{Turistando no Japão – Parte 03} Parada em Amsterdam (Holanda)

Estação Central de Amsterdam (Amsterdam Centraal Station).

No mês de novembro o blog ficou paradinho. A razão da redução de atividade foi nossas férias em família passadas no Japão. Isso mesmo, pelo terceiro ano consecutivo (^o^v) (*ainda estou devendo postagens dos anos anteriores… Me desculpem (>_<)*).

Antes de chegarmos à terra do sol nascente, fizemos uma rápida parada na capital holandesa. Visitamos o Museu Marítimo Nacional (Het Scheepvaartmuseum), o Museu Van Gogh (Van Gogh Museum) (*meu principal objetivo*) e claro, no percurso para os locais, conhecemos um pouco da cidade.

O Museu Marítimo Nacional (entrada: €16,00 – aproximadamente R$71,36) expõe 500 anos de história marítima, como o mar influenciou a cultura holandesa e como no século XVII, a considerada Idade de Ouro, a República dos Sete Países Baixos era um dos países mais ricos e poderosos do mundo. As peças estão localizadas em três alas diferentes: Norte, Leste e Oeste.

Museu Marítimo Nacional (Het Scheepvaartmuseum).

A parte mais interessante da visita foi conhecer em detalhes as embarcações de diferentes épocas. Também foi bacana perambular dentro da cópia exata do famoso veleiro East Indiaman, que afundou em 1749, mas que foi reconstruído em 1985 a partir de artefatos encontrados no naufrágio, que fornecia detalhes da estrutura, carga e vida a bordo; e que está ancorado ao lado do museu desde 1991.

Engraçado que o Museu Marítimo Nacional concentra uma das maiores coleções marítimas do mundo no famoso edifício Lands Zeemagazijn – datado do século XVII, considerado um exemplo da arquitetura barroca holandesa e que abriga o museu desde 1973 –, mas na minha percepção, para um edifício grande, eu esperava uma coleção maior e não alas tão vagas.

Sem dúvida o melhor de Amsterdam foi o Museu Van Gogh (entrada: €18,00 – aproximadamente R$80,28). Quase não conseguimos comprar os ingressos para o dia, pois tinha esgotado na bilheteria do museu (só podia comprar pela internet) e os staffs desorganizados não indicavam outros locais de venda. Fomos conseguir por acaso numa loja de passeios turísticos parceira do museu há alguns metros do próprio museu (O_o).

Rua charmosa de Amsterdam com árvores outonais.

O Museu Van Gogh apresenta a maior coleção de obras do importante pintor holandês e um dos maiores representantes da pintura pós-impressionista: Vincent van Gogh (1853-1890) ♥. Estão presentes conhecidos quadros como Os Comedores de Batata (1885), O Quarto (1888), Autorretratos (1887 – 1888), Girassóis (1889) e entre outros.

Para completar o acervo, outros quadros desconhecidos, rabiscos, estudos, correspondências, materiais de pintura do próprio Van Gogh, quadros de pintores que o inspirou e quadros de amigos também complementam a coleção do museu. Porém, não dá para sentir que o museu realmente abriga a MAIOR coleção de Vincent van Gogh, já que vimos mais quadros de pintores que inspiraram o artista e de seus amigos que do próprio artista que dá nome ao museu (O_o).

Vi várias pinturas preferidas! Dentre elas gostaria de destacar Flor de Amendoeira (1890), obra dedicada ao sobrinho recém-nascido, o filhinho de Theodorus (Theo), irmão mais novo do artista. Vê-la diante de mim causou uma sensação de comoção e de certa esperança. Ao vivo é uma obra impressionante! (*-*) Também me senti mais ligada às obras de Vincent quando vi de perto sua paixão pelo Japão (*-* ~ ともだち). Van Gogh admirava Katsushika Hokusai e Utagawa Hiroshige, inclusive se inspirou em ukiyo-e dos artistas japoneses (*-*). Sim, muitos olhinhos brilhando, rs.

Outono na Praça dos Museus (Museumplein), Oosterdok e os famosos canais de Amsterdam.

Uma das pinturas que me deixou comovida foi à versão Pietà (1889) de Van Gogh, sendo Cristo retratado com características que lembram o próprio pintor. Se não me falha a memória, na descrição do quadro, Vincent dizia que não era indiferente à fé, que se compadecia e que poderíamos igualmente nos identificar com o sofrimento da figura de cristo.

