Mangá: Limit – Keiko Suenobu

Limit - Keiko Suenobu (1, 2 e 3)Limit, de Keiko Suenobu, foi originalmente pré-publicado entre 2009 e 2011 na revista Bessatsu Friend da editora Kodansha, e totaliza seis tomos na versão encadernada. No Brasil, é o segundo título da mangaká que vemos por aqui (*o primeiro foi Vitamin*). Seria interessante que alguma editora, ou mesmo a JBC, trouxesse seu título mais famoso: Life (que trás a temática bullying), e / ou, Hope (que conta a história de uma garota que quer se tornar mangaká). Ambos seriam ótimos lançamentos, principalmente Hope por ser curto (seis volumes) e por ter um tema atrativo.

Mizuki Konno tenta manter seu “mundo perfeito” se envolvendo o mínimo possível com problemas que surgem a sua volta, omitindo inclusive a prática de ijime (bullying) que suas amigas praticam. A vantagem logo acaba depois do terrível acidente com o ônibus do colégio, onde um pequeno grupo de sobreviventes terá que esperar por socorro. No entanto, a formação de classes no ambiente escolar, a tal panelinha, impõe inimizade, ódio e intrigas. Neste caso extremo, em que a vida está em jogo, à autopreservação grita mais alto.

Limit - Keiko Suenobu (4, 5 e 6)

Keiko Suenobu é conhecida por seus impactantes shoujos com temática de ijime. Limit não foge a regra da prejudicial hierarquia do ensino e da violência física ou psicológica provocada entre alunos e professores. A única diferença desta obra com Vitamin e Life é a ambientação. Aqui os alunos estão na selva, dependendo somente da sua capacidade e ajuda mutua.

As ações das personagens podem parecer melodramáticas e exageradas, algumas certamente são, mas acredito que a autora conseguiu enfatizar a falta de autocontrole das pessoas, principalmente em um ambiente que necessita de máxima cooperação. Tive esta percepção, pois já participei da experiência de sobrevivência na selva. Mesmo em um ambiente simulando desastre, e teoricamente seguro, havia pessoas tão desesperadas que chegaram ao ponto de chorar e se desentenderem. E olha que todos eram adultos (*sei que isso não diz grande coisa*), então fico imaginando situação similar com adolescentes. Por causa da minha própria experiência, acredito que Suenobu trabalhou muito bem na variedade de personalidades e ações, oferecendo uma humanidade realista a cada personagem.

Limit

Interessante destacar o drama familiar de uma determinada personagem. Não vou revelar o nome para não dar spoiler. Enfim, ela sofre violência doméstica. Achei curioso como a autora desenvolve que tal opressão dilacera em todos os aspectos o individuo. Além de denunciar o bullying, acredito que ela apresenta e delata esta outra violência bastante prejudicial não só a nível pessoal, mas social, pois no Japão é comum a violência doméstica em crianças e adolescentes e nas mulheres. Sendo que estes episódios vêm aumentando consideravelmente a cada ano (notícias, clique aqui e aqui).

Limit, de Keiko Suenobu, faz um bom uso da premissa de adolescentes sobreviventes para projetar as violências presentes da sociedade japonesa. Ao mesmo tempo, ela consegue escrever um thriller suficiente interessante para que o leitor não consiga largar o mangá antes de concluir.

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Título: Limit
Título original: Rimitto, リミット
Autora: Keiko Suenobu
Editora: JBC
Número de volumes: 6 volumes
Ano: 2015

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  • Adaptação:

Limit (Dorama)

Uma versão em live action foi lançada na TV japonesa entre os meses de julho e setembro de 2013, com total de 12 episódios. O dorama não é lá muito atrativo por causa dos produtores que no geral não souberam dirigir e adaptar a obra original. As atrizes Tao Tsuchiya (Chieko Kamiya) e Rio Yamashita (Arisa Morishige) até tentam sustentar a história diante de tantas atuações desastrosas. No caso do ator Masataka Kubota (Wataru Igarashi), nem o acho ruim, mas a personagem dele é enfadonha. Além disso, foi inventada uma trama que não existe no mangá e acabou prejudicando bastante o drama, tornando a narrativa cansativa de assistir. Acredito que o intuito de tal acréscimo foi para prolongar a novela. Ou como diz a expressão popular: “enchimento de linguiça”. Enfim, no geral a adaptação é bem fraca. Só recomendo o dorama de Limit se você leu a obra de Keiko Suenobu e tem curiosidade.

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2 respostas em “Mangá: Limit – Keiko Suenobu

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