Livro: A Dançarina de Izu – Yasunari Kawabata

A Dançarina de Izu é uma das primeiras obras publicada de Yasunari Kawabata, lançada originalmente em 1926. A novela se baseia numa memória lírica do autor japonês quando ele tinha 19 anos. A experiência do jovem Kawabata aconteceu em 1918 na península montanhosa de Izu, uma região que fica a oeste de Tóquio, ao encontra-se com um grupo de artistas itinerantes.

Por ser uma narrativa curta, o ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1968, descreve de forma simples e direta a viagem a pé do estudante, com também dezenove anos, na península ainda selvagem e intocada de Izu. No caminho, ao fazer amizade com uma trupe de artistas, o estudante se junta a eles. Durante toda a viagem, ele descreve os pequenos eventos, como as discussões, as refeições, as paradas para descanso, à noite na hospedaria até a chegada ao destino que os separará. Dentre os integrantes do grupo, o protagonista se afeiçoa a pequena dançarina Kaoru, de treze anos.

A escrita maravilhosa de Kawabata trás uma aura natural a essa prosa. Tornando fino e preciso as descrições da paisagem, dos momentos da viagem e principalmente dos pequenos gestos. Esta simplicidade dá um caráter mais profundo à obra, pois ainda que modesta, o autor nos faz sentir neste texto tão breve uma gama de sensações sobre o amor nascente, a sexualidade velada, a solidão, a dor da separação inevitável, a complexidade das relações familiares, a realidade impiedosa das hierarquias sociais, a energia juvenil e como também a impotência da idade avançada.

Koi no hana saku Izu no odoriko, 1933 (恋の花咲く伊豆の踊子)

Por A Dançarina de Izu ser querida e popular no Japão até os dias de hoje, existem inúmeras adaptações cinematográficas e para televisão, sendo a primeira o filme mudo de 1933, com direção de Heinosuke Gosho e tendo Kinuyo Tanaka no papel da pequena dançarina. Para quem não sabe, Tanaka teve uma carreira de mais de 50 anos com mais de 250 filmes creditados, atuando como atriz ou como diretora. Ela é conhecida por seus papéis em sua longa colaboração com o diretor Kenji Mizoguchi ♥. Kinuyo é maravilhosa ♥. Eu adoro a atuação dela em A Mulher Infame (Uwasa no Onna, 1954).

Não bastassem as adaptações, o trem expresso de Tóquio para a Península de Izu é conhecido como Odoriko (dançarina) e na base da cachoeira Shokei há várias estatuas em homenagem a obra.

Nesta edição da Estação Liberdade traz um excelente estudo da professora Meiko Shimon, especialista na obra de Yasunari Kawabata. O texto traça um panorama da trajetória de Yasunari, destacando também pontos importantes de sua figura como escritor e suas obras. Amo este tipo de material nos livros. Tanto por enriquecer a leitura, como nos guiar a compreender as referências.

Essa é minha segunda leitura de A Dançarina de Izu. A primeira, se não me engano, foi há nove anos. Como faz tempo. Por não ter tanta bagagem literária, mesmo gostando bastante da novela, eu acabei não sentido tanto a poesia singela e significativa dessa narrativa. Agora com mais experiência, nesta releitura consegui alcançar mais a obra e os sentimentos nostálgicos de Yasunari Kawabata.

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Título: A Dançarina de Izu
Título original: Izu no Odoriko, 伊豆の踊り子
Autor: Yasunari Kawabata
Tradução: Carlos Hiroshi Usirono
Estudo acadêmico: Meiko Shimon
Editora: Estação Liberdade
Páginas: 112
Ano: 2008

Livro: Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres – Clarice Lispector

Publicado originalmente 1969, Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres, de Clarice Lispector, trás a narrativa conturbada da professora primária Loreley (Lóri) e de seu relacionamento com o professor de filosofia Ulisses. Mesmo com interesse mutuo, os dois procuram descobrir como amar. Neste fluxo de consciência apresentado por Lóri, vamos descobrindo nas conversas dela consigo mesma e entre ela e Ulisses, sua autodescoberta e a preparação para esse prazer natural.

