Mangá: Kamen Rider – Shotaro Ishinomori

Kamen Rider - Shotaro IshinomoriKamen Rider é um nome bastante conhecido entre fãs de tokusatsu. O Motoqueiro Mascarado, criação de Shotaro Ishinomori, acabou virando uma franquia de grande sucesso que completou em abril seus 43 anos.

A primeira aparição do shonen de Ishinomori foi em 1971 na Bokura Magazine. No original a série totaliza 4 volumes publicados posteriormente pela Asahi Sonorama. Na França houve o lançamento inédito de Kamen Rider em uma edição caprichadíssima, compilando todos os volumes em 2 tomos. Só lamento que pelo preço oneroso de cada volume a editora não tenha acrescentado extras sobre a produção do mangá, do tokusatsu ou interview com o autor. Enfim, alguma curiosidade.

O primeiro contato que tive com a franquia foi com Kamen Rider Black (1987) e depois sua sequência, Kamen Rider Black RX (1988), quando passou na TV pela extinta Rede Manchete. Adorava! Hoje, mesmo notando o zíper do mostro ainda adoro. Infelizmente os atuais, do ano 2000 pra cá, estão distantes do conceito original. Parece que estou vendo uma propaganda de tranqueira. As tramas não são interessantes nem para entreter. Bem, algumas até poderiam ser boas, mas tudo algo nelas não caminha bem e o resultado fica desastroso. Desses novos o único que tive maior simpatia e gostei foi Kamen Rider W (2009). Vai, Den-O (2007) e OOO (2010) são bacaninhas.

O mangá de Kamen Rider começa com Takeshi Hongo acordando durante os preparativos finais de uma cirurgia para transformá-lo em ciborgue de alta potência. O jovem consegue escapar antes de sofrer a lavagem cerebral que o teria transformado em uma dócil marionete da organização secreta Shocker. Com seu novo corpo, Takeshi deverá lutar contra a organização até sua completa destruição.

E assim nasce Kamen Rider. A partir deste momento, Hongo terá de enfrentar poderosos inimigos e lutar também para preservar sua humanidade. [Atenção!!! Este trecho contém SPOILER] No final do primeiro volume (2ª volume no original), Takeshi enfrenta seus onze clones e acaba morrendo. No entanto, o seu legado (e cérebro) ainda estão vivos, e Hayato Ichimonji, um ex-escravo da Shocker, herda o cargo Kamen Rider ao se comunicar telepaticamente com o cérebro preservado de Takeshi Hongo. [/ Fim do SPOILER]

De enredo previsível e com algumas situações inconsequentes (como aquela que entregam uma criança que acabou de ficar órfã a um estranho (O_o); e a atitude machista do Ichimonji (¬_¬)), mesmo com todos os clichês e absurdos, a história continua a ser atraente por oferecer uma narrativa rítmica e mais profunda do que parece. O mangá tem uma forma mais sombria e cheia de críticas.

O bom desenvolvimento da trama nos dá detalhes essenciais em relação ao corpo e sentimentos do Kamen Rider, o que são os monstros da Shocker e quais os interesses da organização. Um dos melhores detalhes foi às marcas que aparecem no rosto do protagonista quando seu estado de espírito encontra-se inquieto. Com sua forma mutante revelando-se a também uma luta interna do herói para manter a humanidade que lhe foi arrancada.

[Atenção!!! Este parágrafo contém SPOILER] A um contraste notório de personalidade entre os dois Kamen Rider. Takeshi Hongo seria o típico protagonista shonen: bom moço, centrado e inteligente. Ele carrega melhor o papel de herói. Diferente de Hayato Ichimonji que apresenta ter uma mente sem direção. Quando a história foca em Ichimonji, vemos o seu crescimento como personagem, pois Hongo o guia neste caminho solitário. [/ Fim do SPOILER]

Como não poderia faltar em um bom tokusatsu, as cenas de ação são velozes. Eu gostei especialmente das páginas duplas, onde o autor toma o tempo para criar toda uma atmosfera de tensão na cena. Entre as perseguições de moto e combates contra os monstros da Shocker, diferente da série de TV, achei a violência mais explicita.

Kamen Rider_Mangá

Com mais de 40 anos, Kamen Rider é uma obra atemporal cuja mensagem passada ainda é relevante até hoje: os valores humanos, o respeito pela natureza, pela vida em geral; a verdadeira intensão de uma poderosa organização; a postura dos governantes e da sociedade diante dos problemas do mundo; e principalmente que a tecnologia seja direcionada para o bem ao invés do lucro. Tais elementos me faz lembrar imediatamente de Kamen Rider Black (1987) e Choujinki Metalder (1987).

Sobre a arte, ela é característica dos anos 70 e lembra o traço de Osamu Tezuka (Buddha, A Princesa e o Cavaleiro) – afinal, o Ishinomori foi assistente do Tezuka – misturado com o do Go Nagai (Cutie Honey, Devilman). Pode não parecer, mas o desenho funciona muito bem. Particularmente gosto de mangás com o traço fora de moda, principalmente shoujo, acho que eles têm um charme próprio.

Kamen Rider, de Shotaro Ishinomori, é um dos títulos que deu vida ao melhor estilo de tokusatsu, na minha opinião. Acredito que minha preferência por Kamen Rider seja por ele não ser um herói invencível. Certo, ele tem uma força sobre-humana, mas esses poderes são limitados. Se você prestar atenção no mangá e na série de TV, sua força é finita. Kamen Rider vence por uma boa estratégia e esforço ou por pura sorte. São essas características que me chama a atenção. Como fã, a lacuna de ler a origem está finalmente preenchida. Adorei conhecer a história que originou o Motoqueiro Mascarado em forma de louva-a-deus.

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Título: Kamen Rider
Título original: Kamen Rider, 仮面ライダー
Autor: Shotaro Ishinomori
Editora: Isan Manga
Número de volumes: 2 volumes
Ano: 2013

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  • Adaptações:

Kamen Rider (1971) – Série:

Kamen Rider (1971)

O tokusatsu do primeiro Kamen Rider teve ao todo 98 episódios que foram lançados entre 1971 e 1973 pela produtora Toei Company. A série chegou antes da publicação do mangá. Na época Shotaro Ishinomori estava trabalhando no roteiro de uma série de TV e eis que ele cria Kamen Rider. Destaque para a música tema Let’s Go! Rider Kick!.

Kamen Rider The First (2005) – Filme:

Kamen Rider The First (2005)

Com roteiro de Toshiki Inoue e dirigido por Takao Nagaishi, Kamen Rider The First é um reboot da obra original. Até lembro quando vi a notícia do lançamento, eu estava animadíssima e quando finalmente tive o material em mãos, não me decepcionei. A fotografia do filme é bonita, as cenas de ação são dinâmicas (*a da perseguição de moto é de tirar o folego*), os Kamen Riders e os monstros ganharam belos designs e fiquei feliz em terem destacado mais a trama do infortúnio casal da Shocker. Enfim, The First resgatou a real essência de Kamen Rider.

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2 respostas em “Mangá: Kamen Rider – Shotaro Ishinomori

  1. As edições estão realmente muito lindas(capa dura sempre é legal). Também gostei das imagens que vc usou no post, ficou com uma organização de conteudo muito bacana. Quem prestar a atenção verá que os monstros dessa ficção estão muito mais próximos da nossa realidade do que gostariamos. Um beijão para vc Lulunettes.

    • A edição é lindíssima! Adoro mangá de capa dura! Fica tão charmoso (^_^) Valeu! Verdade, principalmente no mangá que a critica é mais direta que na série de tokusatsu.
      Beijão!

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