Livro: Agência Nº 1 de Mulheres Detetives – Alexander McCall Smith

Agência Nº 1 de Mulheres Detetives - Alexander McCall SmithNão sou uma leitora ávida de romances policiais. Conheço alguns títulos e há outros que aprecio, mas nada que passe do básico. Graças à indicação da Gláucia foi possível acrescentar mais um título nessa lista (^_^). Neste caso é um acréscimo especial, pois a dona do Estante Indiscreta adora essa série de livros do Mr. McCall Smith.

O escritor e médico Alexander McCall Smith, nascido na Rodésia do Sul, hoje Zimbábue, publicou em 1998, na Escócia, o primeiro volume da série de 15 livros da primeira mulher detetive de Gaborone, em Botsuana: Preciosa Ramotswe, filha de Obed Ramotswe (Paizinho).

Era uma boa detetive e uma boa mulher. Uma mulher numa boa terra, poderíamos dizer. Amava sua terra, Botsuana, que é um lugar de paz, e amava a África, com todos os seus flagelos. Não me envergonho de que me chamem de patriota africana, dizia Mma Ramotswe. Amo todas as pessoas criadas por Deus, mas especialmente sei amar as pessoas que vivem neste lugar. São minha gente, meus irmãos e irmãs. É meu dever ajudá-las a resolver os mistérios em suas vidas. É isso que me cabe fazer. (pg. 10)

Não esperem que Agência Nº 1 de Mulheres Detetives apresente casos mirabolantes de pessoas influentes, segredos de estado ou perspicazes assassinos em série e tudo isso envolta de um grande inquérito policial. Nada disso, meu caro Watson! As investigações de Mma Ramotswe são casos usuais na profissão de detetive particular. Seguimos com curiosidade entre casos de traição, de impostores, de feitiçaria (*tá, esse é cabreiro*) e de outros clientes improváveis.

O destaque desse singelo romance foi conhecer um pouco a vida dos batswanas. Muito interessante ouvir suas histórias, conhecer suas dores e sonhos, ou seja, suas vidas. Principalmente da protagonista Mma Ramotswe, que depois de um passado traumático tomou as rédeas da sua vida. Também foi agradável passear pelas diversas paisagens de Botsuana.

Agência Nº 1 de Mulheres Detetives tem como classificação literatura policial. Mas o livro mostra mais que soluções de casos, ele apresenta uma África diferente daquela perpetua imagem de miséria que estamos acostumados. Sim, o continente africano tem seus problemas e infelizmente sofreu e sofre nas mãos dos europeus e americanos. Entretanto mesmo com toda essa terrível realidade, a África também tem que ser lembrada por sua riqueza de cultura, sabores e principalmente pessoas.

Mma Ramotswe não queria que a África mudasse. Não queria que seu povo se tornasse igual a qualquer outro, desalmado, egoísta, esquecido do que significa ser africano, ou, pior ainda, envergonhado da África. Não seria nada senão africana, nunca, mesmo se alguém chegasse e lhe dissesse: “Esta pílula é a última novidade. É só tomá-la e na mesma hora você se torna uma americana”. Ela diria não. Nunca. Muito obrigada. (pg. 216)

De estilo simples e despretensioso, Agência Nº 1 de Mulheres Detetives, de Alexander McCall Smith, é um bom livro para apreciar com um delicioso chá de rooibos.

(*OFF: conclui minhas impressões dessa forma, pois fiquei com vontade de experimentar esse chá de rooibos tão citado durante toda a narrativa (>_<). Me contentei com chá gelado sabor silvestre do qual gosto bastante (^_^)*).

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Título: Agência Nº 1 de Mulheres Detetives
Título original: The No. 1 Ladies’ Detective Agency
Autor: Alexander McCall Smith
Tradução: Carlos Sussekind
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 236
Ano: 2003

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6 respostas em “Livro: Agência Nº 1 de Mulheres Detetives – Alexander McCall Smith

  1. Emocionada aqui, queria que todo mundo lesse esse livro…
    Sempre vejo avaliações baixas de seus livros no Goodreads e o problema é um só: a classificação como gênero policial. Eu mesma comprei pensando que fosse e a medida que a série avança aumenta minha dificuldade em classificar não só essa série mas como os outros livros do autor. As pessoa compram achando que encontrarão crimes e mistérios e nada disso acontece. Preciosa é mais uma investigadora da alma humana. Ele tem um estilo tão único, tão singelo e como vc bem disse, despretensioso. A gente tem a impressão que nada de grandioso acontece e ao mesmo tempo é tudo tão grandioso.
    Vi uma entrevista do autor (um fofo) em que ele brinca com isso, o fato dele ser classificado como autor de séries policiais. O próprio livro da Agência saiu aqui primeiro por aquela coleção policial da Cia das Letras, imagina a decepção dos leitores mais ávidos por sangue.
    O fato é que esse autor se tornou muito querido por mim e me fez abrir duas exceções: ler séries e ler em inglês.
    Atualmente estou lendo Emma – A Modern Retelling do Jane Austen Project e amando. Mas nem saberia se é mesmo bom ou se já não consigo avaliar seus livros com imparcialidade. Nunca li nada dele que não tenha gostado muito. Amor define.

    • Infelizmente a idealização ou a expectativa acaba nos cegando de termos uma boa leitura =/ Se prender demais a classificação, não acostumando o olhar com outras possibilidades, também resulta em uma má visão do livro. Enfim, gostei justamente de “Agência Nº 1 de Mulheres Detetives”, pois foca na realidade da maioria dos detetives e por termos uma profissional mulher. Verdade, Mma Ramotswe investiga a alma humana e o mais simples caso acaba sendo grandioso, já que a tranquilidade é valiosa. Uma pena que a Companhia das Letras não deu continuidade =/ Espero que a editora repense e republique / publique a série. Ah, o amor! Sei como é! rsrs Vou pesquisar sobre “Emma: A Modern Retelling”.
      Valeu pela indicação, Gláucia! (^_^)

  2. Quando era mais nova consumia mais literatura policial do que café. Era Poirot, Holmes, Jason Bourne (meu favorito só por causa do Matt Damon), mas depois fui deixando de lado. É interessante quando um romance policial vai além do gênero e mostra muito mais do que solução de casos, como você pontuou. Ontem mesmo li um policial latino-americano, que também me passou essa impressão de descobrir mais a realidade do cenário onde ele acontece (precisamente Medellín, Colômbia) do que um simples caso. Se eu encontrar com Agênica Nº 1 certamente vou dar uma chance! Beijão, Lulu!

    • É mesmo?! Massa! Verdade. Essa outra direção surpreende o leitor e acredito que mostre mais a realidade dos detetives que o estilo de narrativa mais comum do gênero. Taciele, poderia me indicar esse latino-americano, por favor! *interessada* Eu não sei se Agência Nº 1 agradará quem conhece romance policial, mas o achei um bom livro. Beijão! Ah, faz um carinho na Dolly por mim!

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