Livro: Duna – Frank Herbert

Duna – Frank HerbertPublicado em 1965, Duna é considerado um clássico da ficção cientifica. Este é o primeiro volume da série de seis livros (O Messias de Duna, Os Filhos de Duna, O Imperador-Deus de Duna, Os Hereges de Duna e As Herdeiras de Duna) escrita por Frank Herbert. Para completar, baseando-se em anotações do pai, Brian Herbert junto com Kevin J. Anderson desenvolveram uma série que conta histórias passadas em Duna.

Não falarei sobre o enredo do romance. Basta saber que Herbert vê longe, tão longe que a imaginação não tem limites: as máquinas se rebelaram contra a humanidade. Uma guerra aconteceu e exterminou até o ultimo computador capaz de imitar os pensamentos de seus criadores. Os humanos começaram a desenvolver suas habilidades para limites impensáveis. Os Mentat tornaram-se computadores biológicos. Os Navegadores por sua vez, adquiriram a capacidade de dobrar o espaço para obter o monopólio sobre a viagem interestelar. E a Ordem das Bene Gesserit a arte da clarividência e o controle da genética. Mas essa civilização regrediu ao modelo feudal, dependendo inteiramente da especiaria encontrada no planeta desértico Arrakis: a mélange.

Difícil fazer uma análise detalhada deste livro. Duna é realmente um romance que combina ficção científica, política, religião, pitadas de ecologia, biologia, genética, climatologia, semântica e psicologia, baseia-se também em velhos costumes e rituais antropológicos. Um universo rico, complexo, original e coerente.

As personagens e o universo são cuidadosamente preparados, as descrições são marcantes, vários diálogos e pensamentos têm impacto importantíssimo na narrativa. O leitor deve redobrar a atenção para não perder nenhum detalhe, pois Frank vai revelando em pequenas doses a face da sua criação, nunca deixando uma ponta solta. O autor fez um trabalho muito bem pensando e lógico.

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Arrakis, também conhecido como ‘Duna’.

Um dos pontos fascinante na obra-prima de Herbert é a nossa relação dúbia com as personagens. Em alguns momentos admirei-os, em outros, os detestei. Na verdade qualquer personagem de Duna não é preto no branco. Qualquer lado tem seus propósitos e suas razões. São tão palpáveis que se tornam terrivelmente interessantes.

Das três doutrinas apresentadas, minha preferida é as Bene Gesserit. Afinal é a presença feminina mais ativa e evidente. Com certeza é a ordem mais poderosa, já que a Guilda tem “poderes” limitados e há riscos dos Mentat falharem em seus cálculos. Também simpatizei com os Fremen, mas algumas atitudes e costumes desse povo não me agradaram, principalmente a condição limitada das mulheres fremen.

Grande parte desse volume é denso, lento, mas a escrita do autor é fluída. Decorrente da grande quantidade de dados, o nível que concentração tem que está ao máximo. Além disso, por causa da minha nova rotina, li a passos lentos, mas gostei de caminhar ritmicamente pelas areias de Arrakis e acompanhar o início desta série. Inicialmente tive dificuldade de captar os nomes e seus significados, mas o glossário está lá para nos socorrer. Bem, até agora a complexidade de algumas palavras ainda me escapam, rs.

Achei a leitura bacana, intrigante, surpreendente, me rendeu ótimos debates com meu marido (fã da série), mas não foi um universo que me empolgou. Sim, eu gostei do livro, só tenho elogios e lerei as continuações. Entretanto, faltou um je ne sais quoi.

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Título: Duna
Título original: Dune
Autor: Frank Herbert
Tradução: Maria do Carmo Zanini
Editora: Aleph
Páginas: 544
Ano: 2010

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  • Adaptação Cinematográfica:

Duna-1984

Dirigido por David Lynch, Duna ganhou uma adaptação cinematográfica em 1984. O filme tentou apresentar algo caprichado, mas errou em muitos pontos. A narrativa é atropelada, cansativa e confusa. O espectador que não leu o livro se sente perdido (eu fiquei perdida quando assisti a este filme sem ter lido o livro a uns quatro ou cinco anos atrás). Já quem leu se enfurece com a visão distorcida de alguns elementos. E que final maluco foi aquele?! (O_o) Quem leu Duna sabe do que eu estou falando. Claro que dá para salvar alguma coisa: a introdução presente na versão do diretor (ou versão estendida), a Princesa Irulan narrando à abertura da versão normal (para cinema) – conectando a introdução presente em cada capítulo da obra literária, o figurino das Bene Gesserit e o Paul Atreides interpretado pelo *lindo e talentoso* Kyle MacLachlan (quem não recorda dele em Twin Peaks ^_~). Sinceramente gostei mais do Paul do filme, o achei mais humano. Enfim, recomendo o longa mesmo com seus vários tropeços. Agora a minissérie [2000] garanto que esta não vale à pena, é terrível e completamente deturpada. Um horror! Acreditem em mim.

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4 respostas em “Livro: Duna – Frank Herbert

  1. “Planos dentro planos…”. Adorei seu post Lulu, principalmente por se lembrar do filme, que apear de ruizinho, é a representação visual mais próxima que temos. Não acho o seriado um “horror”, mas realmente é fraco. Duna, na minha opinião, era para ter sido o “Star Wars” que nós temos hoje, o problema é que ele não teve a direção e produção que este recebeu. O livro é como você disse, tem de tomar muito cuidado para não perder nada, pois como ele libera pouco a pouco as informações, se você sem querer pular um parágrafo no capítulo, vc pode perder algo importantíssimo.

    Eu queria ser esse aqui que a menina fala: ehheheheeh

    • Reforço, o seriado [2000] é horrível, descaracterizou a estória toda. A única parte que se salva é a corridinha do Paul e da Jessica no primeiro episódio *hauhauhauhauhau*.

      Concordo, Duna deveria ter levado a fama de Star Wars. Até acho que o George Lucas bebeu dessa fonte.

      Estava tão concentrada lendo esse livro que já poderia ingressar na ordem das Bene Gesserit, rs. Se desviar o olhar da página já perdeu alguma informação.

      Kyle MacLachlan *¬* ~ Ok, pode ser, rs.

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