{Apreciando um carinho} A Elegância do Ouriço e Caneta Japonesinha

Hoje trago mais um {Apreciando um carinho} cheio de amorzinho ♥. Bem, convenhamos que é sempre cheio de amorzinho receber presentes e mimos fora de época, né! (^_^) Ah, para quem não sabe, o {Apreciando um carinho} é uma forma de agradecer os presentes fora de época que recebo de pessoas queridas.

› A Elegância do Ouriço:

Meus pais iam fazer uma compra de livros na Amazon Brasil. Dai perguntei se seria possível eles incluírem um livro (que estava em promoção) para mim, já que eu só queria esse romance. Quando o livro chegou, eles me presentearam com A Elegância do Ouriço (*-*). Obrigada pelo carinho, mamãe e papai!

› Caneta Japonesinha:

A R. comprou no AliExpress um kit de canetas com design de japonesinhas (ou gueixinhas). Ela me pediu para escolher uma das cores e me deu essa fofura de mimo (*-*). Coloquei a caneta numa caneca que está na minha estante. Embelezou mais o local, rs. Obrigada pelo carinho, R.!

Então, alguém aí recebeu algum presente inesperado?

Livro: Retrato do Artista Quando Jovem – James Joyce

Publicado originalmente em 1914, Retrato do Artista Quando Jovem, do escritor irlandês James Joyce, é um romance de formação com traços autobiográficos que relata os questionamentos das convenções católica e irlandesa de Stephen Dedalus (cujo nome remete ao artesão Dédalo, figura da mitologia grega), sob os quais cresceu em Dublin, capital da Irlanda.

Acompanhamos os dilemas, pensamentos e dúvidas de Stephen Dedalus através dos eventos em que viveu, como sua entrada no colégio jesuíta; o aprendizado dos códigos de comportamento associado ao castigo corporal; embora não compreendesse o seu significado, ele presenciará no jantar de natal com a família uma conversa sobre as tensões sociais, políticas e religiosas envolvendo o político Charles Stewart Parnell, uma figura história que causava polêmica entre os irlandeses; o destaque acadêmico; gasto com prostitutas; o abandono dos prazeres carnais; o remorso; a devoção a deus; problemas familiares e econômicos; uma crise de fé por causa do conflito entre suas crenças espirituais e suas ambições; e por fim, seu exílio autoimposto, por concluir que a Irlanda é muito restrita para permitir que ele se expresse plenamente como artista, mas sem se esquecer de declarar seu vínculo com sua terra natal.

O vocabulário dos relatos de Stephen Dedalus da infância muda à medida que cresce, trazendo uma voz cada vez mais sensível e cheia de sentimentos. Do início ao fim, o leitor experimenta os medos e dúvidas do protagonista. Entretanto a incompreensão do mundo atrás dos olhos do protagonista merece destaque pela forma bem sucedida como foi reproduzida. Há também descrições bastante vivas que trazem uma parcela da crueza da vida, como a humilhação psicológica e física do prefeito dos estudos com os alunos, e da vulnerabilidade da mente humana na descrição minuciosa do inferno cristão.

James Joyce

Mas com toda a honestidade, devo admitir que a leitura do romance de estreia de James Joyce é bastante trabalhosa, se tornando cansativo carregar essas páginas. Não que o livro seja complexo ou confuso, mas acredito que pela necessidade do leitor precisar carregar uma bagagem do entendimento histórico da Irlanda, quanto das questões da relação de país subalterno da Inglaterra, sobre a influência da religião cristã católica no país e também das questões politicas e sociais. Enfim, um estudo da história da Irlanda para aproveitar e compreender os diálogos com aparência incoerente, quanto da riqueza simbólica desenvolvida pelo autor. Do qual eu, infelizmente, não tenho.

Retrato do Artista Quando Jovem, de James Joyce, trás através do olhar de Stephen Dedalus uma mundo escuro e ilegível, cheio de significados e simbologias, mas percorrendo e avançando o labirinto da vida o romance trás uma visão da religião cristã católica e da política irlandesa, como também sobre a arte e a memória. E acredito que muito mais nas suas entrelinhas.

