Livro: O Jogo da Amarelinha – Júlio Cortázar [50 anos]

O Jogo da Amarelinha - Júlio CortázarDepois de cinquenta junhos, o jogo de Cortázar completa 50 anos.

Publicado pela primeira vez em 28 de junho de 1963, Rayuela merece sua fama de literatura latino-americana mais icônica dos romances do século XX, porque é um livro ousado que vai além das fronteiras, que permite possibilidades de experiência narrativa.

Organizado em 155 capítulos, Amarelinha pode ser lido em diversas ordens. Você pode começar o jogo em ordem cronológica, a partir do 1ª capítulo e ter o final clássico no capítulo 56. Também pode seguir a proposta feita pelo autor e começar pelo capítulo 73, seguindo assim uma leitura incoerente, como um jogo da amarelinha. Segui a ordem sugerida por Cortázar (^_~). Vale lembrar que o livro é dividido em três partes (Do lado de lá; Do lado de cá; De outros lados (capítulos prescindíveis)) e pode ser lido de forma dependente ou independente. [Observação: o 131ª capítulo se repete, enquanto o 55ª não entra no jogo]

“Á sua maneira, este livro é muitos livros, mas é, sobretudo, dois livros.”

Enquadrando a história, seguimos Horácio Oliveira por Paris, bem como em Buenos Aires, com sua variedade de humor entre os episódios, e sua história de amor. É interessante observar o protagonista pelas ruelas de Paris (uma Paris mais crua / real). Bem como os perrengues que ele e seus amigos passam por lá e na Argentina.

(Comentário Off/ Durante sua estadia na França, Oliveira é descriminado por um monsieur francês louco, e não é supressa o discurso sem sentido dos conservadores aos imigrantes, que é repetido a exaustão até hoje quando a Europa está em crise).

Dentre as personagens que passam pela vida de Horácio, Maga é minha favorita. Diria que ela também seria uma protagonista de Rayuela, mas uma protagonista vista pelos olhos do personagem em destaque. Como comentei com a Maira, do blog MilkShakespeare and Company *muito obrigada pela companhia (^_^). Adorei nossas conversas!*, vemos Maga pelos olhos de Oliveira. Mas ela ganha voz, uma única vez, no capítulo destinado a Rocamadour (um dos meus preferidos). Outro belo e intenso capítulo (outro preferido) é o 7ª. Ouça-o com a voz de Júlio Cortázar:

Lindo, né?! (^_^)

Amarelinha é uma experiência narrativa que quebra o gênero ‘romance’ e permite uma nova forma de leitura. Particularmente não achei uma narrativa simples, tive meus momentos altos e baixos no quesito compressão. Não sei se foi uma impressão pessoal, mas na grande maioria dos capítulos me senti dentro de um sonho, com seus elementos confusos que de alguma forma fazem sentido e ao mesmo tempo não significam nada.

No fim das contas, aquela impressão de não sabermos muito o que lemos deve ser frequente. Mas uma coisa eu tenho certeza, que o prazer está lá, o risco de ser surpreendido a cada frase, muitas vezes densa, e isso foi o suficiente para deixar-me ir de um texto para outro, a brincar O Jogo da Amarelinha.

“O jogo da amarelinha se joga com uma pequena pedra que é preciso empurrar com a ponta do sapato. Ingredientes: uma calçada, uma pedrinha, um sapato e um belo desenho feito com giz, preferivelmente colorido. No alto, fica o Céu, embaixo a Terra, é muito difícil chegar com a pedrinha no Céu, quase sempre se calcula mal e a pedra sai do desenho. Pouco a pouco, porém, vai se adquirindo a habilidade necessária para salvar as diferentes casinhas (caracol, retângulo, fantasia, esta pouco usada) e um dia se aprende a sair da Terra e levar a pedrinha até o Céu, até entrar no Céu.” (p. 252)

.

