O Conto da Princesa Kaguya, o retorno de Isao Takahata

O Conto da Princesa Kaguya - Isao TakahataDesde 1999, com Hohokekyo Tonari no Yamada-kun, Isao Takahata estava longe das direções dos filmes do Studio Ghibli. Takahata-san voltou em 2013 com esta obra de arte da animação chamada Kaguya Hime no Monogatari (かぐや姫の物語).

Assim como no ano de 1988, quando Miyazaki e Takahata lançaram duas animações no mesmo ano: Meu Vizinho Totoro e Túmulo dos Vagalumes. Os diretores então decidiram repetir a dose em 2013 com o incrível Vidas ao Vento (impressões AQUI e AQUI) e o espetacular O Conto da Princesa Kaguya.

A narrativa de O Conto da Princesa Kaguya é uma adaptação de um conto popular japonês do século X chamado Taketori Monogatari (O Conto do Cortador de Bambu) ou Kaguya Hime no Monogatari (O Conto da Princesa Kaguya), que conta a história da adorável princesa que foi encontrada dentro do caule de um bambu brilhante por um idoso camponês.

Por ser considerada a narrativa mais antiga do país do sol nascente, consequentemente bastante inspirada ou homenageada (Nonoko, de Meus Vizinhos: Os Yamadas, por exemplo), Isao Takahata quis abordar essa narrativa tão conhecida de uma forma única. Nota-se que O Conto da Princesa Kaguya tem seu próprio modo de funcionamento e percebe-se também nessas 2h15 de duração o crescimento da narrativa, bem como o ar obscuro e profundo em determinadas partes.

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Pontuar a boa sorte da princesa que cresce anormalmente rápido com o casal idoso de camponeses, ou, sua atordoada elevação social, é acompanhar a história de Kaguya Hime na principal mensagem da trama: liberdade. O Conto da Princesa Kaguya fala fortemente da liberdade de sermos nós mesmos.

Só consegui assistir duas sessões d’O Conto da Princesa Kaguya no cinema. A primeira na estreia, no dia do meu aniversário (^-^) e a segunda vez na semana seguinte. Mesmo assistindo duas vezes ainda não consigo descrever a perfeição dessa animação. Através de um design completamente ímpar, com cores suaves e movimentos delicadamente leves e intensos, senti uma sensação de deslumbramento como se eu estivesse manuseando um emakimono (sistema horizontal de narrativa com ilustrações). Fiquei hipnotizada com o nível de detalhe onde meu olhar pousava. E o mais fascinante da animação é a modificação de intensidade do traço que varia de acordo com os sentimentos da personagem.

Como Isao Takahata desenvolve histórias e não desenha, neste caso devemos prestar homenagem aos gênios da animação, Kazuo Oga e Osamu Tanabe, e a equipe de animação, que recriaram com delicadeza e firmeza as pinceladas desta narrativa folclórica tão peculiar.

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Dialogando com o filme, recordei dos layouts de Kaguya Hime no Monogatari que vi na exposição Dessins du Studio Ghibli, em Paris. Dizia mentalmente “Ah, esse eu vi!” e “Esse também!” com um sorriso crescendo e lembrando-me de como aquele dia, com a pessoa mais importante da minha vida, foi muito especial ❤

Também gostaria de destacar as cenas de Kaguya com sua mãe camponesa. Sendo filha ou mãe, a relação delas tocará com carinho as telespectadoras. Toucou-me de uma forma particular, pois tenho, mesmo com as diferenças, um forte vínculo com minha mãe ❤

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Composta por Joe Hisaishi, a trilha sonora, como sempre, encontra o tom certo quando necessário, geralmente fazendo malabarismos em sons melancólicos e tradicionais. Sobre a dublagem japonesa, só tenho a dizer que está excelente. Nos diálogos, nas cenas cantadas e no efeito dos sons do cenário (som das folhas, vento, passos, etc.), tudo goza de grande cuidado para dar um resultado muito envolvente e impactante.

Com uma história maravilhosa e melancólica, cheia de realismo fantástico e imagens sublimes, O Conto da Princesa Kaguya é uma obra de arte da animação. Não me vem outro adjetivo para esse filme de Isao Takahata. Coberto por uma beleza divina, Kaguya Hime no Monogatari é um esplendor raramente visto.

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5 respostas em “O Conto da Princesa Kaguya, o retorno de Isao Takahata

    • Também amei O Conto da Princesa Kaguya ❤ Incrível a ação dessa cena! A animação é para deixar qualquer um impressionado. Muito perfeita! [2] A trilha sonora é tão relaxante (^_^) Lígia, tu já ouviu Ghibli to Watashi to Kaguya Hime, da Kazumi Nikaido? Se não. Recomendo! Tem uma versão de Kimi Wo Nosete cantada por ela que ficou linda ❤

  1. Pingback: As Memórias de Marnie (Omoide no Marnie) | Lulunettes

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