientifica. Em Matsumoto, uma cidade perdida no meio da natureza na província de Nagano, a colegial Naho Takamiya, de 16 anos, em seu primeiro dia de aula no segundo ano do ensino médio, recebe uma carta misteriosa de si mesma 10 anos no futuro, que a aconselha a não realizar certas ações. Com dificuldade de acreditar em tal acontecimento, nossa heroína percebe que tudo o que é dito na carta é verdadeiro, como a chegada do novo aluno de Tóquio, Kakeru Naruse, e os banais eventos rotineiros. Ela logo percebe a importância de sua missão e das pequenas escolhas que terão significativa importância na sua vida e na de seus amigos. Através destas cartas do seu eu do futuro, a Naho de 26 anos, quer que sua eu do passado não tenha arrependimentos e salve Kakeru.

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Ichigo desenvolve uma narrativa comovente, em que é marcada por momentos de felicidades e lembranças que se misturam perfeitamente com temas fortes. O desenvolvimento de Orange é muito bem sucedido e a autora oferece um impacto real de cada decisão tomada pelas personagens. Ela também mantém nosso interesse até nas sequências mais banais. A forma clara e tocante da estrutura dessa história mexe com os sentimentos do leitor. Eu pelo menos me emocionei em várias passagens.

Orange mexeu tanto comigo que meus olhos tinham a tendência de ficar marejados. O ponto em que as lágrimas realmente desceram (*sim, sou chorona*) foi na gincana escolar, presente no quarto volume. A atmosfera doce criada em meio ao esporte, que já carrega uma mensagem de parceria, ficou tocante. Naho, Suwa, Chino, Murasaka e Hagita, tentam repassar para Kakeru, que esconde um pesado drama, que ele não precisa carregar todo esse peso sozinho. Achei esta passagem tão intensa e a mais bela de toda a narrativa (*-*). Vocês podem até imaginar uma cena piegas, mas a mangaká constrói esse comum acontecimento e repassa de uma forma singela a verdadeira definição de amizade. É praticamente impossível não se emocionar com tamanha união.

Outra cena que me deixou com o coração apertado foi no primeiro volume, quando Naho, Suwa, Chino, Murasaka e Hagita do futuro abrem a cápsula do tempo que eles haviam feito 10 anos atrás. Cada um lê sua carta e se divertem com o que escreveram; quando chega a vez da carta do falecido Kakeru, ela não continha nenhuma mensagem para si, somente para seus amigos. Esse sinistro fato trás a dúvida sobre a morte de Kakeru não ser um acidente.

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Sobre o drama de Kakeru Naruse, é uma condição bastante impactante. Ele guarda sérios arrependimentos que causam uma dor tão lancinante e profunda ao ponto de pensar em suicídio constantemente. Ele acredita que o suicídio de sua mãe foi culpa dele. Kakeru repreende seus sentimentos, pois acredita que se falar a respeito irá perder os amigos que tanto preza. Por isso acho que o arrependimento não é o único tema de Orange. Acredito que fala também do poder da amizade, desse suporte que dá coragem para enfrentar qualquer obstáculo, até aqueles que podem levar a caminhos sem volta. O mangá pretende mostrar que a vida, com o apoio de quem nos ama é possível e que a dor pode ser algo controlado quando se existe amor. É tocante ver os esforços de Naho e dos outros em chegar até o coração de Kakeru. Essas ações benevolentes levam a cenas memoráveis.

Quando nos aproximamos da conclusão desse clássico moderno, um suspense é criado. Takano abre rumos que não sabemos como as coisas vão tomar. Jogando a dúvida se todo esse esforço e sacrifico será suficiente. A autora compartilha uma tensão nas pequenas melancolias e alegrias da vida cotidiana, na direção gradual ao desconhecido.

Sobre a construção das personagens, a mangaká conseguiu surpreendentemente desenvolvê-los em apenas cinco volumes. Em séries tão curtas, normalmente a protagonista se sobressai, enquanto os coadjuvantes são quase esboços. No entanto, Ichigo traçou um elenco consistente, permitindo ao leitor de gostar sinceramente de cada um (*particularmente adorei a Takako Chino ♥ e o Saku Hagita ♥*).

Em relação à viagem do tempo, a autora nos dá a seguinte explicação: sua teoria é que, mesmo se mudarmos os eventos conhecidos do passado, não vamos mudar o futuro que conhecemos. Mas, criar uma nova linha do tempo, como um mundo paralelo. Em resumo, a Naho do futuro que enviou a carta nunca saberá se o Kakeru do passado foi salvo.

