Tudo começa na pré-história, nas dificuldades dos nossos antepassados diante das barreiras impostas pela natureza. Há milhares de anos a.C. o monolito (ou monólito) chega a terra no tempo dos homens-macacos. O grande objeto estimula a curiosidade das criaturas e as testa, norteando-as ao uso de ferramentas existentes no ambiente (ossos, pedras). Uma vez feito seu papel, o misterioso objeto desaparece. A partir dessa intervenção externa, o homem-macaco evolui consideravelmente, desenvolvendo posteriormente os seres humanos.
No ano de 2001, a ciência chegou ao ponto da construção de uma base na lua e desenvolve projetos de exploração. Na base lunar, do lado dos E.U.A., cientistas descobriram o enigmático monolito enterrado. Ao desenterrá-lo, raios de luz do sol tocam a superfície do objeto e ele começa a emitir sinais para Saturno; indicando aos criadores que a inteligência humana atingiu um determinado estágio. Pensando ter provas da existência de vida extraterrestre, o lado americano planeja e procede a missão para o sexto planeta do Sistema Solar. A partir deste ponto, a Odisseia começa!
Acredito que temos formas de interpretar a narrativa de 2001: Uma Odisseia no Espaço. Por um lado, a pura ficção científica com a tecnologia avançada e a exploração do espaço. Do outro, o significado ou acaso da existência humana, a evolução da espécie (teríamos recebido intervenção externa ou evoluiríamos naturalmente) e se os habitantes deste globo são as únicas formas de vida existente.
Sobre as personagens, particularmente eu não acho que exista um protagonista, mas sim um protagonismo. Independente de quem estivesse comandando o grupo de homens-macacos, de quem chefiou a exploração e de quem estive no interior da nave espacial Discovery One, o ser humano é o protagonista desta história.
Destaco também a precisão técnica e formal do autor, é tão crível que ele não se perde nos detalhes complexos. O romance é bem ritmado, as transcrições do espaço são belas e a história atinge interessantes momentos de tensão e surpresa, especialmente no enfrentamento entre o humano com o computador de bordo HAL 9000 e a parte final.
[Atenção!!! Este parágrafo contém SPOILER] A ultima parte do livro é a mais confusa e causa uma estranheza prazerosa, mas ao mesmo tempo angustiante por causa do desconhecido. A viagem de David Bowman pelas dimensões (?), passando pelo “cemitério de naves” (outros já haviam chegado ao mesmo destino?! *quase surtei (\^0^/)*), o quarto de hotel, os seres que atingiram um estágio de vida impressionante e o bebê David livre do corpo físico (metade humano (memória), metade energia) que será o outro princípio da nova evolução humana. Ufa! Várias informações para digerir e pensar. Enfim, a metáfora para a evolução da espécie humana (do macaco ao ser maior) foi surpreendente! [/ Fim do SPOILER]
Composta por uma narrativa fascinante, 2001: Uma Odisseia no Espaço nos leva através dos passos da evolução tecnológica e filosófica da humanidade de forma acessível, agradável, viciante e em nenhum momento entediante. As descrições, as viagens, os cenários, qualquer trecho estimula a curiosidade e põe a mesa questões, dúvidas e teorias do universo. Simplesmente adorei!
Edição ~ a edição da Aleph está muito caprichada, tanto de conteúdo como visualmente. Ótimos extras são anexados ao romance, como a nota de Arthur C. Clarke na ocasião do falecimento de Stanley Kubrick e os contos base para a composição desse clássico, A Sentinela e Encontro no Alvorecer. Em relação ao desing, a editora editou o livro como um bloco preto, referindo-se a peça central da narrativa, o monolito (*_*). As informações do romance estão no box em que o “livro-monolito” encontra-se soterrado. Criativo, né?! (^_^)
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Título: 2001: Uma Odisseia no Espaço
Título original: 2001: A Space Odyssey
Autor: Arthur C. Clarke
Tradução: Fábio Fernandes
Editora: Aleph
Páginas: 336
Ano: 2013
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- Adaptação Cinematográfica (contém spoiler):
A versão cinematográfica de 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968) é uma interpretação bastante pessoal do diretor Kubrick. E também pode ser livremente interpretada por cada espectador. Visualmente o filme é bonito, a parte da pré-história e a rotina dos astronautas foram bem executadas e é gostoso ouvir a música como narradora. Há pouca diferença entre o livro e o filme. Algumas delas foram necessárias por causa do limite tecnológico da época. Kubrick não queria que 2001 ficasse datado. Mas outras mudanças prejudicaram, e muito, o enredo. A história é apressada, conversas mundanas são longas, enquanto cenas essenciais são espremidas. O computador HAL 9000 transmite mais sentimentos que os próprios tripulantes. O descuido do Dr. Bowman ao sair da nave (depois de episódios duvidosos da máquina O_O) para recuperar o corpo do colega, enquanto HAL tenta tomar o controle da missão. A NASA inconsequente, não informando nem aos doutores hibernados o objetivo da missão. E o pior, a parte conclusiva é repentina, atropelada e confusa. Sinceramente o enredo foi uma decepção (U_U). O filme tinha tudo para ser excelente. Enfim, felizmente o livro oferece uma compreensão melhor dos acontecimentos dessa narrativa incrível!