Livro: Kawabata-Mishima Correspondência 1945-1970

Kawabata-Mishima Correspondência 1945-1970 reúne as cartas trocadas entre dois famosos escritores japoneses do século XX: Yasunari Kawabata e Yukio Mishima (que inicia assinando com o nome de batismo Kimitake Hiraoka). A intenção do livro não é incluir todas as cartas trocadas entre eles, mas uma tiragem dessas correspondências, uma seleção dos períodos marcantes da vida e do trabalho dos escritores durante os 25 anos de amizade e rivalidade artística. De acordo com o escritor, crítico literário e professor Shoichi Saeki, que assina a introdução presente nesta edição, a publicação das cartas ocorreu devido a uma inesperada “casualidade”, recebendo também o aval de ambas as famílias.

Yasunari Kawabata (a neve) nasceu em 1899 na cidade de Osaka. Desde a adolescência sempre se interessou por literatura, principalmente pelos clássicos japoneses. Com um estilo sofisticado e lírico, enriqueceu e universalizou a literatura japonesa moderna. Em 1968 Kawabata foi agraciado com o Nobel de Literatura, sendo o primeiro japonês a receber o prêmio. Sobrecarregado de trabalho e doente, o escritor se suicida em abril de 1972. Enquanto que Yukio Mishima (o sangue) nasceu em 1925 na Metrópole de Tóquio. É conhecido por sua literatura fervorosa e pelas peças de Teatro Kabuki. No campo político, Mishima apoiava a extrema direita, inclusive tentando um golpe de estado em 1970. Logo após a investida frustrada, cometeu seppuku (literalmente significa cortar a barriga / estômago; é o termo formal para o ritual de suicídio).

O ponto de partida da amizade entre mestre e discípulo começou em 8 março de 1945, quando Kawabata apreciou a leitura de um escrito do jovem Kimitake, intitulado “Floresta em Plena Florescência”. A partir de então, a troca de correspondências entre os dois foi ficando cada vez mais frequente, iniciando em tom formal e filosófico, e se transformando no compartilhamento do cotidiano, nos testemunhos pessoais do universo literário e dos pensamentos íntimos.

Yasunari Kawabata (a neve)

Poderia existir uma rivalidade entre Kawabata e Mishima, afinal ambos eram escritores em destaque em seu país, como também nomes conhecidos nos Estados Unidos e na Europa. Nas correspondências reunidas nesta edição, a rivalidade me pareceu sutil. No entanto, nas primeiras cartas, Hiraoka me passa a impressão de bajulação; afinal Yasunari Kawabata já era uma figura influente. Então diante dessa oportunidade, o jovem o via como um meio de acender como escritor. Contudo, no decorrer dos anos, com a construção desse coleguismo entre pontos em comum, revela uma amizade, sem dúvida com suas particularidades e seus interesses artísticos, mas sem se esquecer da afinidade entre dois homens que amavam a literatura.

Meu interesse primordial na leitura dessas correspondências é pela figura de Yasunari Kawabata. Posso não concordar politicamente com o autor, mas sua qualidade literária é indiscutível. Sou encantada por suas refinadas obras que retratam com impressionante tenuidade, poesia e melancolia a época em que o Japão adapta e tenta preservar seus costumes com o total encravamento da ocidentalização (econômica e cultural). Kawabata, um senhor de aspecto delicado e tímido, não desejava o desaparecimento dos valores tradicionais e da identidade de seu país. Então lendo com atenção as cartas, acredito que a simpatia que ele nutria por Mishima, um homem de aspecto atlético e de caráter orgulhoso, não se resumia somente a similar visão política conservadora, mas também como uma peça, do qual utilizava a energética presença de seu discípulo para preencher de alguma forma sua fragilidade.

