Livro: Os Sofrimentos do Jovem Werther – Johann Wolfgang von Goethe

Considerado um marco do Romantismo, o romance de estrutura epistolar do escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe, intitulado Os Sofrimentos do Jovem Werther, foi publicado originalmente em 1774 na famosa feira do livro de Leipzig. Sendo o romance de estreia de Goethe, a obra trouxe desde seu lançamento uma considerável riqueza e notoriedade ao autor no seu país natal e depois em toda a Europa.

O enredo apresenta teor autobiográfico e narra à paixão profunda que Werther sente por Charlotte, uma jovem carinhosa, espirituosa e comprometida com Albert. Através das cartas que o protagonista escreve regularmente ao amigo Wilhelm, acompanhamos seus sentimentos obscuros e obsessivos que nos mostram como sua vida tem somente sentido com a presença da doce moça. Goethe retrata com exatidão o caráter e os sentimentos exaltados do sensível jovem Werther, uma figura da alta aristocracia germânica que vai com sua atitude final contra as regras e a moral de sua classe. Por essas características profundas, pode acontecer de algumas almas mais sensíveis serem marcadas por essas palavras, trazendo a tona sujeitos “influenciados” por este livro. Foi o que supostamente aconteceu no século XVIII, quando uma onda de suicídios assolou a Europa.

Quanto ao tom da escrita que Johann Wolfgang von Goethe empresta a Werther, é uma mistura de inocência, esperança e pessimismo. O estilo lírico do autor alemão também trás um preenchimento excessivo dos sentimentos que exaltam com a revelação dos impulsos do protagonista.

De minha parte, a curiosidade de ler o clássico de Goethe veio através da menção à obra no romance maravilhoso de Mary Shelley, Frankenstein. Por conta disso, a expectativa estava altíssima. Algumas passagens do romance epistolar são bem bonitas e eu ansiava por mergulhar nas lamentações de Werther, mas admito que não me senti tão absorvida. No entanto pretendo retornar a obra daqui a algum tempo. Acho que vale uma releitura.

A primeira vista Os Sofrimentos do Jovem Werther, de Johann Wolfgang von Goethe, pode parecer plano, antiquado e até entediante. Mas para entender a ingenuidade, a franqueza, a estranheza e o hiperbolismo expresso em tudo que Werther faz ou diz, é necessário coloca-se no contexto da época e compreender o grande efeito que este pequeno livro causou.

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Título: Os Sofrimentos do Jovem Werther
Título original: Die Leiden des Jungen Werthers
Autor: Johann Wolfgang von Goethe
Tradução: Marcelo Backes
Editora: Folha de S.Paulo
Páginas: 144
Ano: 2016

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A leitura de Os Sofrimentos do Jovem Werther, de Johan Wolfgang von Goethe, faz parte do projeto [TBR Book Jar Nomes da Literatura]. Para acompanhar os demais títulos do projeto recomendo que verifique esta publicação.

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Livro: O Ano do Dilúvio – Margaret Atwood

O Ano do Dilúvio, de Margaret Atwood, foi publicado originalmente em 2009 e faz parte da trilogia apocalíptica MaddAddam (composta por Oryx e Crake, O Ano do Dilúvio e MaddAddam – o ultimo livro com previsão de lançamento no Brasil, mas sem data confirmada). A leitura desse romance incrível é referente ao projeto Lendo Margaret Atwood, do qual faço em conjunto com a Michelle (clique aqui para ler as impressões da Mi).

O romance foca nas histórias de duas integrantes, Toby e Ren, da pequena seita ecológico-religiosa chamada Jardineiros de Deus. A prática religiosa do grupo combina dogmas do cristianismo em conjunto com alguns métodos científicos e com o regime alimentar vegetariano. O objetivo dos membros é na tentativa de restaurar o equilíbrio da natureza na proteção das criaturas de Deus, o fim do desperdício e a adaptação e reutilização dos recursos naturais. Como toda seita que se preze, o líder, autointitulado Adão Um, prever um desastre, o “Dilúvio Seco”, que dizimará a população da Terra.