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No que diz respeito à arte de Ichigo Takano, ela tem um estilo bonito, marcado por rostos redondos e olhos e bocas bem destacados. Os quadros são trabalhados de uma forma peculiar que faz com que o leitor facilmente mergulhe na leitura diante das passagens cheias de doçura, sendo outras de tristezas.

Alguns de vocês devem estar se pergunta a razão das duas classificações: shoujo e seinen. Então, originalmente o título foi iniciado na revista shoujo Bessatsu Margaret, sendo que a autora e a editora tiveram alguns desentendimentos. Orange passou um tempo parado, acho que foi um ano, quando finalmente reapareceu na revista seinen Monthly Action. Com essa alteração, os dois volumes que haviam sido publicados pela Shueisha foram cancelados, e a obra começou a ser lançada pela Futabasha acrescentando um bônus.

Depois da conclusão da história principal de cada volume, a mangaká nos brinda com uma de suas histórias chamada Un printemps dans les étoiles (no original: Haruiro Astronaut), que foi serializada em 2011 na revista shoujo Bessatsu Margaret. Essa pequena história de apenas cinco capítulos, narra os tormentos adolescentes de gêmeas idênticas e rapazes bonitos. É uma narrativa leve e descontraída. Achei legal incluírem como bônus, pois dá uma acalmada depois dos acontecimentos de Orange.

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My precious! ♥

Acompanhei Orange em francês, e lá foi lançada uma edição limitada do ultimo tomo: junto com o quinto volume a editora acrescentou um box bem resistente para pôr os demais tomos. Um mimo interessante que custou uns dois euros a mais que a edição normal. Adquiri, e como o destino gosta de me trollar quando o assunto é encomenda internacional, o pacote ficou perdido durante algumas semanas e depois encontraram (*ainda bem, pois o item havia esgotado*). Pense na chatice de esperar dois meses para ler (Ç_Ç). Eu já pretendia comprar a edição nacional de tão curiosa (>_<). Lembro que vi uma moça lendo o ultimo volume no ônibus e eu lá discretamente olhando, hahahaha. Quando finalmente chegou, ainda tive que me preparar psicologicamente, pois depois do ultimo volume não teria mais Orange na minha vida (*exagerada*).

Após cinco tomos brilhantemente conduzidos, esta joia em forma de mangá nos oferece uma narrativa forte e detentora de valores. Acredito que Orange transporta e quebra um pouco dessa repressão dos sentimentos ainda comum entre os japoneses, pois além da mensagem da narrativa, no final a autora escreve uma carta para os leitores. Destaco o seguinte trecho: “Si un jour vous rencontrez quelqu’un comme Kakeru, je vous supplie de le sauver. Dites-lui qu’aucune vie n’est destinée à être abandonnée dans ce monde.” (tradução livre: “Se um dia você conhecer alguém como Kakeru, peço-lhe para salvá-lo. Diga a ele que nenhuma vida se destina a ser abandonada neste mundo”). Orange, de Ichigo Takano, é uma obra honesta e original, que nos faz viver momentos puros e sinceros. Sobre o final… Que final! Que final! (*o*).

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Título: Orange
Título original: Orange, オレンジ
Autora: Ichigo Takano
Editora: Akata
Número de volumes: 5 volumes
Ano: 2014 ~ 2016

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3 respostas em “Mangá: Orange – Ichigo Takano

  1. Gostei bastante de Orange, mas esperava um pouco mais do mangá. Provavelmente isso aconteceu porque ouvi muitos elogios antes de ler e minhas expectativas estavam altas demais, sei lá.

    O Hagita é o melhor personagem. Ri muito de algumas ações dele. 😀

    Você está assistindo o anime? Eu ainda estou na metade, mas tem algumas coisas que não me incomodaram no mangá mas que me incomodam no anime (tipo a Naho, hahaha).

    • Lígia, provavelmente foi a tal expectativa. Eu, por exemplo, fui sem saber de nada. Talvez por isso, Orange tenha me surpreendido tanto.

      Hagita ❤ Nossa, também ri muito das ações dele o/ Aquela do final (da bicicleta) foi hilária, hahahahahahahahahahahahahahahahahaha.

      Sim, estou acompanhando o anime. Mesmo com algumas sutis mudanças, eu estou gostando. Engraçado, temos o mesmo incomodo: no mangá eu adorava a Naho, mas no anime estou achando ela chata pra carai. Bizarro, né?!

  2. Pingback: Os melhores de 2016 | Lulunettes

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