Ao acompanharmos a vida e evolução como artista nos espaços do museu, nota-se que Vincent van Gogh amava com intensidade a arte. Ele encontrou na pintura um refúgio para suas dores e pensamentos conturbados. É trágico, mas ao mesmo tempo bonito e inspirador o sentir que ele transmite nas suas pinturas. É tudo muito intenso e verdadeiro! ♥

Para os apaixonados por Van Gogh (*-*/), os momentos diante das obras são indescritíveis. Eu somente consigo expressar que as artes e os rascunhos presentes são enriquecedores para os olhos, mas principalmente para a alma. As formas, as cores e os breves pensamentos de Van Gogh me causaram certa identificação com sua figura (^_^).

Museu Van Gogh (Van Gogh Museum) + Souvenir.

Infelizmente não pude registrar esse momento, pois fotos são proibidas (*Que chato isso hein Ç_Ç*). Como lembrança, acabei comprando um livrinho bem bacana com o resumo do acervo limitado do museu. Futuramente vou compartilhar minhas impressões (^_^). Também trouxe um broche, um marca-livro metalizado e um postal. Enfim, numa próxima visita a Holanda gostaria de revisitar o Museu Van Gogh.

Ah, uma coisa que me irrita nos museus europeus (e igualmente nos supermercados) é o pagamento de sacolas (papel ou plástico). Com a baboseira do sustentável, o estabelecimento cobra a mais pela sacola. Ou seja, o “sustentável” não passa simplesmente de um produto lucrativo para essas empresas.

No geral, achei Amsterdam uma cidade cara. Quanto à comida, infelizmente, não vi variedade, as porções eram mixurucas ou murchas. O que nos salvou foi uma lanchonete de comida turca chamada The Döner Company que fica na estação central (*como sempre o pessoal do oriente médio que nos salvam da escassa comida dos europeus do norte*). Delicioso o xauarma e o döner kebab (*¬* ~ Já quero conhecer a Turquia!). Porém, fiquei fã do tradicional doce holandês (e belga) oliebol (*¬*). Enfim, Amsterdam é uma capital charmosa, mas sinceramente, não me apaixonei pela cidade.

Anúncios

6 anos de Lulunettes!

No dia 18 de novembro este modesto cantinho completou 6 anos de existência (\^o^/). Gosto de “comemorar” a data para repetir compartilhar a importância que esse espaço tem para mim; para as minhas leituras (^_^). Também para agradecer aos colegas leitores que visitam e principalmente aqueles que comentam (*obrigada*). É isso. Até logo! (^o^/)

Livro: Assassinatos na Rua Morgue e Outras Histórias – Edgar Allan Poe

Edgar Allan Poe (1809 – 1849) foi um escritor, editor e crítico literário norte-americano. O autor é conhecido por sua poesia e contos de teor macabros e misteriosos. Quem nunca ouviu falar do poema O Corvo (The Raven, 1845)?! Além disso, é considerada uma figura central do romantismo da literatura dos Estados Unidos e também o inventor do gênero de ficção policial. As obras de Poe influenciaram inicialmente escritores da sua terra natal e depois se propagou pelo mundo, inclusive chegando às áreas da ciência e perdurando na cultura popular dos séculos XX e XXI na literatura, música, filmes e televisão.

Assassinatos na Rua Morgue e Outras Histórias, de Edgar Allan Poe, é uma coletânea que inclui seis contos: O Demônio da Perversidade (página 05), Hop-Frog ou os Oito Orangotangos Acorrentados (página 13), Os Fatos que Envolveram o Caso de Mr. Valdemar (página 27), O Gato Preto (página 39), Nunca Aposte sua Cabeça com o Diabo (página 53) e Assassinatos na Rua Morgue (página 67). Coloquei as páginas dos contos, pois na edição da Folha de S.Paulo não há sumário.

O Demônio da Perversidade (título original: The Imp of the Perverse) foi publicado pela primeira vez na edição de julho de 1845 da revista Graham’s Magazine. O conto discute sobre os impulsos autodestrutivos. Sem deixar nenhuma evidência, o narrador assassina a vítima usando uma vela que emite um vapor venenoso. Ele então herda a propriedade do morto e desfruta dos benefícios por anos. Porém um dia, ele se sente atingido por alguma força demoníaca e revela, sem qualquer sentimento de culpa, a verdade.

Ilustração “O Demônio da Perversidade” (1935), de Arthur Rackham.