A narrativa, que em grande parte é contada através dos flashbacks das protagonistas, é focada com crueza na perspectiva da classe mais baixa. Margaret Atwood mostra a degradação desenfreada dessa sociedade manipulada por uma gigante corporação que controla o mínimo aspecto da vida dos cidadãos úteis, enquanto que descarta sem piedade aqueles que não têm serventia para seus propósitos. A vida dos desfavorecidos é em meio à violência e podridão; e as mulheres ainda ganham o bônus do abuso de seus corpos. Diante dessa realidade miserável, onde o ato de viver é praticamente insuportável, seitas bizarras pipocam e sondam os desesperados por salvação.

No Dia da Criação, cinco anos atrás, este nosso terraço florido do jardim do Edencliff não passava de um terreno baldio abrasador, cercado pelos bairros miseráveis da cidade e pelos covis de malfeitores, mas agora ele floresceu como a rosa.
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Cultivando esses terraços abandonados, estamos fazendo uma pequena parte na redenção da criação de Deus, em meio à decadência e à infertilidade que nos rodeia, e tendo a chance de nos nutrirmos com alimentos não poluídos. Alguns consideram nossos esforços fúteis, mas se todos seguissem nosso exemplo, poderíamos operar uma grande mudança nesse nosso amado planeta. Ainda temos muito trabalho à frente, mas não se intimidem, meus amigos; nós seguiremos em frente, bravamente. (p. 23)

Em Oryx e Crake os Jardineiros de Deus são mencionados, mas para mim foi uma surpresa ver que as personagens do romance anterior estão entrelaçadas aos eventos e personagens de O Ano do Dilúvio. Inicialmente eu pensei que, mesmo sendo uma trilogia, as obras seriam independentes, focando nas perspectivas das distintas classes nesse cenário de deterioração. Adorei a forma cuidadosa que a escritora canadense mesclou às duas narrativas (^_^).

Achei curioso Atwood trazer a tona o vegetarianismo em união com a religião. Relação esta bastante antiga! Sendo uma característica da seita do romance, acabei me lembrando de um fato do século XIX, quando a Europa enfrentava uma instabilidade socioeconômica. Nesse cenário surgiram seitas vegetarianas (e do amor livre) entre a pequena-burguesia, que acreditava que os problemas se resumiam as questões individuais.

Assim como os cultos, o vegetarianismo surge com a degradação social e econômica. Pelo seu caráter de “superioridade moral”, liga-se facilmente aos dogmas ou ideologias, como por exemplo, o Jainismo (uma das religiões mais antigas da Índia), o movimento fascistóide dos alemães Bernhard Förster e Elisabeth Förster-Nietzsche (casal que emigrou para o Paraguai e fundou a Nueva Germania para pôr em prática ideias utópicas sobre o vegetarianismo e a superioridade da raça ariana) e tantos outros. No romance os jardineiros apresentam tal característica, ou seja, se sentem superiores em relação aos outros.

Não que Lucerne não tivesse tentado. Ela bem que se dispôs a ser uma pessoa responsável, acreditando que Adão Um estava certo a respeito de muitas coisas e amando os animais como ninguém, mas o fato é que havia um limite e ela não podia acreditar, por exemplo, que minhocas tivessem um sistema nervoso central, e dizer que tinham alma era zombar da própria ideia de alma, e isso a magoava porque ninguém tinha mais respeito pela alma que ela, até porque sempre fora muito espiritualizada. E quanto a salvar o mundo, ninguém queria salvar o mundo mais do que ela, e por mais que os jardineiros se privassem de comida, de roupas e até de banhos, por mais que se sentissem superiores em poder e virtude em relação a todos os outros, na prática isso não mudaria nada. Eles eram muito parecidos com aquelas pessoas que se auto-flagelavam na Idade Média — os tais dos flagrantes.
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— Flagelantes — corrigiu Toby na primeira vez que surgiu o assunto. (p. 133 e 134)

Engraçado que atualmente, com a visível falência do sistema Capitalista, o sustentável, o ecológico e o vegetarianismo / veganismo voltaram à tona na Europa Ocidental e nos Estados Unidos, e foi ganhando destaque em vários setores do mercado mundial. Inclusive uma moda importada para o Brasil – que por ter status de semicolônia, são um dos imitadores profissionais e acríticos das loucuras dos norte-americanos e europeus – e apreciada pela pequena-burguesia local.