Yukio Mishima (o sangue)

Particularmente não tenho nenhuma simpatia por Yukio Mishima nem como autor (*talvez aconteça de eu gostar de alguma obra dele*) e muito menos como indivíduo, afinal o cara era um fascista. Entretanto as cartas, que trazem um pouco da sua intimidade e de seus pensamentos, me motivaram a ler obras pontuais; o que farei futuramente, não com a esperança de entender a mente perversa desse sujeito, mas para conhecer suas inspirações e compreender sua estética literária.

Um ponto bastante relevante das correspondências é o amor visceral pela literatura nutrida por ambos os autores. Cada um tinha uma visão e inspiração, poderiam até se criticar ou discordar de algum aspecto na privacidade ou entre outros colegas escritores, mas ambos escreviam sobre aquilo que estava no seu íntimo, na sua mente e no seu coração. Acredito que Yasunari Kawabata e Yukio Mishima escreviam com sinceridade! Aspecto este relevante, pois é um atributo que não aparece com frequência na literatura contemporânea seja no ocidente ou no oriente, que no geral, está plastificada e sem personalidade. São raros ou desconhecidos os nomes que trazem livros honestos na atualidade.

Mishima e Kawabata

Em matéria de curiosidade, ambos os escritores visitaram o Brasil. Em julho de 1960 Kawabata participou como convidado do Prêmio Internacional do PEN Club realizado em São Paulo. Já Mishima, em fevereiro de 1952, se hospedou na fazenda de Toshihiko Tarama (neto do Imperador Meiji que emigrou para o Brasil em 1947) localizada no município de Lins, no interior de São Paulo; depois conheceu outras cidades e capitais brasileiras. Inclusive Yukio achou os brasileiros (descendentes ou não de japoneses) “um bando simpático”.

Após as correspondências, há em anexo a carta de recomendação de Mishima indicando Kawabata ao Prêmio Nobel de Literatura (a carta foi um pedido do próprio Yasunari); um ótimo posfácio escrito pela doutora em literatura japonesa e professora Donatella Natili, onde resume e agrega com informações relevantes acerca da vida, das obras e da amizade dos autores em questão; em formato de tabela temos uma biografia cronológica, datando e citando os fatos mais relevantes; e por fim, referências bibliográficas das obras e revistas aludidas.

Diante das experiências individuais e dos estilos divergentes apresentados diretamente em Kawabata-Mishima Correspondência 1945-1970, a neve e o sangue se complementavam claramente através da afinidade dos pensamentos em comum, mas igualmente pelo fascínio que as diferentes personalidades exerciam uma sobre a outra. Um livro indispensável para os amantes da literatura japonesa.

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Título: Kawabata-Mishima Correspondência 1945-1970
Título original: Kawabata Yasunari・Mishima Yukio: Ôfuku Shokan, 川端康成・三島由紀夫往復書簡
Autores: Yasunari Kawabata e Yukio Mishima
Tradução: Fernando Garcia
Editora: Estação Liberdade
Páginas: 256
Ano: 2019

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Recebi este livro como cortesia da Editora Estação Liberdade.

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Um amor chamado Nyx

Nyx ♥

Para aqueles que acompanham este cantinho e acabou reparando na minha ausência, o motivo para eu passar esse tempo ausente do blog tem como razão uma causa muito importante.

Há algum tempo eu venho acompanhando o caso dessa panterinha. Devido aos maus-tratos, ela foi resgatada com fratura total da pata dianteira, prolapso retal, cabeça cheia de líquido e nariz e olhos inchados; agressões que a debilitou de muitas formas e por pouco não a matou (Ç_Ç). Tudo isso numa gata de aproximadamente 3 meses e meio a 4 meses. Infelizmente não foi possível provar os maus-tratos causados pelo antigo tutor.

Tomei conhecimento do caso com atraso, mas assim que vi comecei a ajudar financeiramente. Acompanhando a evolução da gatinha, simplesmente me apaixonei por ela (*-*); acabei ficando com a sensação de que a panterinha tinha que ser minha, de que eu tinha que proporcionar uma vida digna a ela.