Com um fluxo de pensamento agitado, o sexto romance de Lispector, ambientado no Rio de Janeiro, mostra através de sua confusa protagonista e na relação que ela busca com este homem, momentos banais, mas que exibe em sua essência um clima de busca para o mundo e de si mesma. Por ser um romance que parte de elementos autobiográficos, a autora tece o fio dessa história de amor experimentando e conduzindo um clima de ritual.

Loreley é uma mulher que vive em seu próprio mundo e que sente uma grande dificuldade em viver. Ela tolera a vida e por causa disso carrega uma forte dor dentro de si; até nos mínimos bons sentimentos ela se estrangula com intensidade. Vinda de uma família abastada e possuindo uma independência financeira, ainda assim Lóri sentia-se insatisfeita com sua realidade. Durante todo o romance ela tenta se autodescobrir e apreender a viver. E vê em Ulisses uma ferramenta para esse próprio aprendizado. De viver apesar de.

Sinceramente, achei a narrativa enfadonha. Essa busca de Lóri em encontrar um propósito, filosofando até na cor de uma simples batata, não passa de almejar uma ilusão. Como nossa protagonista não tem objetivo ou significado de vida, ela se frustra com a falta de tal peça. Convenhamos que esses problemas existências, ainda mais dessa natureza, existem num setor de uma classe materialmente estável. Tenho certeza que esses pensamentos confusos e frustrados fossem diferentes em outra realidade com condições materiais limitadas. Acho que por isso não curti, é choradeira e hiperbolismo demais. A vida é algo mais simples do que parece. O que a torna difícil, e consequentemente deixa as pessoas perdidas ou frustradas, é por viver num sistema injusto e individualista.

Por outro lado, apreciei a escrita sofisticada de Clarice Lispector e de como ela brinca com as palavras em conjunto com a narrativa. É bonita a poesia, os significados e as alegorias em torno do constante aprendizado da protagonista. Não diria que Lispector tem um estilo ousado e nem fora do comum, mas um estilo próprio, uma tradução do que se passa na mente dela. Achei sensacional o curioso elemento de a obra começar com uma vírgula (,) e terminar com dois pontos (:). Que além de repassar o constante aprendizado de Lóri, que provavelmente seja eterno, revela que o fluxo de pensamento, o ato de refletir sobre, trás certa “desorganização”.

Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres foi meu primeiro contato com Clarice Lispector. Posso ter me decepcionado com a trama, mas a curiosidade com os outros escritos da autora nascida na Ucrânia e naturalizada brasileira só aumentou.

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Título: Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres
Autora: Clarice Lispector
Editora: Folha de S.Paulo
Páginas: 144
Ano: 2016

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A leitura de Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres, de Clarice Lispector, faz parte do projeto [TBR Book Jar Nomes da Literatura]. Para acompanhar os demais títulos do projeto recomendo que verifique esta publicação.

{Apreciando um carinho} O Sol e o Peixe, Senhor das Moscas e A Hora da Estrela

Hoje trago um {Apreciando um carinho} transbordando de amor ♥. Reforço o ~ transbordando ~, pois quando o humano digno do seu amor lhe dá livros, é de fazer o coração acelerar e o rosto corar, (=^o^=) hahahaha.

Meu honorável marido me presenteou com três romances desejados: O Sol e o Peixe, Senhor das Moscas e A Hora da Estrela.

» O Sol e o Peixe, de Virginia Woolf ~ A descrição dessa coletânea de título curioso, O Sol e o Peixe, chama bastante minha atenção por apresentar nove prosas dos mais variados assuntos; dos mais variados pensamentos de Virginia Woolf. Dos escritos de Virginia deve-se esperar coisa boa. E que capa linda!

» Senhor das Moscas, William Golding ~ Senhor das Moscas é considerado um dos romances essenciais da literatura mundial. Há algum tempo tenho curiosidade de ler a obra clássica de William Golding, pois além da sinopse ser instigante, o contexto em que o livro foi escrito aumenta ainda mais essa vontade.