O apoio dos monopólios é bastante suspeito e falso nessa empreitada (O_o). Digo falso, porque as corporações que detém os meios de produção fazem o trabalho de poluir mares e rios, infertilizar solos, gastam altíssimas porcentagens de água potável nas atividades agropecuárias (70%) e industriais (22%), despejam lixo comum e eletrônico no continente africano, desperdiça componentes limitados dos eletrônicos, grandes farmacêuticas usam cada vez mais nações pobres para testar seus remédios e entre outras mazelas. Então onde está a ação sustentável dessas empresas? Normalmente a grande mídia capacho afirma que a culpa da devastação do meio ambiente está na falta de conscientização da população e os sondam a ações irrelevantes para a “melhoria” da natureza. Lembre-se que no capitalismo os monopólios não dão ponto sem nó, eles sempre visam o lucro e o controle.

Quanto ao sofrimento dos animais, convenhamos que não será um simples vegetarianismo ou veganismo que irá salvá-los desse inferno na terra. A perspectiva de um cenário que lhes deem alguma dignidade, somente com a destruição do nefasto modo de produção capitalista. Ou seja, não é compatível e é completamente incoerente defender o bem-estar dos animais ao mesmo tempo em que apoia o capitalismo.

— O pai do garoto era amigo da Pilar… Ela trabalhava para a HelthWizer, no setor de genética botânica. Eu os conheci nessa época. Mas ele começou a se sentir infeliz quando se deu conta de que as pessoas estavam adoecendo com as pílulas de suprimentos vitamínicos que eles produziam… As pessoas eram usadas como cobaias de laboratório com o fim de desenvolver tratamentos para essas mesmas doenças. Uma jogada inteligente que pagava muito bem pela porcaria que eles causavam. O cara começou a ficar com a consciência pesada. E passou a nos dar algumas informações importantes. Até que ele sofreu um acidente. (p. 272)

É fato que o surgimento de cultos bizarros acaba acontecendo numa realidade onde os recursos materiais estão escassos e onde há notória concentração de renda. Normalmente os organizadores dessas seitas (que na sua esmagadora maioria são um bando de desonestos e manipuladores) necessitam de uma população ignorante e desesperada para melhor domá-los. Agora a diferença que nota-se do mundo real com a ficção que a autora apresenta, é que o vegetarianismo hardcore dos Jardineiros de Deus me pareceu mais uma ação de prevenção e de oposição aos alimentos de origem duvidosa que são comercializados na sarjeta. Afinal, um grupo organizado conseguir produzir uma considerável quantidade de alimento num ambiente de escassez é um ponto positivo. Mesmo sendo uma estranha e contraditória seita, os vi mais como uma mínima organização que resiste ao sistema.

Um ponto que gostaria de salientar é a desenvoltura marcante na construção das heroínas e das demais personagens. Atwood teve o cuidado de caracterizá-las através do prisma de sua vida interior, sendo capaz de examinar todas as facetas da solidão, das dúvidas espirituais, do condicionamento, do desconforto com o confinamento e nas relações com os outros. Também merece destaque o ritmo dinâmico da estrutura dos capítulos que relaciona os fatos com as celebrações dos santos presentes na seita (*para mim, um dos grandes talentos da escritora é a organização instigante dos capítulos*). Quanto à escrita, como sempre deliciosa e viciante (*-*).

