Livro: Drácula – Bram Stoker

Drácula - Bram StokerAntes de iniciar o Especial Horror ~ Clássicos ~ eu havia começado a ler Drácula, mas não o concluído e não me recordo a razão, já que foi bem antes da criação do blog. Mesmo assim, elogiava o romance aos quatro ventos (>_<). Agora, depois de lê-lo com entusiasmo, posso gritar a plenos pulmões que Drácula, de Bram Stoker, é uma obra ma-ra-vi-lho-sa ❤

Drácula, do autor irlandês Bram Stoker, publicado originalmente em 1897, é um romance gótico epistolar onde há vários narradores que reuni uma série de cartas, diários, telegramas, notícias de jornal e registros de bordo, construindo assim a narrativa em torno da figura poderosa do conde Drácula da Transilvânia.

Jonathan Harker, um jovem notário londrino, é enviado a trabalho a uma região da Europa Oriental para firmar contrato com o novo cliente, o conde Drácula, que quer comprar uma moradia em Londres. Desde sua difícil e estranha viagem, o advogado está em torno de enigmas de caráter sobrenatural. Depois de uma série de eventos sórdidos, começa a batalha entre o Nosferatu (palavra de origem românica, sinônimo de vampiro) e um pequeno grupo liderado pelo excêntrico professor de Amsterdã, Abraham Van Helsing.

Mesclando com lendas de Vampiros, Bram Stoker baseou a figura de Drácula no herói popular da Romênia e da Moldávia chamado Vlad III (1431–1476/77). Durante seu reinado, Vlad III matava seus rivais de guerra por empalamento, por isso seu apelido Vlad Tepes (Vlad, o Empalador). Primogênito do príncipe Vlad II, que recebeu o cognome Dracul, depois de torna-se membro da Ordem do Dragão em 1431; Vlad III começou a ser chamado de Draculea. Em romeno dracul significa “dragão” e draculea seria o “filho de Dracul”. Entretanto a palavra “dracul” possuía outro significado – “demônio” – e foi utilizado por inimigos ao referisse ao Príncipe da Valáquia.

Embora o autor irlandês não tenha inventado o Vampiro, este ser mitológico que sobrevive da essência de criaturas vivas e que está presente em várias culturas, ele definiu sua forma moderna. Sua representação é fascinante e cheia de riquíssimos detalhes dos limites, dos poderes e de como combater a criatura sugadora de sangue. Além disso, o Vampiro de Bram Stoker esbanja uma elegância e beleza que causam uma extrema estranheza.

Apesar de Drácula não revelar seus pensamentos através, por exemplo, de um diário, como acontece com as demais personagens, sua figura está em cada peça desta incrível, e maravilhosamente montada, estrutura narrativa. Sente-se a presença do conde de brilhantes olhos vermelhos em cada ação e também percebesse que o Não Morto é uma criatura perigosa que deve ser temida.

[SPOILER] Sobre a motivação de Drácula, eles são revelados por terceiros, principalmente pelos relatos de Van Helsing e Mina. O conde tem um grandioso objetivo de sobrepor sua espécie a seu comando e durante anos preparou-se para pô-lo em prática. Acredito que Bram Stoker escolheu a Inglaterra como inicio dos planos da criatura vampiresca por ser o país onde residia. Por coincidência, no final do século XIX o Império Britânico estava perdendo seu posto de liderança econômica para a Alemanha e Estados Unidos, mas ainda era a principal potência mundial. Na minha interpretação, Drácula, estrategista e conquistador, começaria sua dominação pelo país mais rico da época. [/SPOILER]

Vlad III (1431 - 1476)

Vlad III, Príncipe da Valáquia (1431–1476/77)

O amor neste clássico não é entre o ser sobrenatural e uma mortal, mas na relação de igual (para o contesto da época!) do casal Harker e da forte amizade de Lucy Westenra, dos doutores Van Helsing e John Seward, do afortunado Arthur Holmwood e do destemido texano Quincey Morris. A união por um objetivo em comum e a confiança que essas personagens depositam uns nos outros é o sentimento que move esta história.

Falando em Mina Murray, tornando-se pelo casamento Mina Harker, que personagem feminina forte e inteligente! Sua presença no romance pode aparentar uma donzela em perigo, mas acredito que não seria o caso, pois ela destaca-se frequentemente por suas ações firmes e raciocínio lógico. E mesmo que o tratamento dado a sua pessoa soe machista aos olhos de hoje, estávamos falando da Europa do final do século XIX. Ou seja, onde o elogio máximo que uma mulher poderia receber é ‘pensar como um homem’.