» A Hora da Estrela, de Clarice Lispector ~ O romance mais popular de Clarice Lispector completa 40 anos em outubro deste ano. A Hora da Estrela ganhou uma edição comemorativa com trabalho gráfico sofisticado e variados anexos curiosos que sem dúvida complementaram a experiência de leitura.

Estou muito feliz com os novos livros (^_^). Muito obrigada pelos presentes, mon amour! Te amo! ♥

{Turistando no Japão} A realização de um sonho ♥

Programamos nossa viagem ao Japão, eu, meu marido e um queridíssimo casal de amigos, há uns dois anos. Inicialmente eu pensei que não conseguiríamos por ser uma viagem custosa e burocrática. E é. Muito! Porém com muita organização e esforço tudo avançou com sucesso. Eu sentia que estava cada vez mais próxima de realizar um dos sonhos da minha vida: conhecer o Japão.

Fomos em outubro de 2016, estação outono, e passamos dezessete dias em solo japonês. Estou descontando as mais de 60 horas entre voos e conexões da ida como da volta cruzando o globo, pois são dias extremamente cansativos, com momentos estressantes e dos tipos de voos que deram medinho.

Nosso primeiro contato com o Japão foi logo dentro do avião, acredito que faltando uns 30 minutos para pousar no Aeroporto Internacional de Narita. Recebemos as boas-vindas do vulcão ativo Monte Fuji.

Recebidos por Fuji-san (富士山).

Dizem ao turista que viaja a terra do sol nascente a seguinte superstição: caso ele aviste, de qualquer local, o Monte Fuji, sua volta ao Nihon está garantida. Será? Espero que sim!

Buscando em minha (fraca) memória, não recordo onde li sobre isso. Só sei que fiquei imensamente feliz ao avistar o Fuji-san. Nem tinha pisado em solo japonês e o Fuji já estava timidamente lá, nos recebendo e adiantando nossa volta (^_^).

Depois de passar pela burocrática imigração e pegar nossa internet, pernoitamos no hotel da cidade de Narita, localizada na província de Chiba. Lá conheci e comprei minha primeira comida de muitas do Konbini (a tal loja de conveniência japonesa). Pensem num local com comida boa e em conta. No dia seguinte, bem cedinho, partimos para Kyoto por Shinkansen (trem-bala).

Kyoto (京都市)

Nossos dias em Kyoto foram incríveis! (*-*) Dizer que me apaixonei pela cidade não é exagero. Kyoto é encantadora em todos os aspectos. É uma cidade belíssima, limpa, as pessoas são gentis, concentra monumentos históricos de períodos variados e apresenta um patrimônio cultural fantástico. Sério, eu não queria ir embora. Até voltei meio que reclamando porque fomos para Tokyo, hahahaha. Muito amor por Kyoto ♥.

Em Kyoto visitamos vários locais, como o Mercado Nishiki, Kinkakuji, Castelo de Nijō, Gion Corner, Fushimi Inari, Museu Internacional de Mangá de Kyoto e entre outros que ganharão postagem especiais.

Mercado Nishiki (錦市場)

O Mercado Nishiki é uma rua coberta dividida em cinco blocos e recheado por lojas e restaurantes. O mercado é especializado em uma variedade de alimentos tradicionais, como frutos do mar, doces de chá verde, alimentos sazonais, especialidades da cidade, etc. Também dá para encontrar interessantes lojas de utensílios para cozinha e lembrancinhas fofas. Passeio essencial para se conhecer a culinária e especiarias de Kyoto. Numa próxima vez gostaria de explorar mais o local.

Templo do Pavilhão Dourado (金閣寺)

Kinkakuji, também conhecido como Templo do Pavilhão Dourado, é um templo zen coberto por folhas de ouro. Antes de se torna templo da seita Rinzai em 1408, era local de descanso do terceiro shogun do shogunato Ashikaga, Ashikaga Yoshimitsu (1358 – 1408). Infelizmente a estrutura do pavilhão foi queimada inúmeras vezes até chegar à sua reconstrução atual, datada de 1955. Embora não seja possível entrar no pavilhão, as estátuas de Shaka Buddha e Yoshimitsu, que ficam no primeiro andar / térreo, podem ser vistas de toda a lagoa.