Hop-Frog ou os Oito Orangotangos Acorrentados (título original: Hop-Frog; Or, the Eight Chained Ourangoutangs) foi publicado pela primeira vez em 17 de março de 1849 no jornal The Flag of Our Union. Narrado em terceira pessoa, o personagem-título, o anão deformado chamado Hop-Frog, foi arrancado de sua terra natal para se tornar Bobo da Corte. Diariamente o rei sem nome humilha o anão e sua melhor amiga – também anã e escrava – a dançarina Trippetta. Nutrindo um forte rancor pelos maus tratos, o protagonista prepara uma vingança. Acredito que o conto discute sobre a coisificação das pessoas, principalmente dos mais fracos.

Os Fatos que Envolveram o Caso de Mr. Valdemar (título original: The Facts in the Case of M. Valdemar) foi publicado simultaneamente pela primeira vez em dezembro de 1845 nos periódicos The American Review: A Whig Journal e Broadway Journal. Narrado em primeira pessoa, o conto relata a tentativa de um entusiasta na hipnose (ou mesmerismo) em evitar a morte do tuberculoso senhor Valdemar cujos dias estão contados. No leito de morte começa um relato perturbador de um corpo que não pode morrer. Para aumentar a autenticidade da ação, é incluído na trama estudantes de medicinas e enfermeiras como testemunhas.

Ilustração “Hop-Frog ou os Oito Orangotangos Acorrentados” (1935), de Arthur Rackham.

O Gato Preto (título original: The Black Cat) foi publicado pela primeira vez em 19 de agosto de 1843 na edição da revista americana The Saturday Evening Post. Narrado em primeira pessoa, o narrador nos conta seu amor e de sua esposa por animais. O casal tem animais de estimação, incluindo um lindo e grande gato preto. A amizade do personagem-narrador com o felino dura anos, até que ele se torna alcoólatra e numa noite maltrata deliberadamente o animal e depois o mata. Então sua casa misteriosamente pega fogo, forçando o narrador, sua esposa e seu servo a fugirem das instalações. Voltando as ruínas ele nota uma aparição de um gato com uma corda em volta do pescoço. A culpa e as ações violentas do narrador o encaminham a uma direção sem volta.

Nunca Aposte sua Cabeça com o Diabo (título original: Never Bet the Devil Your Head) foi publicado pela primeira vez na edição de setembro de 1841 da revista Graham’s Magazine. Criticado por não escrever um conto moral, o narrador começa a contar a história de seu falecido amigo chamado Toby Dammit, o descrevendo como um patife infeliz cheio de vícios. Dammit apostava com constância e sempre repetia as expressões “aposto o que você quiser” ou “aposto tudo o que você tiver coragem” ou “aposto qualquer besteira” ou então “Aposto minha cabeça com o Diabo”. O narrador até tenta salvar o amigo, mas sua degradação e fim são inevitáveis.

Ilustração “Assassinatos na Rua Morgue” (1935), de Arthur Rackham.

Assassinatos na Rua Morgue (título original: The Murders in the Rue Morgue) foi publicado pela primeira vez na edição de abril de 1841 da revista Graham’s Magazine. Protagonizado pelo detetive francês C. Auguste Dupin, o conto narra à resolução do misterioso assassinato de duas mulheres, onde cada testemunha ouviu o suspeito pelas mortes num idioma diferente. Na criação e estreia de seu detetive fictício, Poe é considerado o precursor dos detetives da literatura.

Meus contos preferidos foram Hop-Frog ou os Oito Orangotangos Acorrentados e O Gato Preto. Achei o desenrolar das narrativas e suas conclusões ótimas. Fui fisgada (^_^). Já o conto Os Fatos que Envolveram o Caso de Mr. Valdemar, o interessante são as descrições que enoja por seus detalhes. Porém, no geral, não me senti atraída pela tão comentada escrita poética do Poe. Mas isso pode ser devido uma deficiência da tradução ou mesmo o meu gosto pessoal. Por fim, por reunir vários contos conhecidos, acredito que Assassinatos na Rua Morgue e Outras Histórias é um bom livro para conhecer Edgar Allan Poe.

.

Título: Assassinatos na Rua Morgue e Outras Histórias
Título original: The Murders in the Rue Morgue and Other Stories
Autor: Edgar Allan Poe
Tradução: William Lagos
Editora: Folha de S.Paulo
Páginas: 112
Ano: 2016

.

A leitura de Assassinatos na Rua Morgue e Outras Histórias, de Edgar Allan Poe, faz parte do projeto [TBR Book Jar Nomes da Literatura]. Para acompanhar os demais títulos do projeto recomendo que verifique esta publicação.