Livro: Balzac e a Costureirinha Chinesa – Dai Sijie

untitledBalzac e a Costureirinha Chinesa se passa na China da época de Mao Tsé-Tung, no final da década de 60, e acompanha o narrador e seu amigo Luo durante a reabilitação no interior chinês. Seguimos a situação precária desses jovens, marcados como “inimigos do povo”, no trabalho nas minas e no campo. Entre os afazeres diários e a contação de histórias para a população local, eles conseguem um romance de Balzac. Este pequeno livro mágico e perigoso irá mudar o curso da vida desses rapazes e principalmente da filha de um alfaiate.

O título deste livro sempre me chamou a atenção por sua beleza. Balzac e a Costureirinha Chinesa soa tão bem. Infelizmente a trama se mostrou crua e sem poesia, a paixão pelos livros que o romance diz apresentar ficou completamente imperceptível. Acredito que Dai Sijie estava querendo mostrar sua insatisfação com o sistema maoísta e não a relação das personagens com a literatura.

Desconfio da situação e do cenário desta narrativa, da proibição de livros, dos jovens enviados para reeducação e de ser autobiográfico. Não conheço os detalhes do comunismo chinês, mas um dos objetivos do sistema comunista é justamente erradicar o analfabetismo (veja dados da antiga União Soviética e de Cuba). A população chinesa da capital e do campo era incentivada a estudar. Houve um grande avanço cultural no regime de Mao Tsé-Tung. Como a literatura e a música ocidental poderiam ser proibidas?

Me incomodaria menos se a narrativa fosse cativante. O Caçador de Pipas, de Khaled Hosseini, e O Palácio de Inverno, de John Boyne, são bons exemplos. Gostei desses romances, mesmo não simpatizando com quem o autor queria me fazer olhar com bons olhos.

No geral achei a escrita de Dai Sijie fluida, mas mecânica. Não encontrei nenhuma emoção naquelas linhas, no enredo em si. No mais, o único bom momento é a mensagem de como a literatura tem o poder de tocar a alma. A satisfatória conclusão mostra justamente o tema que ficou esquecido nas demais páginas.

Balzac e a Costureirinha Chinesa, seu primeiro romance, foi escrito originalmente em francês e publicado no ano de 2000 na França. O livro teve uma adaptação cinematográfica em 2002, com Dai Sijie como diretor e roteirista. Os únicos destaques do filme são os atores e a fotografia.

Infelizmente Balzac e a Costureirinha Chinesa não tem nenhuma intensão de homenagear a literatura, seu objetivo é claramente outro. É um romance seco, sem gosto e sem paixão.

.

Título: Balzac e a Costureirinha Chinesa
Título original: Balzac et la petite tailleuse chinoise
Autor: Dai Sijie
Tradução: Vera Lucia dos Reis
Editora: Alfaguara
Páginas: 168
Ano: 2007

.

Leitura compartilhada com a Maira, do blog Milkshakespeare and Company. Não curti o romance, mas nossas conversas, como sempre, foram ótimas. Adorei! (^_^)

Anúncios

14 respostas em “Livro: Balzac e a Costureirinha Chinesa – Dai Sijie

  1. Lulu, passei um bom tempo sem aparecer no blog (a culpa é toda da faculdade), mas justamente agora também estou lendo literatura chinesa (embora as obras de Dai Sijie sejam consideradas literatura francesa, ou não?), especificamente, Yu Hua, conhece? Era um autor estranho para mim, mas que me conquistou imediatamente com Viver, que é, de longe, um dos livros mais tristes que eu já li, isso se não for o mais. Yu Hua, aliás versa muito bem sobre a história da China contemporânea e sobre as transformações políticas e sobre o comunismo, que pelo visto falta no romance de Dai Sijie.

    Dele tenho aqui Em uma noite sem luar, que, confesso, estou bem desanimada para ler, e agora com suas palavras sobre Balzac e a Costureirinha Chinesa, acho que até o autor me brochou com essa crueza. Preciso sentir os livros, suas histórias, sua escrita, preciso sentir enfim, e pelo que você aponta não vou encontrar sentimento nas palavras de Sijie.

