Livro: A Morte de Ivan Ilitch – Lev Tolstói

A Morte de Ivan IlitchTolstói pinta, em 80 páginas, um retrato da burguesia russa do final do século XIX, da vida, da doença, da agonia e da morte de um homem respeitável em seu meio. A Morte de Ivan Ilitch, publicada em 1886, é uma novela, que apesar do título, faz uma reflexão sobre a vida.

Este clássico foi o livro escolhido para o mês de maio do fórum literário Entre Pontos e Vírgulas. Foi meu primeiro contato com Lev Tolstói, como também da literatura russa em geral.

No inicio da leitura não estava conseguindo me concentrar na narrativa, pois tinha acabado de concluir o primeiro volume de 1Q84, do Murakami, e a história ainda estava muito viva na minha cabeça. Comecei a achar a leitura do russo desagradável, mas com o passar das primeiras páginas essa sensação de desconforto foi indo embora e pude aproveitar a qualidade desta obra.

Em algumas gramas de papel o autor teve o talento para evocar toda uma vida e um mundo de conveniências, aspirações, dúvidas e certezas. O resultado da luta deixa pouco suspense, na verdade Lev procura nos faz viver e sentir a lenta e inevitável descida, a mudança de Ivan Ilitch, este homem aparentemente invejável. Ao longo do caminho, o personagem faz um exame da sua própria vida, uma introspecção, uma viagem profunda de si mesmo.

O autor consegue descrever com grande realismo todos os sentimentos que invadem o personagem principal: vai do desespero à luta, da esperança ao ódio, a inveja, o abandonado. Ele sente que vai morrer, mas é difícil de admitir. Ivan está com medo e não entende por que todos os tormentos infligidos nele.

A Morte de Ivan Ilitch é um texto difícil e sem rodeios, e acredito que também para compreender a agonia dos moribundos. Sei lá, comecei a recordar de uma amiga da minha mãe que morreu de câncer. Também me lembrei dos pacientes da UTI que atendi no meu ultimo semestre da faculdade, alguns só esperavam o ponto final.

Quando Ivan olha para trás senti que ele se arrependeu de sua vida. Não faço ideia se é pelo medo da morte ou pelo seu estado de dor intensa (físico e mental), ou ambas, que embaralha seus pensamentos. Então acredito que Tolstói nos quis dizer que a morte é inevitável, mas a chave para a paz consigo mesmo é não viver de acordo com as normas dos outros e tentar dar significado à sua vida.

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Título: A Morte de Ivan Ilitch
Título original: Смерть Ивана Ильича (Smert’ Ivana Ilyicha)
Autor: Lev Tolstói
Tradução: Boris Schnaiderman
Editora: Editora 34
Páginas: 96
Ano: 2009

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A Morte de Ivan Ilitch, de Lev Tolstói, foi o livro escolhido para o mês de maio do Fórum Entre Pontos e Vírgulas.

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15 respostas em “Livro: A Morte de Ivan Ilitch – Lev Tolstói

  1. Lulu,
    acho que esse estranhamento inicial foi provocado pelo seu envolvimento com o outro livro, mas também pela escrita do Tolstói nessa novela!
    Eu acho que o estilo e a narrativa mostram de início a superficialidade dessa vida de Ivan Ilitch (o que não nos “envolve” mesmo; o contraste entre a racionalidade e frieza e o momento pós doença e certeza da morte com a força dos sentimentos é que nos choca, nos balança!).
    Eu tive a experiência de reler ao mesmo tempo em que leio Anna Kariênina e achei fenomenal; estou apaixonada pela escrita do Tolstói! Gostei tanto da riqueza e complexidade que ele consegue dar a um romance, como da precisão e força que ele teve nessa novela.
    Ainda não li 1Q84 e fiquei animada! ; )
    Beijos!