Ao redor do pavilhão, dá para seguir pelos jardins que conserva o desenho original dos dias do shogun Yoshimitsu e encontrar adiante lojinhas de souvenir e de deliciosos doces tradicionais, além de um singelo templo que abriga a estátua de Fudo Myoo, um dos Cinco Reis da Sabedoria e protetor do Budismo. Mesmo com um público considerável, eu gostei bastante desse passeio. O local é muito agradável. Ah, e os doces tradicionais são uma delícia (*¬*).

Castelo de Nijō (二条城)

O Castelo de Nijō foi construído em 1603 como residência de Tokugawa Ieyasu (1543 – 1616), o primeiro shogun do período Edo (1603 – 1867). Seu neto, Iemitsu (1604 – 1651), terceiro shogun do regime, completou e expandiu o palácio 23 anos depois. Após o final do shogunato Tokugawa, o castelo passou a ser usado como palácio imperial antes de ser aberto ao público e designado como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO em 1994. Cercado por muros de pedra e fossos de água, o Nijōjō é dividido em três áreas: Honmaru (destruído por um incêndio no século XVIII), Ninomaru e um jardim tradicional com um grande lago, pedras ornamentais e pinheiros.

Quando visitamos, o Castelo de Nijō estava passando por restaurações na entrada do Portão Leste e em alguns quartos do Ninomaru. Por causa disso não deu para tirar foto da entrada. E dentro do Ninomaru é proibido tirar fotos, infelizmente.

Como a arquitetura original do Ninomaru sobreviveu, os visitantes devem tirar os sapatos antes de entrar no local. O curioso no interior são os corredores do assoalho que rangem a cada passada. Parece que esse barulho era usado como medida de segurança. Os vários quartos são lindamente decorados e cobertos por tatames.

Quando estava perambulando pelo Ninomaru, eu comecei a chorar discretamente. Acho que a ficha deu estar no Japão tinha finalmente caído. Eu estava dentro de um monumento histórico que conhecia através dos livros e de filmes e finalmente estava em meio aquele cenário. Foi uma sensação indescritível que eu nem consigo repassar direito o que senti. E olha que como figura histórica eu nem simpatizo com o Tokugawa. Enfim, uma emoção maravilhosa (^_^).

Gion Corner

Localizado na Yasaka Hall, ao lado do Teatro Gion Kobu Kaburenjo, no Bairro Gion, ou seja, no bairro das gueixas, o Gion Corner é uma atração turística onde os visitantes poderão conferir sete modalidades de artes tradicionais: a cerimônia do chá (chanoyu), o arranjo de flores (ikebana), apresentação de koto, adaptação da música da corte Gagaku, teatro cômico Kyogen, dança Kyo-mai (com uma maiko) e teatro de bonecos Bunraku.

Sinceramente o Gion Corner é um pega turista. Muito caro para um espetáculo de 40 minutinhos num local abafado. O pessoal que se apresenta é esforçado, mas particularmente não recomendo.

Na volta para o hotel (*e nos perdendo no caminho*) avistei algumas maikos com clientes ou indo / voltando de compromissos. Gente, como elas são encantadoras (*o*). Se perder valeu a pena só para vê-las tão de pertinho, hahaha.

Santuário Fushimi Inari (伏見稲荷大社)

Fushimi Inari é o santuário xintoísta mais importante de Kyoto dedicado ao Deus do Arroz, Shinto. O santuário é cheio de estátuas de raposas, que são as mensageiras da divindade. Ele é famoso por seus elegantes torii (portões) vermelhos que se estendem numa trilha que conduz a floresta sagrada do Monte Inari. A origem do Fushimi Inari é antiga, antes mesmo da capital para Kyoto em 794.

