Yuki Kajiura LIVE TOUR vol.#15 〜The Junctions of Fiction 2019〜

Há dois compositores japoneses pelos quais sou apaixonada: os inigualáveis Yokoyama Seiji e Kajiura Yuki. Era um sonho assistir ao concerto dessas duas lendas do cenário musical japonês. Nunca tive a felicidade de ver meu amado Yokoyama (*e nunca terei, infelizmente*), mas por sorte e muito empenho surgiu à oportunidade com Kajiura (*o*).

Meu primeiro contato com o trabalho de Kajiura Yuki foi na adolescência através do anime .hack//SIGN. A belíssima trilha sonora me chamou bastante atenção, então fui pesquisar a respeito da compositora. A partir desse momento nunca mais deixei de acompanhá-la.

Kajiura Yuki (梶浦由記) nasceu em 6 de agosto de 1965 em Tóquio, Japão. Desde a infância sempre teve tendência para música, inclusive tocava piano e criou sua primeira peça musical aos sete anos. Sua família se muda para a Alemanha e ela só retorna ao seu país de origem na adolescência. Antes de iniciar sua carreira musical, a jovem trabalhou como programadora de sistemas de engenharia até 1992. Quando finalmente decide se concentrar na música, Kajiura estreia com a banda See-Saw. Com o fim da banda (que retorna em 2001 e posteriormente em 2019), ela continuou na indústria musical como compositora, criando trilhas sonoras para animes, séries de TV, documentários, comerciais, videogames e para outros artistas. Em 2003 ela fundou o projeto FictionJunction com Yuuka, agregando mais tarde as vocalistas Oda Kaori, Kubota Keiko, Ootaki Wakana e Kaida Yuriko; em 2018 a cantora Joelle entra no grupo e Wakana parte para carreira solo no ano seguinte. Em 2007 inaugura o projeto Kalafina (que terminou suas atividades oficialmente em março de 2019). Até hoje Kajiura desfruta do sucesso contínuo como compositora.

Seu estilo musical é bastante peculiar e único! (*_*) Ela mistura vários gêneros musicais, como clássica, pop, barroco, folclórica, eletrônica, canto gregoriano, rock, experimental, etc. A maioria de suas composições são escritas em japonês ou inglês, mas algumas delas são em alemão ou italiano.

Era um sonho antigo assistir a um concerto de Kajiura Yuki. Lembro que quando importei o primeiro show lançado em DVD do FictionJunction, era algo que eu desejava, mas naquela época inalcançável de ser concretizado. A oportunidade surgiu no contraditório ano de 2019: tínhamos condições financeiras para ir ao Japão e ganhamos o sorteio para ter o direito de comprar nossos ingressos (*o mecanismo de compra de ingressos para concertos no Japão é burocrático. Em linhas gerais, os interessados tem que se cadastrar, participar de uma loteria e ter a sorte de ser sorteado para ter o direito de comprar o ingresso*).

Em meados de junho, em plena tsuyu (temporada de chuvas), partimos para o Japão. Passamos alguns dias em Nagoya visitando cidades próximas e depois seguimos para Tokyo. Após bastante turistar, o show encerra essa viagem incrível (e uma das melhores) com chave de ouro (^_^v).

O Yuki Kajiura LIVE TOUR vol.#15 〜The Junctions of Fiction 2019〜 que assistimos aconteceu na sexta-feira do dia 28 de junho, na capital da província de Chiba (situa-se a cerca de 40 quilômetros a sudeste da Metrópole de Tokyo). Foi à primeira apresentação da turnê, que posteriormente ocorreu em Aichi, Osaka e Tokyo, e internacionalmente passou por Hong Kong e Taiwan.

No dia da apresentação estava quente e abafado. Então fizemos um rápido passeio e voltamos cedo ao hotel para tomar banho e chegar cedo ao local do concerto. Estipulei um tempo seguro para possíveis imprevistos e, além disso, tinha a viagem de trem e uma caminhada de uns 15 a 20 minutos da estação até o concert hall. Se não me engano chegamos com duas horas e meia de antecedência e já tinha bastante gente.