A CorpSeCorps poderia ter reprimido os tumultos causados pelo Happicuppa. Seus homens poderiam ter atirado em muita gente com as armas de spray, até nos jornalistas que cobriam o evento. Nem por isso a cobertura de tais eventos era completamente impedida, uma vez que as câmeras dos celulares eram acionadas. Então, por que a CorpSeCorps não agia abertamente, por que não atacava os oponentes à vista de todos e impunha a lei do totalitarismo de modo patente, já que era a única a portar armas? Depois de privatizada, a corporação estava se tornando um exército.
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Uma vez Toby colocou essa questão para Zeb. Argumentou que oficialmente eles eram uma corporação de segurança privada utilizada por outras corporações que ainda queriam ser vistas como honestas e confiáveis, amistosas como margaridas, desinteressadas como coelhinhos. Essas corporações não suportariam ser vistas pelos consumidores como mentirosas e insensíveis, como açougueiros tirânicos. (p. 296)

Antes de concluir minhas impressões, acabei esbarrando num vídeo onde Atwood apresenta sua trilogia. Num breve trecho ela compara a Coreia do Norte com uma distopia (O_o). Margaret Atwood, eu te adoro! Você é uma das minhas autoras favoritas. Mas nessa não tem como te defender. Que mancada! (¬_¬) Vamos lá… Os Estados Unidos exterminou mais de três milhões de coreanos, destruiu literalmente o país, o ameaçou com bomba atômica, o dividiu em duas partes e tantas outras violências. Até hoje a República Popular Democrática da Coreia (RPDC) é difamada mundialmente e constantemente ameaçada de invasão. A RPDC tem razões plausíveis na sua defesa contra o Imperialismo. É bom lembrar também que a RPDC não é esse certo país que há mais de um século invade, destrói, rouba, manipula e extermina países que se opõe aos seus caprichos; e que inclusive o Canadá bate palmas, ajuda e usufrui de tal parceria.

Em suma, O Ano do Dilúvio, de Margaret Atwood, é mergulhar, até certo nível, em questões sociológicas, religiosas, econômicas e políticas. Uma excelente e aterrorizadora ficção documentada que tremula com o realismo. Eu simplesmente adorei! (…) Por fim, não vejo a hora de ler MaddAddam, o último romance da trilogia.

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Título: O Ano do Dilúvio
Título original: The Year of the Flood
Autora: Margaret Atwood
Tradução: Marcia Frazão
Editora: Rocco
Páginas: 472
Ano: 2011

Livro: O Crime do Padre Amaro – Eça de Queirós

Escrito em 1871, lido para alguns amigos em 1872 e publicado em 1874, O Crime do Padre Amaro, de Eça de Queirós, é um romance que surgiu pela experiência do autor ao visitar Leiria, uma típica cidade interiorana de Portugal. Lá ele percebeu que o Clero abusava do poder para controlar a população local. Os clérigos em questão eram corruptos, hipócritas, tinham amantes e mantinham outros vícios sociais. Por outro lado os nativos percebiam tal controle e (tendo ou não escolha) compactuavam passivamente com esse cenário. Porém Eça acreditava que se uma sociedade percebe os mandos e desmandos de um poder maior que as prejudica, em algum momento uma reflexão profunda acontece e haverá uma revolta.

O romance se passa na metade do século XIX, tendo como protagonista o Padre Amaro Vieira recém-chegado a Leiria, uma cidade localizada a uns cento e vinte quilômetros de Lisboa. Sendo o novo pároco do local, o jovem padre aproveita sua boa posição na residência de São Joaneira (beata e amante do Cônego Dias) e de sua linda filha Amélia. No decorrer da narrativa conhecemos as circunstâncias que forçara Amaro a seguir o caminho religioso. Mesmo carregando essa frustração, ele também sabe como tirar proveito de sua posição, especialmente quando o assunto são mulheres.

Por falta de controle e o mínimo de ética, Padre Amaro encontra na devota e sensível Amélia uma vítima promissora para seus caprichos. Conseguindo facilmente persuadi-la, afinal a moça nutria sentimentos por Amaro, eles começam uma relação proibida. O padre sente forte desejo pela jovem e uma pequena inquietação com a situação. Seus sentimentos nunca passam disso, e sua real preocupação é na carreira da Igreja.

