As Memórias de Marnie (Omoide no Marnie)

As Memórias de MarnieEm 2013, meu amado Hayao Miyazaki e Isao Takahata entregaram ao público mais uma obra-prima de suas incríveis filmografia: Vidas ao Vento (impressões aqui e aqui) e O Conto da Princesa Kaguya. Ambas lançadas nos cinemas brasileiros e em mídia física deste ano. Animações estas sensíveis e inspiradoras ❤

Sabemos que Omoide no Marnie, dirigido por Hiromasa Yonebayashi (o mesmo diretor de Karigurashi no Arrietty / O Mundo dos Pequeninos), lançado no Japão em 2014, é o ultimo filme do Studio Ghibli após o anunciamento do hiatus feito pelo produtor Toshio Suzuki no ano passado. Então alguma pressão pesa sobre os ombros desta animação.

Solitária e retraída, Anna Sasaki perdeu seus pais quando criança, e hoje vive com seus pais adotivos em Sapporo. Ela tem asma e por causa das crises frequentes e de um recente isolamento, sua mãe a envia para passar o verão na casa de seus parentes Kiyomasa e Setsu Oiwa que moram num pequeno vilarejo ao norte de Hokkaido. No local, a pequena desenhista se sente atraída pela velha grande mansão no coração do pântano e assim conhece a misteriosa Marnie.

Omoide no Marnie_01

As Memórias de Marnie começa sem pretensões, mas com o avançar da narrativa a história ganha uma forma misteriosamente bonita e que me fez lembrar imediatamente do estilo de Isao Takahata em Omohide Poro Poro (1991) onde o mesclar singelo da realidade com o fantástico fazem uma união terna.

Sobre a animação, está um primor. A movimentação é cheia de ardor. As cores dançam conforme os sentimentos expressados pelas personagens. Em relação à dublagem, gostei da voz de Anna, dublada por Sara Takatsuki, e da Kasumi Arimura que empresta sua voz a Marnie. No entanto gostaria de destacar a dublagem de Anna, que transmite bem o autoconhecimento, autoenfrentamento e crescimento da heroína.

A quem achou exagerada a relação de Anna e Marnie. Bem, eu particularmente não achei. O que elas sentem uma pela outra é intenso e no desfecho o telespectador vai entender a razão de tal veemência de afeto. O ato de amar nem sempre tem conotação de uma relação amorosa. Podemos amar com toda nossa força: amigos, parentes, filhos, bichinho de estimação.

Omoide no Marnie_02

As músicas tema dos filmes com direção de Yonebayashi estavam criando uma marca de trazer cantoras estrangeiras. Tudo começou com a compositora, cantora e harpista francesa Cécile Corbel na primeira produção do diretor: Karigurashi no Arrietty (2010). Na época a equipe de produção não estava conseguindo um tema que combinasse com o filme de estreia do Hiromasa Yonebayashi. Por coincidência do destino, Cécile havia enviado ao estúdio seu recente lançamento independente. Toshio Suzuki apreciou tanto o trabalho da artista que ela produziu toda a trilha sonora de Arrietty. Em As Memórias de Marnie, a trilha sonora, do qual achei boa, ficou a cargo do compositor Takatsugu Muramatsu. A música tema Fine on the Outside é cantada pela norte-americana Priscilla Ahn. No primeiro momento não curti a música, mas quando li a letra comecei a simpatizar com a melodia. Combinou demais com a história!

› Clique AQUI para a tradução em português de Fine on the Outside – Priscilla Ahn.

A animação é baseada no livro When Marnie Was There da escritora e ilustradora britânica Joan G. Robinson, publicado originalmente em 1967. Espero que o romance seja traduzido por aqui *torcendo*, pois fiquei com muita vontade de ler.

Infelizmente não consegui assistir As Memórias de Marnie no cinema, pois sua estreia ficou restrita a pouquíssimas cidades (Ç_Ç). O contemplei no conforto do meu lar e pude me emocionar com a singularidade de Omoide no Marnie, do diretor Hiromasa Yonebayashi.

Trailer:

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2 respostas em “As Memórias de Marnie (Omoide no Marnie)

  1. Lulu, tive uma reação menos positiva em relação a As Memórias de Marnie. Gostei muito do início – histórias sobre pessoas com dificuldade sociais e seus mecanismos de defesa sempre me interessam – mas o que veio em seguida foi menos interessante do que minha expectativa. A animação em pontos me pareceu um pouco clichê, também; como revelar um personagem com a lua de fundo.

    Mas ainda curti e veria de novo, hahaha! Fico curioso para ver o que crianças achariam do filme – talvez elas se identifiquem mais com a relação das meninas. Que, aliás, também não achei exagerada. Para uma criança sem amigos nenhum, sua primeira amiga será especial.

    Também gostei muito da dublagem! Abraços!

    • Juca, acho que no seu caso foi uma reação mista =D Eu também adoro esse tipo de história “sobre pessoas com dificuldade sociais e seus mecanismos de defesa”. O começa fisga e acho que a narrativa cresce exatamente por esse mecanismo que Anna encontrou e a ajudou a superar o peso que ela sentia. Sobre o clichê, não vejo problema, contanto que seja bem utilizado.

      Seria interessante saber. Também acho que as crianças se identificariam com a relação de Anna e Marnie, que é um elemento que chega mais próximo à realidade delas.

      Abraços, Juca!

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