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Título: Retrato do Artista Quando Jovem
Título original: A Portrait of the Artist as a Young Man
Autor: James Joyce
Tradução: Guilherme da Silva Braga
Editora: Folha de S.Paulo
Páginas: 272
Ano: 2016

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A leitura de Retrato do Artista Quando Jovem, de James Joyce, faz parte do projeto [TBR Book Jar Nomes da Literatura]. Para acompanhar os demais títulos do projeto recomendo que verifique esta publicação.

[Cortesia] Editora Estação Liberdade ~ O Garoto do Riquixá

A Editora Estação Liberdade acrescentou recentemente em seu catálogo de Domínio Chinês o romance O Garoto do Riquixá, de Lao She, com tradução de Márcia Schmaltz.

Fiquei contente com a inclusão de um romance chinês na editora, pois havia somente duas edições dos poemas da dinastia Tang, selecionados e ilustrados pela artista Kwong Kuen Shan. Ou seja, o romance de Lao She, que podemos considerar a primeira prosa chinesa do catálogo, deu início às traduções do mandarim pela Editora Estação Liberdade.

Pela sinopse, a narrativa de O Garoto do Riquixá se passa na Beijing dos anos 1920 e 1930, e acompanhará os dramas de Xiangzi. Estou curiosa para ver como o autor retratou esses anos, pois são tempos que carregaram diversos problemas da dominação estrangeira do final do século XIX (como por exemplo, a Inglaterra na venda do ópio); da Primeira Guerra Mundial; e da desunificação do país. Já no momento da trama, será interessante também ver como o autor utilizou fatos históricos, como a ascensão do militar Chiang Kai-shek na liderança do partido conservador chinês Kuomintang, que entra e vence na guerra contra outros Senhores da Guerra; o inicio da Guerra Civil Chinesa; e das tentativas de Kai-shek em erradicar os comunistas chineses. Bem, esses fatos históricos podem simplesmente ter pouca ou nenhuma presença na narrativa. Vamos ver. Estou curiosa (^_^). No mínimo eu espero muito drama.

A leitura de O Garoto do Riquixá será realizada em breve. Por favor, aguardem minhas impressões (^_~).

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O blog Lulunettes recebeu o lançamento O Garoto do Riquixá, de Lao She, de cortesia da Editora Estação Liberdade. Agradeço a confiança neste modesto espaço (^_^).

Livro: Admirável Mundo Novo – Aldous Huxley

Escrito em 1931 por Aldous Huxley e publicado em 1932, Admirável Mundo Novo é um clássico lixo extremamente superestimado da ficção cientifica que narra o controle e manipulação da tecnologia reprodutiva e o condicionamento psicológico da sociedade ocidental.

A população da Londres de 600 depois de Ford é apresentada no romance como uma sociedade organizada com regras e castas definidas. A vida é criada em laboratório e os fetos desenvolvidos pelo Processo Bokanovsky (que permite produzir até noventa e seis seres humanos idênticos). Os embriões recebem doses de ingredientes químicos e estímulos físicos que definirão sua classe social (Alfa, Beta, Gama, Delta e Ípsilon), nível de inteligência e trabalho. Do nascer até a morte, esses indivíduos são condicionados e padronizados fisicamente e psicologicamente, não sendo estimulados a pensar. Em caso de humor abalado, a ingestão do “soma” (droga) é recomendada.

Seguimos inicialmente dois personagens que possuem elementos não presentes na sua casta: o alfa Bernard Marx, que por sua particularidade física e de personalidade ressentida apresenta uma independência de espírito. E a beta Lenina Crowne que levanta questões quanto a sua escolha emocional. Quando Bernard convida Lenina para a visitação da reserva de selvagens no Novo México, lá eles conhecem John e a beta Linda; descobrindo inclusive que Linda é mãe de John. John nasceu e viveu na humilde Malpaís, uma sociedade que ainda pratica o nascimento natural, a vida familiar e a religião.