Como era nossa primeira vez em um concerto no Japão, eu fiquei observando tudo que nem uma matuta, hahaha. Estava tentando captar toda aquela experiência nova e tão desejada. Como é conhecido nos concertos japoneses, no local havia uma parte com a venda de itens oficiais e exclusivos da turnê, e do outro lado os enormes buquês de flores dedicados aos músicos. Acontecia também algo especial, um grupo de fãs japoneses estava escrevendo um cartaz dedicado a Keiko com o dizer おかえり (okaeri), que tem como significado: “Seja bem-vinda de volta”. Como disse tinha bastante gente, mas tudo era tão organizado, funcional e sem baderna. Ah, e pela primeira vez eu vi os japoneses mais soltinhos (avistei inúmeros abraços).

Mesmo tendo alguns estrangeiros, ainda assim chamamos atenção. A primeira pessoa que veio falar conosco foi uma moça muito simpática de Hong Kong. A animada P. nos apresentou a outros fãs estrangeiros (da França, do Chile e da China) e nativos. Ainda ganhei mimos: a P. me presenteou com dois marcadores especiais de Natal do Kalafina (*o*) (*marcadores estes que são somente vendidos no concerto*) e um gostoso doce de Hong Kong; enquanto o japonês (*que não recordo o nome. Gomen!*) mimou a todos com suaves docinhos. Muita gentileza da parte deles (^_^). Depois de toda apresentação, fomos convidados a colocar uma mensagem no cartaz que ia ser entregue a Keiko. Então fui lá.

Quanto às comprinhas? Claro que teve! Como era no final da viagem, não tinha muito dinheiro. Entretanto deu pra comprar uma ecobag e dois livros que reúnem entrevistas e outras curiosidades do FictionJunction. Obviamente os livros estão em japonês, mas eu queria ter como lembrança, pois é uma edição exclusiva da turnê (^_^). Ah, no Japão também têm os sacoleiros, tinha gente comprando inúmeros itens e colocando em malas (acredito que para revender).

Quando foi dado o aviso da abertura para entrar na sala (com 5 minutos de atraso. O que nosso amigo chinês residente no Japão disse que era algo raríssimo), o público começou a se organizar em uma fila. Da metade para o final da fila estava bem amontoado. No entanto até mesmo na “muvuca” os japoneses são organizados. Não tinha ninguém empurrando. Isso é algo que fico admirada quando vou lá: a organização.

Localizando nossos assentos (que é aleatoriamente marcado; e que ficava num local muito bom do lado esquerdo do palco), eu fiquei extasiada ao ver o palco com sua decoração sofisticada. Pra falar a verdade eu nem estava acreditando com o presente momento. Para os fãs japoneses que tem fácil acesso aos concertos, minhas palavras podem soar exageradas, mas eu considero esse momento a conquista de um sonho que foi realizado com muito esforço meu e do meu marido (*ao qual agradeço imensamente. Te amo!*).

Finalmente o show começa! A popular Keiko é a primeira a aparecer, cantando com sua voz singular e potente a música [overture~The main theme’s of Kimetsu no Yaiba]. Logo em seguida começa [To Destroy The Evil], Keiko potencializa ainda mais sua voz, o trecho do coral se aproxima então Joelle, Yuriko e Kaori tomam seus lugares e soltam suas vozes em conjunto. Cara, como eu fiquei arrepiada!!! (\^0^/) Iniciar o concerto com músicas tão aguardadas de Kimetsu no Yaiba é pra deixar explícito que a noite será puro júbilo.

Pra ser sincera não me recordo de todas as músicas apresentadas. Primeiro porque eu estava em êxtase (*o*); segundo porque como assisto em demasia os concertos em DVD e Blu-ray minha memória me trola me fazendo crer que vi tudo (>_<); e por fim porque não tinha sentido ficar anotando se o objetivo era aproveitar (^_~). Contudo me lembro com certeza de algumas melodias: [Fake Wings], [I Swear], [Forest], [My Long Forgotten Cloistered Sleep], [Hoshikuzu], [Elemental], [Storytelling], [Fiction], [Vanity], [In the Land of Twilight under the Moon], [Luminous Sword], [stone cold] e inclusive [Liminality] com a cantora convidada Shinada Yuri. Quando começou a tocar [Vanity], com a linda voz de Joelle, eu comecei a chorar. Gosto de todas as músicas da Kajiura, mas [Vanity] é uma das especiais. Ouvi-la ao vivo me emocionou bastante (*_*). Eu praticamente passei os 4 minutos da música chorando, hahaha. Enquanto em [In the Land of Twilight under the Moon] eu me levantei e fiquei cantando toda empolgada (\^o^/ ~ Uma das melhores músicas de .hack//SIGN!!!). Pessoal, sem exagero, a qualidade do som era como se eu estivesse escutando o CD. Muito incrível!