Achei curiosa a ambiguidade de cenário no romance. Enquanto o conde é rodeado por antiguidades, poderes fantásticos e para combatê-lo é necessário, no geral, de apetrechos simples. Em paralelo mostra-se a tecnologia moderna da época, como a máquina datilográfica, o fonógrafo (primeiro aparelho capaz de gravar e reproduzir sons), a câmera Kodak, os rifles Winchester e a transfusão de sangue (*de forma equivocada, obviamente, pois os tipos sanguíneos só foram descobertos no início do século XX*).

Interessante destacar que o terror presente em Drácula reside na descrição da atmosfera perturbadora, no clima subitamente fúnebre ou hostil e da onipresença da criatura, que ronda esperando um descuido da presa, causando uma tensão latente durante todo o romance. Acho essa construção do medo incrível, pois mexe com a imaginação.

A forma como Bram Stoker conduz a trama, com sua escrita fluída e agradável, é extraordinária ❤ Em vários momentos foi difícil largar o livro, pois o enredo nesta atmosfera sombria tem um ritmo crescente e empolgante. Meu sentimento durante a leitura foi de euforia!! (\^0^/) Principalmente nos meus trechos favoritos: chegada e permanência de Jonathan Harker no castelo de Drácula, na Transilvânia; e o relato do capitão do navio, referente a chegada do conde a Inglaterra.

Drácula, de Abraham “Bram” Stoker, proporciona momentos solenes nesta atmosfera misteriosa que paira sobre o mito dos temores e terrores. É um romance engenhoso pela atenção e profundidade do autor aos detalhes. Recomendo fortemente a leitura deste clássico, pois uma vez o Vampiro convidado, ele terá acesso a sua mente sempre que o desejar.

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Título: Drácula
Título original: Dracula
Autor: Bram Stoker
Tradução: Adriana Lisboa
Editora: Nova Fronteira
Páginas: 448
Ano: 2014

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  • Adaptação Cinematográfica (contém spoiler):

Bram Stoker's Dracula (1992)

Drácula gerou inúmeras interpretações na literatura, no teatro, no cinema, na televisão e nos jogos. A primeira versão do cinema é Nosferatu, clássico do expressionismo alemão de 1922, do qual o roteiro sofreu pequenas alterações por os produtores não terem autorização dos herdeiros de Bram Stoker para adaptar a obra. Em 1931, a versão com o ator húngaro Bela Lugosi é lançada nos Estados Unidos com o título de Drácula e também apresenta diferenças da obra original. Recomendo esta adaptação só pela atuação fantástica de Dwight Frye (*o cara fez um Renfield impressionante!*).

A adaptação de 1992, Drácula de Bram Stoker (Bram Stoker’s Dracula), do diretor Francis Ford Coppola, com Gary Oldman como Drácula, Keanu Reeves no papel de Jonathan Harker e Winona Ryder como Mina, diz ser a versão mais fiel à obra original, mas o filme já começa com uma cena que não existe no livro (>_<). Sou apaixonada por esta película e assisto suspirando de amor, mas isso não impede de perceber as escorregadas.

Como comentei, a versão de 92 começa com uma cena que inexiste no romance. A guerra é citada, mas no original não revela nenhum detalhe de como Drácula tornou-se uma criatura das trevas. No entanto, achei interessante a introdução, pois Vlad III era cristão e o resumo da guerra contextualiza na figura que Bram Stoker se baseou. Outra invenção hollywoodiana é relação amorosa entre Drácula e Mina (*acho que com inspiração em Nosferatu de 1922 e seu sucessor Nosferatu – O Vampiro da Noite de 1979*). Na película fica claro que o objetivo do conde é Mina. Se vampiros de fato existissem, acredito que eles seriam como da obra original: criaturas que não dariam a mínima importância às questões dos vivos. Só que no filme fica tão bonitinho o casal fazendo juras dark de amor (*-*).

Agora os tombos… Que seja para tornar à narrativa mais agradável aos expetadores, não vejo problema às adaptações modificarem ou complementarem o enredo. Entretanto quando mexe na personalidade das personagens, aí já é querer inventar demais. Lucy no filme é sensualizada e flerta a todo instante. Ela tem uma atitude completamente oposta da doce Lucy do romance. A única mensagem que eu vejo com esta mudança grosseira: é avisar as moças que mulher promiscua é suscetível aos encantos do demônio e merece ter sua cabeça cortada com violência. Também achei desnecessária a cena em que Mina seduz Van Helsing. Essa parte do livro, quando eles estão frente a frente com as três vampirescas, é sensacional e fizeram isso.

Mesmo não passando a dimensão do original, Drácula de Bram Stoker, do diretor Francis Ford Coppola, é um filme de beleza exótica, de atmosfera sombria e de enredo atraente. Gosto muito desse filme! E no geral, acho uma boa adaptação.

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3 respostas em “Livro: Drácula – Bram Stoker

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