    • Depois de coisas malucas inexplicáveis acontecendo no primeiro volume de 1Q84 e eu “WTH?”, meus pensamentos se fixaram na sequência. Mas como Tolstói é mágico, logo me concentrei na leitura *ele se garante demais*.

      Inicialmente o leitor não sente nenhuma simpatia pro Ivan. Eu pelo menos não senti. Quando Tolstói revela seus pensamentos, seu arrependimento, sua dor e angustia, fiquei com dó dele.

      Uma vez meu marido me viu lamuriando, rs:
      Lulu: Tadinho do Ivan T_____________T
      Marido: Que Ivan?
      Lulu: O do livro!
      Marido: ¬_¬

      Realmente o que choca é o que ele enfrenta, a forma como o autor descreve é tão palpável que sufoca.

      Depois d’A Morte de Ivan Ilitch, quero muito ler Anna Karenina *estou pensando em adiantar meu presente de aniversário, rs*.

      Obrigada pelo comentário, Denise ^^

      Bjs!

  2. 1Q84 acabando com nossas leituras….rs

    Nossa, só de pensar no exame de uma vida toda já começo a ficar angustiada.
    Pensamentos sobre o sentido da vida, o sentido da minha vida, vão me assombrar essa noite….rs

    Beijo!

  3. O Tolstoi foi seco nessa novela mesmo, tive uma certa birra com isso também, mas no final da para todo mundo tirar alguma coisa disso, afinal não da pra falar sobre morte e vida sem nos afetar de alguma maneira!

    Abraços

    • Não achei a escrita do Tolstói seca, tem vários sentimentos que rondam Ivan. Diria uma escrita sem rodeios, direta (ou é tudo a mesma coisa?!). O que me incomodou no começo da leitura foi que minha mente focou nas coisas malucas inexplicáveis de 1Q84, rs. Também acho impossível alguém não recordar de algum episódio da sua vida.

      Obrigada pelo comentário, Filipe! ^^

      Abraços!

  4. Eu gostei muito do tom direto e preciso do autor nessa novela. também tive uma certa dificuldade em me conectar ao livro mas por estar mesmo mais desatenta à leitura esse mês, mas o esforço valeu à pena, pois gostei demais. ;o)

    Xerinhos
    Paty

    • Patrícia, eu também gostei bastante da escrita direta do Tolstói. Me surpreendi muito com a narrativa. Espero que o próximo mês melhore ^^ (incluo todos que estão nessa maré de trabalhos forçados, rs).

      Xerinhos!

  5. Creio que no final do livro Ivan se livra da dor moral que o atormentava mais do que a dor física. As mentiras que ele via nos outros ele reconheceu-nas nele mesmo, e ele ficou em paz com a vida. Ele percebeu enfim que ele era o culpado pelas mentiras que ele plantou e parou de culpar os outros pelo seu ato. Foi um momento de redenção.

    • Concordo, Ricardo! Quando ele fez uma introspecção, mesmo duramente, chega à conclusão de que ele enganou a si mesmo e acabou por enganar a família. Os momentos finais de Ivan é o ápice da novela.

      Boa semana!

  6. Gostei do final que você escreveu porque isso nos faz pensar sobre o que estamos fazendo da nossa vida, o verdadeiro valor que damos às coisas, às pessoas, a nós mesmos. O ideal seria que não esperássemos algo drástico acontecer conosco para mudarmos o que temos que mudar e buscar o verdadeiro sentido da vida.
    Acho que a maior agonia de Ivan foi ter descoberto isso tarde demais.

    Abraços

    • Olá Flávia, tudo bem? (^_^) Senti que Tolstói não falou só da morte, mas deixa nas entrelinhas uma mensagem, essa que você destacou. Todos nós erramos, mas sábio aquele que admite seu erro e o corrige. Concordo que a maior agonia de Ivan foi ter descoberto tarde demais. Por isso ele sentia raiva, rancor de seus familiares, pois não conseguia admitir o erro.

      Obrigada pela visita e comentário!

      Abraços!

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