Título: O Jogo da Amarelinha
Título original: Rayuela
Autor: Júlio Cortázar
Tradução: Fernando de Castro Ferro
Editora: Civilização Brasileira
Páginas: 640
Ano: 1999

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14 respostas em “Livro: O Jogo da Amarelinha – Júlio Cortázar [50 anos]

  1. Que massa, Lulu! Ainda quero muito ler esse livro, só sinto que não chegou o momento ainda, mas vai chegar! rs Engraçado é que sempre que leio um texto sobre ele eu nunca entendo sobre o que é o livro, tenho certeza que a leitura é uma experiência pessoal e não dá pra falar pra ninguém do que se trata, hehehe. Beijinho!!! 😉

    • Vai chegar, Lua! 😉 Exatamente, Amarelinha é muitos livros, então cada um terá uma experiência única (^_^). Além disso, também é um livro difícil de expressar em palavras.
      Beijinhos!

    • Oi, Agna! Tudo bem, e você?
      Particularmente não recomendo começar Cortázar por este livro. Sugiro iniciar pelos contos (Bestiário, As Armas Secretas, Histórias de Cronópios e de Famas, Octaedro).
      Bjs, querida! (^_^)

  2. Lulu, com certeza essa leitura foi o ponto alto do meu ano. Era aquele tipo de livro que tinha “medo” de começar, mas foi incrível. Assim como nossas conversas e as que ainda vamos ter.

    Que gravação linda, foi tão emocionante ouvir a voz dele depois de, como você disse, ter jogado sua “Amarelinha” ❤

    Ah, você toca em pontos chaves e ainda assim é difícil falar desse livro. É como se não pudesse ser agarrado. Mas foi lindo ❤
    beijo grande, flor!

    PS: obrigada pela companhia na leitura e obrigada por aguentar firme a saga da compra do livro ;D

    • Também senti certo ‘medo’ de ler Amarelinha, mas foi incrível [2]. Agora posso ler qualquer coisa, rs. Maira, nossas conversas estão sendo ótimas, esclarecedoras, e acima de tudo, divertidas (^_^).

      Cortázar e sua voz sexy, rs. Não sei quantas vezes ouvi “Toco tu boca” ❤ Perfeito!

      “Ah, você toca em pontos chaves e ainda assim é difícil falar desse livro. É como se não pudesse ser agarrado. Mas foi lindo <3”
      Foi? Que bom! \o/ Verdade, Rayuela é o tipo de livro fácil de sentir, mas difícil de expressar em palavras.

      Beijos, Maira!

      P.S. Resposta: eu que agradeço a companhia 😉

  3. eu mooooorro de medo de ler esse livro e não entender lufas…
    mas quem sabe eu perca o medo dele agora em 2014, né!!! :o)

    xerinhos, lindeza!!!

    • Eu, por exemplo, tive meus altos e baixos, mas considero Amarelinha um desafio prazeroso. Patrícia, vai chegar seu momento (seja ele em 2014 ou nos próximos anos).
      Xerinhos!!

  4. Eita nóis ! Você e a Maira estão me instigando a querer muito ler esse livro. Confesso que tinha um medinho de ler depois que soube da estrutura dele. Mas os posts de vcs estão tão bons, que não tem como não ter vontade de ler.
    Nunca li Cortazar, mas não tenho certeza se é bom começar logo por esse. 🙂
    beijos !!

    • Verdade?! *happy* Obrigada, Melissa! (^_^) A estrutura de Amarelinha assusta inicialmente, mas é bastante instigante jogar a pedrinha e pular para o próximo capítulo. E não pense que o “modo cortáziano” não tem fluidez. Muito pelo contrário, são conectados (bem, pelo menos eu achei >_< rsrs). Recomendo começar Cortázar pelos contos (Bestiário, As Armas Secretas, Histórias de Cronópios e de Famas, Octaedro).
      Beijos!

  5. Pingback: Os 10 melhores de 2013 | Lulunettes

  6. Oieee Lulu!! Cá estou pra saber o seguinte: QUE EDIÇÃO COMPRAR??
    No estante virtual tem várias.. desde 198…
    Fiquei na dúvida qual comprar ao perceber a diferença das capas e número de páginas!! Help!

    Bjo, Camilla.

  7. Pingback: O dia em que pulei a amarelinha de Cortázar | Blog Amarelo

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