Centenário do nascimento de Julio Cortázar

Julio Cortazar Portrait Session

Hoje, 26 de agosto de 2014, comemora os 100 anos de nascimento de um dos escritores mais originais da literatura latino-americana, o argentino Julio Cortázar.

Meu primeiro contato com os escritos de Cortázar foi com o conto “Casa Tomada”, presente no livro “Bestiário” (publicado no Brasil pela Editora Civilização Brasileira). A partir desse conto, que se tornou meu favorito da vida (*_*), pude me apaixonar por sua escrita e pelas narrativas singulares. Ah, recomendo que confira a entrevista que o autor conta o significado e a origem de “Casa Tomada”. Achei incrível! (^_^)

Julio Cortázar_DVD_FRComemorei o centenário assistindo a um documentário que adquiri ano passado e que estava programado para ver exatamente hoje. Uma maneira singela de celebrar e de conhecer o homem por trás do escritor.

O documentário “Julio Cortázar” do diretor e roteirista francês Gérard Poitou-Weber foi lançado originalmente em 1998 e a versão DVD em 2004 ou 2005. O documentário trás um belo retrato do argentino nascido em Bruxelas. Comenta sobre sua infância e juventude, o jogo com as palavras, sua relação com a literatura e a vida real, sua esposa e a obra escrita em conjunto com ela (Carol Dunlop faleceu antes de concluir “Los Autonautas de la Cosmopista”), seu lado político, o exilo na França e a naturalização (depois de 30 anos e de várias recusas foi naturalizado francês em 1981). Caminhamos também pela imaginação do escritor e por suas paixões pelo boxe, tango e jazz. É um documentário precioso, pois inclui entrevistas feitas com Julio Cortázar. Enfim, é um resumo conciso da vida do escritor argentino, até sua morte em 12 de fevereiro de 1984.

De extra a uma interview com a escritora, tradutora, crítica literária e editora Michèle Gazier. Mesmo curta a entrevista é muito interessante, pois ela faz comentários gerais sobre a estrutura narrativa de Cortázar. Em resumo Michèle comenta que nas obras do autor argentino a uma busca do alter ego, ou seja, a procura do “o outro eu”. Amarelinha é citada como exemplo: mesmo tendo um texto difícil, os jovens foram seduzidos pelo romance, pois “Rayuela” é como um labirinto ao encontro do “o outro eu”, uma espécie de autoconhecimento. Destaca seus contos como ponto forte. Ela diz que o autor cria um fantástico singular – não que ele tenha criado o fantástico latino-americano – e sim que o fantástico de Cortázar é diferente, pois se faz na vida ordinária: um pequeno elemento mexe o real e leva as personagens ao outro mundo. Simples, mas único! Comenta também seu lado político (cita “O Livro de Manuel”) e do jogo bem humorado com as palavras (“Histórias de Cronópios e de Famas”, “A Volta ao Dia em 80 Mundos” e “Los Autonautas de la Cosmopista”). Ela conclui que a vida e obra de Julio Cortázar é uma viagem ao lado do real, uma viagem através das palavras, uma viagem através do imaginário.

Então deixe o sensível fantástico de Julio Cortázar interagir em seu mundo real (^_~).

get-julio-cortazar

“Nasci em Bruxelas, no dia 26 de agosto de 1914. Signo: Virgem. Meu planeta é Mercúrio e minha cor é o cinza (ainda que, a bem da verdade, eu prefira o verde). As circunstâncias do meu nascimento não foram extraordinárias, mas um tanto quanto pitorescas: nasci em Bruxelas como poderia ter nascido em Helsinque ou na Guatemala.” – Julio Cortázar

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4 respostas em “Centenário do nascimento de Julio Cortázar

  1. Gosto muito, muito, do Cortázar escritor. Do Cortázar engajado político já não gosto, devido ao trauma de ler suas opiniões – num discurso tão caricatural, tão “manual do partido comunista” no livro “Papéis Inesperados”. Mas, sim, um grande escritor, de fato!

    • Oi, Claire! Minha paixão por Cortázar só vem aumentando. Estou até economizando os livros, rs. Sobre o discurso, ainda não li “Papéis Inesperados”, mas conheço a posição política do Cortázar. Vou gostar muito de ler os discursos, pois compartilho o pensamento de esquerda (^_^).
      Beijos!

  2. Não sabia desse documentário o.O
    Que lindo ❤
    Bom, nunca haverá palavras suficientes para definir ou descrever o que é a escrita do Cortázar. Ler "Prosa do Observatório" – que ainda é meu preferido – foi uma experiência que, acho, não encontrei em nenhum outro autor.
    E Lulu, sempre que olhar para um Cortázar vou lembrar da nossa leitura de "O Jogo da Amarelinha". Foi inesquecível.
    beijo grande, com muita saudade!

    • Achei por acaso o documentário francês e desde 2013 está comigo, mas só fui assistir ontem à noite, para comemorar o centenário de nascimento (^_^). Engraçado como é difícil se expressar quando amamos uma obra ou um autor. As palavras faltam. Maira, quando eu ler “Prosa do Observatório” vou querer conversar com você, ok?! (^_~) Nossa leitura compartilhada foi tão amor ❤ Temos que repetir Cortázar… Desta vez contos!!!

      Ah, tu viu o lançamento da editora DSOP: “Cortázar, Notas para uma Biografia”, do Mario Goloboff? Necessito!! (\^o^/)

      Beijos, Maira! *abraço apertado*

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