Foi um dos passeios que mais amei em Kyoto ♥. O dia estava com um clima agradável e parece que estava tendo algum festival, pois havia vários japoneses de yukata e um corredor com inúmeras barraquinhas de comidas típicas (*enchemos a pança e provamos várias coisas diferentes*). Estávamos empolgados com a beleza indescritível do local (*o*). Foi muito bom também à interação que tivemos com os japoneses. Guardo esse momento com muito carinho nas minhas lembranças. Voltaria com certeza ao santuário. Amei o Fushimi Inari!

Museu Internacional de Mangá de Kyoto (京都国際マンガミュージアム)

Fundado em 2006, o Museu Internacional de Mangá de Kyoto concentra uma quantidade gigantesca de mangás e outros objetos referentes ao quadrinho japonês desde sua origem até os dias atuais. Também apresenta exposições temporárias sobre variados temas. Além disso, o museu é uma enorme biblioteca. Eu estava deveras empolgada verificando aquelas inúmeras prateleiras lotadas de mangás (\*0*/). Ai meu corassaum!!! ♥

Outro local que amei visitar em Kyoto. Como sou apaixonada por mangás, a experiência de estar em meio a tantos títulos conhecidos e desconhecidos é tão estimulante (^_^). Lá dentro não pode fotografar, só em alguns indicados locais. Então na foto eu e meu honorável marido estamos ao lado da clássica Fênix de Osamu Tezuka (1928 – 1989), do seu mangá profundo e inacabado Hi no Tori (1967 – 1988).

Próximo à encantadora Kyoto, visitamos o famoso castelo de Osaka e a cidade de Uji. Infelizmente não deu tempo de visitar Nara (Ç_Ç) (*nem pude ver os simpáticos cervos snif, snif, snif*). O castelo de Osaka e a cidade de Uji terão postagens especiais. No entanto, posso adiantar que foram passeios inesquecíveis e um dos meus preferidos (^_^).

Tokyo (東京)

Depois seguimos para Tokyo por Shinkansen e passamos os demais dias por lá. Por ser a maior metrópole do mundo, concentra-se uma quantidade absurda de pessoas, sempre com aspecto esgotado. Nos grandes centros apresentam uma poluição visual tremenda. Então no começo dá certa irritação ver aquele monte de coisas brilhando nesse mar de gente. Afastando-se desses bairros, a cidade é mais agradável e limpa. Mesmo com sua bagunça organizada, Tokyo não perde seu brilho e tem uma beleza própria, pois apresenta um vasto patrimônio histórico do período Edo e Meiji e da cultura pop, que inclui os mangás e animes. Tokyo é uma cidade que tem uma variedade imensa de coisas para fazer.

Em Tokyo visitamos os famosos bairros Ginza, Shibuya, Shinjuku, Akihabara, Ikebukuro, Harajuku, Odaiba, Ueno, Asakusa e o oneroso centro comercial da Tokyo Skytree Town, no distrito de Sumida. Em Ginza, infelizmente não conseguimos assistir nenhuma parte da peça Kabuki no Teatro Kabuki devido ao nosso extremo cansaço associado a uma fila gigantesca. Na principal estação de Shibuya finalmente conheci a estátua de bronze do fiel Hachiko (*-*). Gostei bastante de Akihabara (otakulândia dos animes atuais, eletrônicos e games) e Ikebukuro (otakulândia endereçada ao publico feminino). Akihabara é legal, mais preferi Ikebukuro ♥. A bonita ilha artificial Odaiba concentra ótimos shoppings como DiverCity Tokyo Plaza (*tem um excelente praça de alimentação*) e o Venus Fort. E o temático e tradicional bairro Asakusa é muito divertido.

Além de perambular pelos bairros, também visitamos vários pontos turísticos, entre os históricos e da cultura moderna. Posteriormente haverá também algumas postagens especiais.