A Confissão (1838), do pintor italiano Giuseppe Molteni.

A situação começa a esquentar quando João Eduardo, o noivo de Amélia, nota o fascínio que ela nutre pelo Padre Amaro. João então começa uma luta anticlerical, que o incentiva a escrever anonimamente o artigo que aponta os comportamentos imorais dos vários padres de Leiria. Inicialmente João triunfa, forçando o afastamento de Amaro. Contudo é descoberta a autoria do texto e João Eduardo sofre as consequências.

A relação de Amaro e Amélia trás um resultado previsível: o fruto. Para o problema indesejado o clero apresentam soluções ao padre. Tendo o seu destino nas mãos dos representantes da Igreja Católica, Amélia enfrenta o isolamento e, por fim, a morte dela e do recém-nascido. Enquanto que a jovem é punida pelos impostores do poder vigente, o Padre Amaro sai ileso desse crime, deixando um rastro de vidas arruinadas atrás dele.

É de conhecimento histórico e popular a conduta hipócrita do clero da Igreja Católica. Padres, arcebispos, cardeais e até o cargo supremo, os Papas, tinham suas inúmeras amantes e filhos bastardos; e também casos de pedofilia. Como uma instituição poderosa, a Igreja visa o poder e o controle sobre a política. Tendo isso em mãos, ela molda o sistema para os seus interesses políticos. Um exemplo claro disso, e que perdura até a atualidade, é a proibição do aborto em países da América Latina. O Papa Pop, apoiador e participante da sangrenta ditadura militar argentina, ameaçou políticos a favor do avanço desse direito básico das mulheres. Deixo abaixo um excelente vídeo do Rui Costa Pimenta (presidente do PCO) que contextualiza a situação da atualidade:

Como se pode notar, O Crime do Padre Amaro é uma obra que trata de uma sociedade onde uma instituição religiosa, no caso a Igreja Católica, desempenha um papel significativo e influente nas questões sociais e políticas daquela população. Entretanto, mesmo Amaro fazendo várias coisas desprezíveis, é um personagem que o leitor pode nutrir certa simpatia, porque abraçou o sacerdócio por imposição de sua protetora e não por vocação. Afinal percebe-se que Eça o trata como uma alma medíocre que lhe trazem consequências, e não como simplesmente o único mal. O autor português na verdade denuncia a Igreja, ou seja, a instituição que manda e desmanda e que afunda os mais fracos.

Antes de finalizar, Queirós foi acusado nesta sua primeira obra de imitar a trama do escritor francês Émile Zola, La Faute de l’abbé Moure (1875). No prefácio da terceira edição, publicado em 1º de Janeiro de 1880, o escritor português esclarece que a imitação é infundada por não apresentar nenhuma prova efetiva e compara a publicação de ambos os romances. Estranho acusar Eça ou Zola, afinal a imoralidade do clero não era nada incomum e muito menos um caso isolado. Observação: há uma publicação anterior a de O Crime do Padre Amaro, O Mistério da Estrada de Sintra – publicado no formato folhetim em 1870 e na versão livro em 1884 – que aconteceu em conjunto com o escritor Ramalho Ortigão. Então me refiro à estreia solo do Eça como autor.

Por fim, o polêmico romance português O Crime do Padre Amaro, de José Maria Eça de Queirós, é uma obra admirável pela capacidade do autor em combinar uma experiência pessoal e transformar numa narrativa com inúmeras sátiras sociais. Para completar o elogio, a escrita de Eça, que flui com naturalidade, é ao mesmo tempo sofisticada e acessível. Não vejo a hora de revê-lo.

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Título: O Crime do Padre Amaro
Autor: Eça de Queirós
Editora: Folha de S.Paulo
Páginas: 470
Ano: 2016

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A leitura de O Crime do Padre Amaro, de Eça de Queirós, faz parte do projeto [TBR Book Jar Nomes da Literatura]. Para acompanhar os demais títulos do projeto recomendo que verifique esta publicação.