Uma cena curiosa que percebi do público japonês é que quando uma música tem ritmo empolgante algumas pessoas se levantam para mostrar seu entusiasmo. Em contrapartida nas músicas suaves o público fica sentado (*é tão confortável e prazeroso assistir sentado*). Agora não pode ficar em pé o tempo todo, já que atrapalharia os fãs que estão atrás. Eu achei bem interessante essa dinâmica, e particularmente gostei bastante.

No momento do encerramento, a compositora Kajiura Yuki pede ao público que se levantem de seus acentos… Então começa a tocar [stone cold]. Não faz isso com meu coração, hahaha. Foi tão maravilhoso esse momento! (*_*) Todo mundo fazendo a coreografia com as mãos e cantando animadamente (\^o^/). Concerto concluído, palmas eufóricas do público, os músicos agradecem inúmeras vezes e saem do palco. Kajiura é a única a ficar, agradece novamente e pega a toalha que estava usando, assina e joga (*a pessoa que pegou deve ter tido um treco, hahaha*), em seguida se retira dando vários tchauzinhos.

Como não vi nenhum equipamento de filmagem, provavelmente esse concerto não terá sua mídia física (*não sei nos demais locais; mas acredito que não, pois até o momento nada foi divulgado (T_T)*). Como queria uma lembrança desse momento, peguei minha câmera para tirar uma selfie. No entanto a organização esvaziou o ambiente tão rápido que nem deu para tirar uma foto decente (*todas ficaram borradas, pois sim, eu estava tremendo de emoção*). Enfim, assim que saímos, a tsuyu nos aguardava.

As quase três horas de imersão no Yuki Kajiura LIVE TOUR vol.#15 〜The Junctions of Fiction 2019〜 foi extremamente ma-ra-vi-lho-so e sem dúvida memorável. Vou guardar no coração! (*suspirando*) Como foi emocionante ver ao vivo Kajiura Yuki (*o*). Como igualmente Keiko, Yuriko, Kaori e os outros músicos que acompanham a compositora há tantos anos; também foi um prazer conhecer a Joelle. Em suma, realizar este sonho significou muito para mim (^_^). Espero que se repita. Eu gostaria de mais encore.

Artbook: CLAMPノ絵シゴト NORTH SIDE e SOUTH SIDE (1989 – 2002)

CLAMP é um popular grupo feminino de mangakás formado em meados da década de 1980. É composto por Nanase Ohkawa, Mokona, Tsubaki Nekoi e Satsuki Igarashi. O grupo inicialmente tinha onze membros que produziam dōjinshi (publicações independentes) e se tornou o quarteto que conhecemos somente em 1993. Seu trabalho original começou a ser desenvolvido em 1987, e em 1989 elas estreiam com o mangá RG Veda.

Cobrindo suas obras desde a estreia, CLAMPノ絵シゴト North Side e South Side (1989 – 2002) foram publicados originalmente no Japão em 2002 pela editora Kôdansha. Os artbooks são compostos por artes originais, ilustrações de capas e de capítulos, seção sobre como colorizar, one-shot, entrevista com o grupo e no final há um índice das ilustrações apresentadas contendo informações sobre seus contextos de publicação.

Da esquerda para direita: Satsuki Igarashi, Tsubaki Nekoi, Nanase Ohkawa e Mokona.

Para quem aprecia os trabalhos clássicos do CLAMP (*obviamente eu sou uma dessas pessoas*) vai adorar North Side e South Side, pois estão presentes belíssimas ilustrações de Clover, Guerreiras Mágicas de Rayearth, Shunkaden, Miyuki-chan no País das Maravilhas, Gakuen Tokkei Dyukarion, Clamp School Detectives, Suki: Dakara Suki, Wish, CLAMP School Paranormal Investigators, Sôryûden Gengashû, A Pessoa Amada, Shirahime-Syo, Gohou Drug e os meus queridinhos Tokyo Babylon e X-1999 (*_________________*).

Seção Clamp in Wonderland (\*0*/).