Eu tinha expectativa quanto ao romance. No entanto, Admirável Mundo Novo não passou de um amontoado verborrágico de moralismo barato de um autor fascista enrustido. Digo fascista enrustido, pois além de um prefácio (publicado desde a edição de 1946) em que o autor se isenta dos horrores causados pela ideologia de extrema direita do qual ele faz parte e por ser uma figura obscurantista que ataca o progresso tecnológico, numa entrevista do programa The Mike Wallace Interview datado de 18 de maio de 1958, Aldous Huxley fala várias besteiras, mas a mais grave entre elas é que o autor mostrou-se um grande defensor da teoria de superpopulação e eugenia. Citando inclusive Harrison Brown, proeminente eugenista, que escreveu em seu livro The Challenge of Man’s Future (1954) ideias como esterilizar ou proibir o acasalamento de pessoas fracas e doentes. Pessoas fracas e doentes, para o autor citado e respeitado por Huxley, são no sentido igual ao de Hitler. Essa prática monstruosa, além de ter acontecido no sistema nazista da Alemanha, nos anos de 1907 a 1963 os Estados Unidos forçou a esterilização de 64 mil pessoas. Engraçado que essas pessoas fracas que portam hereditariedades graves de defeitos físicos ou mentais são somente os pobres. A burguesia e aristocracias estão sempre fora da lista.

Problema de superpopulação inexistiu na época de Huxley e inexiste atualmente. Dementes que defendem a prática da eugenia não passam de direitistas conservadores perigosos. A extrema pobreza do mundo existe devido a uma concentração de renda, onde aqueles 1% detém o que 99% produzem. Engraçado que o tão “consagrado” Aldous Huxley, como outras personalidades fascistas que defendem a mesma teoria, sempre culpam a população e não a prática de seus ideais de extrema direita que colaboram para a miséria e destruição do mundo, reforçando a insanidade do que é o capitalismo.

Ah, e se você brasileiro de classe média que está lendo minhas impressões e concordando com esses absurdos do demente do Huxley, aos olhos da elite da Europa Ocidental e dos Estados Unidos você não passa de um ser inferior. Pode ter certeza que você estaria na lista dos eliminados pelos eugenistas. Então, sugiro carinhosamente para baixar a bola. E para o seu bem, tenha o mínimo de critério para perceber que esse senhor, que deveria ter sido internado, apoiou e divulgou a mais completa loucura da eliminação de pessoas através dos critérios definidos por ele.

Em Admirável Mundo Novo critica-se a estrutura social do período stalinista. Focando no estado sanguinário comunista (no caso socialista) do regime sobre a população. Algumas das criticas no romance são: o controle total do estado sobre a população; alienação; adoração à figura do pai do sistema; a eliminação da instituição família, que inclui a inexistência da monogamia; proibição de livros de ficção, como Shakespeare, e religiosos, como a bíblia; entre outros papos furados.

Huxley critica o controle comunista total do estado sobre a população, mas finge esquecer que os países dominantes da Europa Ocidental e os Estados Unidos, ou seja, países imperialistas que invadiram e invadem todos os recantos do mundo na busca pelo controle de mercados e matérias primas, detém um controle bastante rígido sobre sua população e principalmente sobre os países dominados (como vários países da África, do Oriente Médio e da América Latina). Nem chegando perto da rigidez do estado stalinista. Para quem não conhece estes monstros, uma rápida leitura mostraria que Stalin seria, na melhor das hipóteses, um amador na prática da destruição. Apenas uma França ou Inglaterra, bastiões da “democracia”, tem as mãos sujas de sangue em muitas dezenas de vezes mais.