Jardim Hama Rikyu (浜離宮)

Hama Rikyu é um grande jardim localizado ao lado da baía de Tokyo. O jardim tem servido para vários propósitos: foi construído inicialmente como residência do senhor feudal, seguido por terras de caça durante o período Edo, mais tarde como jardim de passeio imperial. A lagoa do local possui água do mar e mudam de nível de acordo com a maré. Sobre a lagoa há uma bonita casa de chá.

No dia que visitamos estava tendo festival. Então vimos muitos japoneses de roupa social ou yukata. Só que diferente de Kyoto, os visitantes eram mais fechados. Havia um pequeno palco com variadas apresentações e os staffs proíbam fotos (*sempre que eles viam algum estrangeiro era o típico “no pictores”. Vou nem mentir que isso enchia o saco*). Também havia uma linda exposição de bonsai. Por estar tendo uma cerimônia do chá, acabou que não dando para entrar na casa de chá. Sinceramente achei que o Jardim Hama Rikyu deixou a desejar. Para mim foi o pior passeio que fiz em Tokyo e eu não repetiria.

Santuário Meiji (明治神宮)

Meiji Jingu é um santuário dedicado aos espíritos do Imperador Meiji e da Imperatriz Shoken, datado de 1920. Infelizmente foi destruído durante a Segunda Guerra Mundial, mas pouco depois reconstruído. Os terrenos do santuário são espaçosos oferecendo caminhos excelentes para um passeio relaxante. Enquanto estávamos no Santuário Meiji esbarramos num casamento tradicional (*-*). Acho tão perfeita as roupas dos noivos japoneses!

Na extremidade norte há a Casa do Tesouro do Santuário Meiji que exibe pertences do Imperador e da Imperatriz, incluindo uma carruagem que o Meiji montou na declaração formal da Constituição Meiji em 1889. Há também quadros expostos dos imperadores desde o primeiro nomeado. Dentro da casa não pode tirar foto, infelizmente.

Museu da Espada Japonesa (刀剣博物館)

Durante as forças de ocupação no fim da Segunda Guerra Mundial houve uma confiscação das espadas japonesas que por pouco não se perderam. Após a confusão do pós-guerra, os senhores Honma Junji e Satō Kanichi fundaram a Sociedade de Preservação da Arte Japonesa de Espada. Em 1968 o Token Hakubutsukan abriu com ajuda da sociedade.

O Museu da Espada Japonesa é um singelo e pequeno museu dedicado às espadas japonesas. Lá expõe a matéria primária, ferramentas da confecção, passando por elementos que compõe a arma até sua forma final. O que demora na visita é a contemplação pelas peças. As peças são realmente incríveis! Para mim, não tem arma mais elegante que a espada japonesa. Infelizmente fotos eram proibidas (Ç_Ç).

Aviso: Após 50 anos no mesmo local, o Token Hakubutsukan se mudará para o distrito de Sumida em 2017. Quando visitamos tinha um aviso e uma maquete do novo local exposto.

RX-78-2 Gundam

No DiverCity Tokyo Plaza fomos conhecer o famoso RX-78-2 Gundam em escala real: 18 metros (*-*). Esse Gundam é o original do primeiro anime lançado em 1979, chamado Mobile Suit Gundam. Quem o pilota são as personagens Amuro Ray (Piloto Principal) e Sayla Mass (Pilota Reserva). É impressionante ver em escala 1:1 esse Mobile Suit. Destaque para os detalhes da peça que apresentam instruções escritas na estrutura indicando o local de conserto. Sério, eu quase surtei quando o vi, pois adoro Gundam (♥*o*♥).

Aviso: Após cinco anos exposto, no inicio de março de 2017 houve uma cerimônia de encerramento para a estátua exposta em escala 1:1 do RX-78-2 Gundam. Com uma apresentação ao vivo da música do anime e uma mensagem ao criador de Mobile Suit Gundam, Yoshiyuki Tomino. Ou seja, essa côrralinda será substituída pelo RX-0 Unicorn Gundam, do anime Mobile Suit Gundam Unicorn (2006). O novo Mobile Suit estará em exibição a partir do outono de 2017.