    Voltei e fico feliz de poder voltar a acompanhar esse tanto de coisa boa que você posta por aqui! Até mesmo Dai Sijie com sua escrita mecânica não consegue me deixar menos animada por voltar.

    Beijos, Lulu!!

    • Oi, Taciele! Quanto tempo! (^_^) Realmente eu não sei onde se encaixa a obra de Dai Sijie. Mas o consideraria literatura chinesa por sua nacionalidade, mesmo ele tendo escrito em francês. Nunca li Yu Hua e só conheço de vista Crônica de Um Vendedor de Sangue. Gostei bastante do seu comentário sobre o autor e vou adquirir Viver *obrigada pela indicação*. Sabe, o romance de Dai Sijie falta tudo, é um livro sem sentimentos e o fato histórico soa bastante duvidoso. Cada vez que repenso sobre o ano em que se passa o romance e o ano que Dai Sijie diz que sofreu essa tal de reeducação e os motivos, só tenho como conclusão que ele está divulgando falsas verdades.
      Também tenho dele Em Uma Noite Sem Luar, mas esse vai ficar encostado, não vou ler tão cedo. Duas, eu também preciso sentir os livros. Essa é uma das graças de ler (^_^) Se você tem Balzac e a Costureirinha Chinesa eu recomendaria a leitura pra você ter suas impressões.
      Muito obrigada pelo carinho, sua linda! E eu fico muito feliz quando você visita e comenta nesse singelo cantinho (^_^).
      Beijos, Taciele!

  2. E, ah, comentando algo que realmente não tem nada a ver com o livro em questão, mas queria falar contigo já tem um tempo: o mangá de Vagabond – A História de Musashi voltou!!! Ainda estou pulando de felicidade com as novas edições definitivas e bonitonas, ou seja, a coleção continua hahaha

    Agora eu vou de verdade. 😛

    • Até ia te falar, mas acabei esquecendo *vergonha*. Fiquei surpresa e contente com a volta do mangá, só que quando vi a edição de Vagabond da Nova Sampa achei o material bem ruinzinho. Não tem a mesma qualidade que a edição da Conrad. E o preço, Meu Zeus!, assusta (O_O) Depois me diz o que achou da edição 😉
      Beijos parte 2!

  3. Oi, Lulu! =D Eu assisti o filme há alguns anos e lembro de ter achado a fotografia linda. O título desse livro realmente chama muito a atenção da gente. Eu fui assistir o filme esperando discussões sobre Balzac e acabei encontrando um filme só mais ou menos sobre a Revolução Chinesa.
    Até onde sei, Lulu, o que ele conta é verdade. Apesar de a população ser incentivada a estudar, a maioria dos conteúdos ocidentais são proibidos (até hoje, na verdade). Eram comuns fogueiras de livros ocidentais em praça pública. A ideia do regime era isolar a China de influências externas, aumentando o nacionalismo.
    É uma pena que a escrita dele seja seca… Ainda assim quero ler por estar no Desafio de Rory Gilmore.
    Beijo!