Um amorzinho ♥

Há mais de um mês e meio a panterinha está conosco sendo tratada de uma secreção persistente nas vias aéreas superiores sem diagnóstico preciso, o que resulta em isolamento e inúmeros cuidados. Com o tratamento e a orientação correta, felizmente, e finalmente, ela vem progredindo. Nesse período de tratamento, que ainda não terminou, é custoso e bastante trabalhoso (Ç_Ç), seu jeitinho meigo e agradecido foi nos conquistando (*_*). Mesmo cansada, vê-la feliz provoca um conforto no meu coração (^_^).

Adoções de gatos saudáveis com pelagem preta são uma das mais difíceis. As pessoas ainda tem esse preconceito, essa ignorância. Desconsideram um animal com temperamento ótimo por uma infundada questão estética (¬_¬). Então imaginem uma gata preta com problemas físicos?! Como eu e meu honorável marido estávamos planejando futuramente adotar outro gatinho, acabamos antecipando essa decisão. Afinal, essa linda panterinha precisava de uma família disposta a amar e cuidar.

La Nuit (1883), de William-Adolphe Bouguereau.

Para quem está curioso acerca da origem ou significado do nome da minha nenenzinha… Como eu adoro Saint Seiya / Os Cavaleiros do Zodíaco, e consequentemente Mitologia Grega, Nyx (em grego: Noite) é referente à poderosa e respeitada Deusa da Noite: Nyx (ou Nix). Como a gatinha é bem pretinha e apresenta em seus olhos laranja à lua cheia, o nome combina bastante com suas características físicas (*ela é praticamente a personificação da noite*). No entanto, também foi escolhido por outras razões, como pelo significado do poder da Deusa da Profunda Noite, como de alguns de seus descendentes.

Como já mencionado, Nyx ainda está se recuperando das consequências dessa crueldade infundada, mas sua nova vida só foi possível graças ao resgate e aos cuidados das protetoras Cassia e Jack, que deram a panterinha uma chance de viver. De todo coração, muito obrigada! Vocês são incríveis!

A olhuda panterinha, que bodeja numa voz a lá corujinha, merece uma família que lhe dê muito amor, segurança e pasmaceira (^o^). Bem-vinda ao seu lar, Nyx (\^_^/).

XIII Bienal Internacional do Livro do Ceará

A XIII Bienal Internacional do Livro do Ceará aconteceu entre os dias 16 e 25 de agosto deste ano, com visitação gratuita, no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza. Visitei a feira três vezes, a primeira foi para passear, bisbilhotar e estudar o terreno (*obrigada pela companhia honorável marido*), na segunda vez para garimpar e na última visita para acompanhar os queridos amigos.

Garimpando e comparando preços entre os expositores e nas livrarias online, consegui comprar alguns livros por preços realmente excelentes. Para conferir o resultado, sigam-me os bons (lista em ordem de aquisição):

» Mulheres Perigosas – editado por George R. R. Martin e Gardner Dozois (Editora Leya): dois dias antes da minha ida ao evento, quase comprei Mulheres Perigosas naquela famosa livraria online. Acabei desistindo da ideia para verificar na Bienal, pois quem sabe aparece por lá com desconto. E num é que encontrei o calhamaço novinho e lacrado por 20 reais (*-*). Um baita descontão, não é mesmo?! (^_~)

» Rogue One. Uma História Star Wars – Alexander Freed (Editora Universo dos Livros): eu não sou fã de Star Wars; no geral acho os filmes medianos ou péssimos. No entanto, o único desses longas-metragens que eu realmente gosto é o impecável Rogue One (*-*). Enfim, desconhecia a existência do livro. Quando o vi fiquei com muita vontade de levar. Esbarrei em três expositores, em dois estavam com preço de capa e no outro com um ótimo desconto. Paguei nessa belezinha 30 reais (^_^).