Quanto à alienação, o Imperialismo é um especialista neste quesito. Sua população anestesiada e condicionada constantemente com propagandas (em filmes, livros, rádio, televisão e internet), criando nelas uma falsa sensação de liberdade, de individualidade e de pensamento próprio. Não estimulando o pensamento critico, o meio condiciona a população a perpetuar ideias que beneficiam a burguesia. E aqueles que vão contra a maré são taxados como insanos. Além disso, a “liberdade” imperialista que o autor britânico tanto defende sempre teve o intuito de destruir, massacrar e roubar países. O que quero dizer é que a “liberdade” pregada pelo eugenista Huxley é da soberania da elite sobre as massas. Nada surpreendente partindo da boca de um membro da aristocracia britânica, ou seja, um autêntico vagabundo e parasita do dinheiro do imposto dos trabalhadores ingleses.

E o mais irônico, o “soma” é peça cativa no cardápio das populações da Europa Ocidental e dos Estados Unidos desde os anos 70. Nunca uma população usou tantos narcóticos como nos tempos de hoje. E ainda mais irônico é que a Inglaterra, país genocida que deu luz a este demente, era e é um dos países que mais atua e se beneficia do tráfico internacional de drogas. Desde o século XIX, a Inglaterra segue nesta nobre tradição do livre mercado; para quem tiver curiosidade pesquisem sobre “Guerra do Ópio”.

Quanto à adoração ou respeito por figuras importantes do sistema, engraçado que nos Estados Unidos não existe de jeito nenhum uma estátua gigantesca de Abraham Lincoln e faces dos presidentes americanos esculpidas no Monte Rushmore, no estado americano de Dakota do Sul. Também inexiste no Reino Unido uma idolatrada e parasitária família real britânica que é sustentada pelo estado até os dias de hoje (*sim, estou sendo sarcástica*).

Socialismo e Comunismo nenhum quer eliminar família. Politicas públicas como planejamento familiar, não é eliminação da família, mas a organização desta. Já o desestimulo a monogamia no romance, o autor esqueceu de que o conceito de monogamia é exclusivo para o gênero feminino. Monogamia masculina nunca existiu desde a criação do sistema de classe.

Quem proíbe livros e impõem uma religião dominante sempre foram os regimes de direita financiados por bancos, indústrias e apoiados pela igreja cristã, como no fascismo e o nazismo. Enfim, como Aldous Huxley fazia parte da classe dominante britânica, que defende a nefasta eliminação das massas até os dias de hoje (o apoio da monarquia britânica ao nazismo é vasto e notório), tem medo do avanço do comunismo, ou seja, do único sistema que destruiria a mamata desses parasitas. Por isso à perseguição e criação de mentiras das mais descabíeis ao comunismo.

E não se engane que a criação e divulgação maciça de mentiras absurdas é uma prática que está viva e bem. O século XXI mostrou diversos exemplos de propagandas destinadas a criar antipatia contra um governo que não quer se curvar ao Imperialismo, gerando consequentemente uma invasão desse país, destruição e roubo de sua riqueza; vide o que aconteceu com Kadafi na Líbia e está acontecendo com Maduro na Venezuela. Ou vamos esquecer também que os Estados Unidos invadiram o Iraque e Afeganistão para levar à deliciosa “democracia”?

Além dessas porcarias travestidas de criticas, todos os personagens são totalmente desinteressantes e mal construídos. É impossível ter simpatia por alguns deles. John, o pior de todos (*o comportamento dele com Lenina foi uma coisa horrorosa que me fez detestá-lo ainda mais*), não passou de um personagem fanático e confuso. Na verdade a narrativa como um todo é decepcionante, sem vigor e pessimamente trabalhada. Sem duvida um dos piores livros que já li na vida.

Lamento que um romance tão decadente esteja no patamar dos clássicos da ficção cientifica. É de se lamentar também que um eugenista assumido seja idolatrado como uma grande mente em favor da liberdade. Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, não passa de um escrito entediante, de péssima qualidade e nada transcendente.

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Título: Admirável Mundo Novo
Título original: Brave New World
Autor: Aldous Huxley
Tradução: Lino Vallandro e Vidal Serrano
Editora: Folha de S.Paulo
Páginas: 256
Ano: 2016

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A leitura de Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, faz parte do projeto [TBR Book Jar Nomes da Literatura]. Para acompanhar os demais títulos do projeto recomendo que verifique esta publicação.