O Cultivo de Flores de Plástico conta o quotidiano de um grupo de sem-teto em nove atos. Somos convidados a conhecer, em pequenos episódios, o resquício de vida de Jorge, Lili, Korzhev e a senhora do fato. Personagens estes que perderam seus empregos, que foram abandonados pela família, que já nasceram sem oportunidade, que cruzamos diariamente nas ruas.
Mesmo com poucas páginas, a peça tem um objetivo positivo bem claro: reflexão. Alguns tiraram uma lição de vida, outros perceberam uma crítica à sociedade de consumo impensante e desenfreada, mas o que me saltou aos olhos é a indiferença a um problema social que é de todos.
“No fundo é isso. Ninguém nos vê. Somos invisíveis. A miséria é uma poção de invisibilidade. Quando as roupas ficam rotas, quando estendemos uma mão, puf, desaparecemos. Somos as pombas dos ilusionistas. Isto dava para um negócio, dava para ganhar a vida com os turistas. Levava-os a ver fantasmas numa cidade assombrada. Levava-os a verem-nos.” (p. 33-34)
O Cultivo foi meu ultimo livro lido em 2013 e meu primeiro contato com a escrita de Afonso Cruz. Depois dessa degustação, quero conhecer outras obras do autor português, principalmente os romances.
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Título: O Cultivo de Flores de Plástico
Autor: Afonso Cruz
Editora: Alfaguara Portugal
Páginas: 104
Ano: 2013