» As Crônicas de Marte – organizado por George R. R. Martin e Gardner Dozois (Editora Arqueiro): nesses famosos estandes de 10 reais avistei essa coletânea de contos sobre o planeta vermelho. Só tinha dois exemplares disponíveis… Antes deu pegar, um casal estava checando os livros e decidindo se levavam ou não; e eu lá de butuca. Quando eles devolveram os livros para o lugar, peguei um dos exemplares. Engraçado que o rapaz me viu com o livro em mãos, e do nada começou a dizer a sua companheira sobre a qualidade ruim da edição (*O_o Que papo furado. A edição é ótima!*). Será que ele se arrependeu e estava tentando me fazer desistir da compra?! Até parece, hahaha.

» As Cataratas – Joyce Carol Oates (Editora Globo Livros): outra bienal que cruzei com algum livro da Joyce Carol Oates nos famosos estandes de 10 reais, hahaha. Pelo jeito estão tentando se livrar do estoque. Eu acho é ótimo! Porque pagar essa quantia camarada numa edição novinha é para deixar qualquer leitor contente (^_^v). Espero gostar da narrativa, pois pela sinopse o romance me parece promissor.

» Ecobag “Resistência Mandacaru” – xilogravura de Nonato Araújo: mesmo não sendo uma leitora de cordel, eu adoro a seção Praça do Cordel na Bienal (^_^). É sempre um primor e animada, mas desta vez também estava politizada com Lula Livre! (*é isso aí, Liberdade para Lula! Fora todos os golpistas!*). Enfim, eu piro com as xilogravuras nos diversos produtos. Fiquei apaixonada quando vi essa ecobag primorosa e enorme de 30 reais. Obvio que levei essa côrralinda! (*-*)

» Cadernos Filosóficos – Vladímir Ilitch Lênin (Editora Boitempo): no estande da Livraria e Editora Expressão Popular estava dando 20% de desconto no valor total da compra. Assim que bati o olho nessa edição reunindo os Cadernos Filosóficos do inspirador Lênin, o peguei e segui para o caixa. Acabei sendo informada pelo atendente sobre o Clube do Livro Expressão Popular. Fiquei bastante interessada pelo livro do mês de agosto/2019: Notícias de lugar nenhum – ou uma época de tranquilidade, romance utópico de William Morris.

» A extraordinária carreira de Nicodemo Dyzma – Tadeusz Dolega-Mostowicz e O Faraó – Boleslaw Prus (Editora Civilização Brasileira, do Grupo Editorial Record): no segundo dia, quando estava para ir embora, fiquei pensando a razão deu esbarrar nesses dois romances e não ter levado. Afinal eles estavam extremamente baratos. Notei que não havia nenhuma razão, dei meia volta, segui em direção ao estande e levei essas belezinhas por 10 reais cada. Fiquei muito contente, pois a coleção Fanfarrões, Libertinas & Outros Heróis é deveras interessante.

» Box As Crônicas de Gelo e Fogo – George R. R. Martin (Editora LeYa): algum tempo atrás eu tinha os três primeiros romances daquela edição calhamaço, mas acabei vendendo e dando uma pausa na série. Quando essa edição pocket foi lançada, eu a desejava, mas acabei nunca adquirindo e desencanei. Esbarrando com a box na Bienal, por um preço bacana, fiquei tentada em levar. O resultado vocês já viram, decidi trazer para a estante essa lindeza com os cinco livros publicados (^_^). Ah, paguei R$79,90. Muy bueno, né?!

» O Cavaleiro dos Sete Reinos – George R. R. Martin (Editora LeYa): meu marido tem O Cavaleiro dos Sete Reinos na edição em brochura, mas quando a vi nessa edição de capa dura, de tamanho padrão e por 20 reais, acabei levando para combinar com a Box d’As Crônicas de Gelo e Fogo (*boa desculpa, né?! hahaha*).

O resultado das minhas aquisições nesta bienal foi bastante positivo (^_^v). Encontrei livros novos com preços realmente camaradas. Ou seja, economizei! Em suma, mesmo simples, a XIII Bienal Internacional do Livro do Ceará foi agradável tanto pelas comprinhas, como pela ótima companhia do marido e dos amigos (^_^). Ansiosa pela próxima edição!