Por gostar bastante dos clássicos do grupo CLAMP, principalmente Tokyo Babylon e X-1999, era um desejo ter na estante esses artbooks. Na minha recente visita ao Japão estava desencanada quanto a achá-los por preços e condições atraentes. Afinal, como o grupo é extremamente popular na sua terra natal e no ocidente, a tendência dos artigos de segunda mão, de itens que não são mais fabricados, tende a ser onerosos. Então não acreditei quando vi North Side e South Side tão alcançáveis. Não é exagero revelar que agarrei os livros quando os vi, hahaha. Fiquei realmente feliz quando os consegui (*como sabiamente diz Chun-Li, do Street Fighter: Yatta! (^o^v)*).

DESAFIO LITERÁRIO DO CLÁSSICXS SEM CLASSE 2020

CLÁSSICXS SEM CLASSE é um podcast literário criado pela Juliana Brina, do blog The Blank Garden. Ouvi recentemente aos episódios disponíveis (todos em português) e achei ótimos. A simpática Juliana é uma moça que adora literatura e tem muito conhecimento e desenvoltura para falar do assunto. É sempre agradável ouvi-la! Quem gosta de literatura, recomendo o sem classe podcast (^_~). Atenção! Para quem não tem condições de ouvir o podcast, estão disponíveis as transcrições de cada episódio.

Como o podcast foi tomando forma com a interação entre a criadora e seus ouvintes, a Juliana decidiu criar um desafio literário chamado Bingo Sem Classe!. O desafio tem como objetivo estimular a leitura de clássicos escritos por mulheres pouco lidas, não traduzidas, excluídas do cânone ou esquecidas, bem como clássicos da literatura queer que se encaixem nas categorias do bingo que foram publicados ou comprovadamente escritos até 1980. Todos os livros devem ser lidos no período de 1º de janeiro a 30 de junho de 2020. As regras de como participar do desafio/sorteio estão disponíveis aqui.

Click na imagem para ampliar.

Mesmo com o tempo limitado e as preocupações desse ano, eu gostaria de participar do desafio, então a melhor opção que encontrei é coparticipar. Em outras palavras, não sei se vou conseguir discutir os meus livros escolhidos no Goodreads (*na verdade ainda estou tentando entender à plataforma, hahaha. Sou lerda pra mídias sociais*), e por motivo de eu não saber inglês, não tem fundamento participar do tentador sorteio para concorrer a um livro da editora Persephone Books (*melhor deixar a chance para outro colega leitor que domina o idioma, não é mesmo?! Tenho certeza que o livro será bem aproveitado*). Entretanto, vou tentar pelo menos compartilhar minhas impressões.

Enfim, dentre as fileiras vertical, horizontal ou diagonal da cartela de bingo, escolhi a terceira fileira horizontal: Clássico da literatura portuguesa, Escritora brasileira esquecida, Clássico adaptado para o cinema e Clássico da literatura fantástica. Minhas escolhas foram:

» Clássico da literatura portuguesa: As Máscaras do Destino, da escritora portuguesa Florbela Espanca (1894 – 1930), foi publicado postumamente em 1931. Minha leitura será realizada na edição da editora Martin Claret.

» Escritora brasileira esquecida: A Intrusa, da escritora carioca Júlia Lopes de Almeida (1862 – 1934), foi publicado originalmente em 1908. Minha leitura será realizada na edição da editora Pedrazul.

» Clássico adaptado para o cinema (no caso é uma adaptação para novela): Chama e Cinzas, da escritora carioca Carolina Nabuco (1890 – 1981), foi publicado originalmente em 1947. Minha leitura será realizada na edição da editora Instante.

» Clássico da literatura fantástica: A rainha do Ignoto, da escritora cearense Emília Freitas (1855 – 1908), foi publicado originalmente em 1899. Minha leitura será realizada na edição da editora 106.

Escolhi essa fileira para poder ter mais liberdade de incluir autoras que escreveram originalmente em português, ou seja, no meu idioma nativo. Quis fugir das escritoras do idioma inglês, por exemplo. Dentre as selecionadas, estou bastante ansiosa para ler a conterrânea Emília Freitas.

Em suma, estou animada com minhas escolhas e bastante curiosa para ler e conhecer cada escritora (^_^). E você colega leitor que irá participar, quais foram as suas escolhas para o DESAFIO LITERÁRIO DO CLÁSSICXS SEM CLASSE 2020?