Livro: A Casa Infernal – Richard Matheson

A Casa Infernal – Richard MathesonEra desconhecido para mim que o filme A Casa da Noite Eterna (1973) tinha sido baseado no romance de Richard Matheson, Hell House, publicado em 1971. Soube desta ótima informação assistindo ao vídeo da articulada Claire Scorzi. Se o filme da década de 70 é excelente, já imaginava a qualidade da obra literária. Bem, sendo Matheson o autor só esperava uma leitura prazerosa.

A uma boa variedade de filmes com a temática casa mal-assombrada, por exemplo, Os Inocentes (1961), Desafio do Além (1963), Terror em Amityville (1979) e seus remakes, A Troca (1980), Poltergeist (1982), Os Outros (2001), O Grito (2004), entre tantos outros. De série de televisão, lembro-me de Rose Red (2002), com roteiro de Stephen King (*creio que o romance de Matheson tenha lhe influenciado*). Mas na literatura não me vem à memória muitos títulos que giram em torno desta temática. Somente o clássico A Outra Volta do Parafuso de Henry James (*recomendadíssimo*), O fantasma de Canterville de Oscar Wilde (*recomendadíssimo*), e um que li na infância, O Fantasma da Meia Noite de Sidney Sheldon. Pesquisando achei o clássico A Assombração da Casa da Colina, de Shirley Jackson, que dizem ter sido referência para a história de Richard. Já fiquei bastante curiosa (^o^).

No primeiro momento da narrativa de A Casa Infernal somos apresentados ao Dr. Lionell Barrett, um respeitado físico especialista em parapsicologia. Seu objetivo de estudo é provar que tais eventos sobrenaturais e mediúnicos têm explicações científicas e lógicas. O cientista é contratado pelo moribundo milionário Rolf Randolph Deutsch para pesquisar os eventos que dizem ocorrer na mansão Belasco e comprovar ou não a possibilidade de existir vida após a morte.

No estado do Maine, Estados Unidos, isolada das outras residências, está à mansão Belasco, conhecida carinhosamente como “A Casa Infernal”, que tem a fama de ser o “Monte Everest” das casas mal-assombradas. Duas expedições (1931 e 1940), concluídas de forma trágica, foram feitas para explicar os estranhos eventos da mansão, que tem uma coleção de histórias violentas.

The-Legend-of-Hell-HouseJunto com o doutor, sua esposa Edith, e dois médiuns, Florence Tanner, uma competente médium mental, e Benjamin Franklin Fischer, este o único sobrevivente da última equipe e que, desde então, manteve sua mente absolutamente fechada para qualquer sensação paranormal, forma o terceiro grupo. Durante uma semana eles deverão responder se a mansão está realmente assombrada, se existe espíritos, se a vida após a morte, ou, se tudo isso não passa de fenômenos parapsicológicos. Após passarem o muro, nem preciso comentar que a semana foi literalmente um inferno para os hospedes de Emeric Belasco.

O autor cria um enfretamento interessante entre a crença distinta de Tanner e Lionell. A médium acredita que sua missão na mansão é libertar os espíritos infelizes que a assombram. Já o doutor prefere confiar em suas ferramentas científicas para provar que os eventos paranormais inexplicáveis encontrados na casa podem ter explicações racionais. Por estarem sujeitos às influências da casa infernal os dois acabam se tornam presas fáceis. Por outro lado, Fischer, um dos maiores médiuns que já existiu (e ainda é), se recusa a usar suas habilidades psíquicas para não ser contaminado pela influência maléfica do “Formidável Gigante”. Se eu estivesse naquela mansão, ia seguir à risca as sugestões do Ben, segui-lo como uma sombra e nunca que eu ia dormir sozinha, rs.

Não é por acaso que Richard Matheson é considerado um dos grandes autores do gênero fantástico do século XX. A narrativa é simples, mas ele descreve as situações com uma suavidade angustiante, crua, assustadora e violenta. São poucos autores que conseguem o efeito do friozinho na espinha. Diferente da obra de Henry James, do qual não sabemos com o que estamos lidando, em A Casa Infernal a ameaça é conhecida e as circunstâncias se tornam solucionáveis, mas nada impede do medo pousar no seu ombro.

Empurre a porta da mansão, se você ousar, A Casa Infernal vai te deixar desconfortável e revelará seus medos mais profundos.

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Título: A Casa Infernal
Título original: Hell House
Autor: Richard Matheson
Tradução: Jaqueline Damásio Valpassos
Editora: Novo Século
Páginas: 256
Ano: 2009

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  • Adaptação Cinematográfica (contém spoiler):

A-Casa-da-Noite-Eterna-[1973]De origem inglesa a adaptação cinematográfica de 1973 é bastante fiel ao romance Richard Matheson. Algumas mudanças na trama podem ser notadas, mas nada que comprometa a narrativa. Comparado ao livro, o Emeric Belasco do filme é um doce de pessoa, rs. O final da película difere das últimas páginas do livro, e acredito que nos minutos finais a voz feminina sussurrando o nome “Belasco” seja o espírito de Florence Tanner que permaneceu aprisionado na mansão.

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6 respostas em “Livro: A Casa Infernal – Richard Matheson

  1. Ficou ótimo, Lulu! A página é linda, e nem por isso o texto é superficial; muito bom. Inclusive pelas tiradas pessoais (“Se eu fosse… Nem ia dormir”).
    O livro da Shirley Jackson é analisado pelo próprio King na sua obra “Dança Macabra”, um livro-ensaio dedicado à literatura de terror e ao cinema do gênero (americano); um excelente livro, na minha opinião.
    Gostei de ser citada! “A articulada..” Olha só, fiquei importante. rs

    • Oi Claire, agradeço a visita e comentário!

      As tiradas pessoais foram acrescentadas, pq pensei nisso quando assisti ao filme e li o livro. Eu tentaria ser uma personagem cautelosa, rs.

      Fiquei bastante interessada no livro da Shirley Jackson. Infelizmente na EV não tem =/ (poderia ser relançado). Acredita que só li um livro do Stephen King! Vou dar uma olhada neste que você indicou ^^.

      Claire, se acostume com os flashes =D

  2. HUUUUUUUuuuuuuu parece boom! Adoro histórias de terror!! Mas levando em consideração que tenho 17 livros para ler na minha estante, o máximo que posso fazer é colocar o livro na lista de desejados! hahaha
    Otima resenha…

  3. Já foi para minha lista! (o correto seria o plural, pq também quero ver o filme).
    Dos livros com essa temática, gostei muito do A outra volta do parafuso e o fantasma de canterville é muito divertido: Wilde é sempre um bom texto.
    Abraço e obrigada por seu email, Lulu! 😉

    • Recomendo ambos! Vou logo avisando que o livro é mais sanguinário que o filme.

      Não inclui ‘A Outra Volta do Parafuso’ na lista, pq até hoje estou indecisa se a paranoia da senhorita Giddens era real (se ela via os fantasmas) ou não. A dualidade e ambiguidade desta obra é incrível!

      De nada, Denise! (^_^)

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