Gundam Front Tokyo (ガンダムフロント東京)

Localizado no sétimo andar do shopping DiverCity Tokyo Plaza, depois seguimos para o Gundam Front Tokyo, que é um museu interativo, com exposição da linha Gundam (*Os Mobile Suits do Gundam 00 ♥ e Gundam Wing ♥*) e que apresenta uma loja temática da franquia. No final, se quiser dá para montar o seu RX-78-2 Gundam da Bandai. Se o visitante conseguir montar no tempo indicado pode levar o item para casa. Graças à ajuda do R., que tem costume de montar, todos nós conseguimos (^_^v). Valeu pela ajuda!

Gundam Café Akihabara (ガンダムカフェ 秋葉原店)

De noite fomos ao Gundam Café em Akihabara. O restaurante é legal, com uma bonita decoração temática onde expõe autógrafos dos dubladores e outras personalidades da franquia e há uma TV passando as aberturas e enceramentos. Quanto à comida, são pratos temáticos nada espetaculares, mas saborosos.

Diferente de outros restaurantes temáticos, o Gundam Café não cobra uma taxa de 500 Yen (*na maioria dos restaurantes e nas praças de alimentação, dá para fazer uma boa refeição com 500 Yen*) e não obriga o cliente a pedir um prato e uma bebida. Ou seja, como deveria ser em qualquer restaurante sensato, o cliente escolhe o que quer e paga o que consome.

Museu de Arquitetura ao Ar Livre de Edo–Tokyo (江戸東京たてもの園)

O Museu de Arquitetura ao Ar Livre de Edo–Tokyo é um museu ao ar livre localizado na cidade de Mitaka, província de Tokyo, que exibe uma série de edifícios históricos que foram realocados ou reconstruídos neste novo local para preservar a arquitetura histórica da capital. A maioria dos edifícios data do período Meiji (1868 – 1912) e Taishō (1912 – 1926). Destaque para as típicas lojinhas e a casa de banho.

Um passeio imperdível! Eu me senti no Japão do final do século XIX e inicio do século XX. Dá para entrar em vários dos edifícios e nessas perambulações achamos um restaurante que o Hayao Miyazaki visitou. Tinha um autógrafo dele lá (*-*). Parece que o Miyazaki frequentou na sua juventude a casa de banho que está exposta. Pelo jeito ele tem um carinho especial por esse local, pois foi ele o criador da logo do museu.

No final do passeio, algo inesperado aconteceu. Estamos lá, eu e meu marido, tirando foto de uma ponte e um senhorzinho voluntário do museu chegou com sua amiga e fez amizade conosco. Tentando nos comunicar, ele nos perguntou como era o canto do galo no Brasil, me mostrando seu caderninho com onomatopeias de galo de vários cantos do mundo. Como do Brasil ele não tinha, colaboramos. Essa comunicação toda foi feita por mimica e algumas pouquíssimas palavrinhas que eu entendia em japonês e o inglês do meu marido, hahahaha. Inusitada e engraçada essa abordagem (^_^). Ah, na foto sou eu e o casal de amigos. Muito fofos! ♥

Museu do Samurai (サムライミュージアム)

O Museu do Samurai apareceu no nosso roteiro por acaso. Em nossas andanças acabamos por esbarar numa loja de confecção de armaduras samurai e katanas. A gentil atendente nos ofereceu cupons de desconto para a entrada desse museu do qual eles fabricam as réplicas. Depois conto o que vimos dentro da loja.

Voltando ao museu. O Museu do Samurai é outro local endereçado aos turistas que vale a visita. Lá contém replicas de várias armaduras de clãs famosos, armas variadas, vestimentas de personalidades pró-imperialistas e das forças do xogunato. Em um determinado horário no período da tarde tem uma apresentação de espada (*meu marido foi voluntário. Ele estava tão lindo!*). Após há uma visita guiada mostrando o básico sobre as famosas personalidades históricas, as guerras, as armas, etc. O mais gentil dos guias ficou muito curioso sobre o Brasil, então depois conversamos várias coisas a respeito.