    • Oi, Eduarda! (^_^) A fotografia do filme é muito bonita, vale até assistir sem áudio, rs. Pois é, eu esperava uma relação das personagens com Balzac e outros autores franceses. Mas nada disso acontece =/
      Se aconteceu o que ele diz, seria no começo da revolução. No romance de Dai Sijie mostra uma China completamente ignorante no final dos anos 60. O governo comunista chinês completava 20 anos em 1969. A escritora e jornalista Heloneida Studart, autora do livro ‘China: O Nordeste que deu certo’, comenta que cerca de 80% da população era analfabeta; e no campo, este percentual alcançava 90%. No regime de Mao Tsé-Tung, em 1955, foi criado um plano de alfabetização. Em apenas um ano e meio, a maioria desses milhões de chineses já podia ler e escrever. Para prevenir o retrocesso, escolas regulares foram criadas. E onde não havia condições, os alfabetizados se organizavam em grupo.
      Que isolamento é esse que manda seus estudantes para estudar em Harvard, Yale, Cambridge e Sorbonne! Quem tem costume de queimar livros e manter a população ignorante são partidos de direita (só ver a politica de educação nacional dos nazistas).
      Os regimes comunistas (URSS, China, Cuba) historicamente sofrem com companhas de falsificação histórica patrocinadas por sistemas capitalistas. Só para dá um exemplo famoso, o “Livro Negro Comunismo” que foi um best-seller, afirma que o Comunismo matou 100 milhões sem apresentar fontes e dados.
      Sempre é bom ficar atento para não cair nessas mentiras (^_~).
      Beijos!

  4. Oi, Lulu!
    Só lembro que vi esse filme há muuuuuuuuuuuuuito tempo e adorei. Do autor, li um outro livro (O complexo de Di) e achei bem divertido. Enfim, pena que não era bem o que você esperava. Eu quero ler esse e o tal do “Em uma noite sem luar”.
    beijo!

    • Oi, Michelle!
      Pois é, uma pena que Dai Sijie escreveu um romance tão fraquinho e que sua escrita seja sem vida. Dele eu ainda tenho Em Uma Noite Sem Luar, mas nem sei quando vou ler. Enfim, se eu gostar aumenta a chance de O Complexo de Di ser adquirido.
      Beijos!

  5. Oi, Lulu!!! Tanta saudade de comentar nos meus blogs preferidos, mas ultimamente só consigo tempo pra ler mesmo, ai, ai… Eu já até pensei em comprar esse livro naquelas promoções, sabe? rs Mas agora que você falou que ele é fraquinho, nem vou atrás. =D Beijinho, Lulu querida!!!!

    • Me incluo na sua lista de blogs preferidos?! (*_*) São os seus olhos =3 Entendo! Esse danado de tempo por aqui também está limitado. Lua, eu achei a escrita do Dai Sijie fraquíssima e, o que acho pior, sem emoção. Sinceramente não entendi o sucesso desse livro. Enfim, ainda assim recomendo a leitura só para você ter suas impressões. Beijos, Lua! (^_^)

  6. Lulu, terminei o livro!
    Bom, nós conversamos muito sobre ele e acho que é bem isso o que você escreveu…a escrita soa um tanto dura e ainda não sei bem porque. No mais, eu gostei de como eles buscam transgredir o sistema em pequenas coisas, com pequenas ações..comentei isso com você…sobre como me fez pensar também no meu cotidiano e nas pequenas transgressões que posso fazer, rs.
    Obrigada, muito obrigada ❤
    beijo grande e bem apertado,

    • Eu pensei que com um título tão bonito o romance teria uma escrita poética. Mas soa duro e também me pergunto à razão. Espero que os outros livros do Dai Sijie não tenham essa escrita mecânica.
      Maira, fico muito feliz que o livro tenha lhe ajudado de alguma forma. Até comentei contigo que já estava me sentindo culpada por ter escolhido justamente esse para te dar de aniversário, rs. De nada, sua linda! Você merece! E mais uma vez: Feliz aniversário!!
      Beijão! o/ o/ o/ o/

  7. Que engraçado, Lulu, a primeira vez que ouvi falar desse título foi pelo filme que você citou, e imaginei que seria um romance histórico sobre Balzac (o próprio) num caso de amor com uma costureira chinesa, hahaha!

    Uma pena quando um livro não alcança nossas expectativas, pelo menos serve para afirmarmos nosso (des)gosto.

    Beijos!

    • Olha, seria interessante seu filme imaginário, rs.

      Verdade, Jéssica (^_^). Mas em Balzac e a Costureirinha Chinesa a razão por eu ter desgostado foi à falsa propaganda em cima do livro. De certa forma me senti enganada =/

      Beijos!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s