Museu Nacional de Tokyo (東京国立博物館)

O Museu Nacional de Tokyo é um dos mais antigos e maiores do Japão e sua localização é na região do Parque de Ueno. O museu é dividido em seis edifícios que se especializam em diferentes tipos de exposições permanentes e temporárias. O edifício principal Honkan, com sua exposição permanente, exibe uma variedade de artefatos japoneses desde os tempos antigos até o século XIX.

Como o Honkan é muito grande e guarda a história do Japão, passamos o passeio todo por lá, checando com cuidado as pinturas, os rolos, as cerâmicas, os mapas, os trajes, as armaduras, as armas, as joias e tantos outros artefatos históricos dos mais variados períodos. Ver de perto a evolução da civilização japonesa é indescritível (*o*).

Visita indispensável. Repetiria com certeza! Ah, dá para tirar foto da maioria das peças, as que não podem tem uma indicação e seguranças por perto.

Torre de Tokyo (東京タワー)

Com 333 metros de altura, a famosa Torre de Tokyo está localizada no centro da capital. É uma das torres mais altas do mundo e ultrapassa em 13 metros a Torre Eiffel. A Torre de Tokyo, concluída em 1958, é considerado um símbolo do renascimento do poder econômico do Japão após a guerra. Além de ser um ponto turístico popular, serve como antena de transmissão.

Graças à localização central da torre, o observatório oferece uma vista interessante da cidade. Para complementar a experiência, há algumas janelas no chão (*não sei como se chama essas janelas com vista para baixo*). Na torre tem uma loja de souvenir e um café, mas abaixo da torre, no térreo, abriga uma variedade de lojas de souvenir, cafés e restaurantes (*comemos uma pizza de teriyaki deliciosa*).

Admito que meu interesse em conhecer a Torre de Tokyo foi por causa dos mangás do CLAMP. Quando estava lá, eu só me lembrava de X-1999, Guerreiras Mágicas de Rayearth e Cardcaptor Sakura, hahaha.

Templo Sensoji (浅草寺)

Localizado no bairro Asakusa, encontra-se o templo budista mais antigo, data de 645, e mais popular da capital, o Sensoji (também conhecido como Templo Asakusa Kannon). Embora do século VII, os edifícios atuais são reconstruções do pós-guerra.

Sua entrada, no portão exterior chamado Kaminarimon, é magnífica. Passando por ele, segue uma rua comercial com especiarias e souvenir bastante curiosos que leva ao portão Hozomon. Passando por esse segundo portão, está o hall principal do templo e um pagode de cinco andares. Mesmo lotado, o passeio é sensacional! Ah, aproveitamos para almoçar na feirinha (*eu adoro essas comidas de feira*).

Museu Edo-Tokyo (江戸東京博物館)

O Museu Edo-Tokyo está localizado no distrito de Ryogoku, ao lado Ryogoku Kokugikan (estádio de sumo), e expõe réplicas de monumentos da capital do período Edo. Por ser um museu interativo, somos capazes de experimentar como era o modo de vida, a politica, a situação comercial, entre outros elementos do dia a dia. Através de inúmeros modelos de maquetes e elementos de tamanho real, como moradia e o Teatro Kabuki, é muito interessante descobrir a cultura do povo japonês. Outro passeio interessante, principalmente para quem curte ou quer conhecer um pouco mais da história do período Edo e sua transação para a modernização.

Antes de finalizar, gostaria de agradecer ao meu marido, a R. e o R., pela companhia nesta aventura. Sem eles o brilho dessa viagem não teria sido tão intenso (^_^). Adorei me divertir e reclamar com vocês. E aos meus pais que cuidaram perfeitamente da minha gatinha, Artemísia (*fomos mais tranquilos*).

Depois desses dias no Japão, voltei com uma sensação maravilhosa (^_^v). Estou até custando acreditar na experiência que tive. Às vezes fico com a impressão de que tudo não passou de um devaneio. Felizmente foi real! Muito real! ♥♥♥♥♥

Agora é só aguardar as demais postagens especiais (^_~). またね。