Kalafina 10th Anniversary LIVE 2018 at Nippon Budokan [Blu-ray]

Como estou fascinada pela ultima apresentação do Kalafina, acabei me empolgando e escrevendo essa extensa e singela impressão desse maravilhoso espetáculo (*do qual, sem brincadeira, assisti umas cinco vezes*). Para quem aprecia o Kalafina ou quer conhecer um pouco da música contemporânea japonesa, por favor, continuem lendo (^_^).

Criado em 2007 pela distinta compositora, pianista e produtora japonesa Kajiura Yuki, inicialmente com o intuito de desempenhar as músicas-tema do anime Kara no Kyoukai, o grupo Kalafina (カラフィナ) tomou forma no início de 2008 estreando com dois membros originais do projeto de Kajiura, o famoso (e sensacional) FictionJunction, com as cantoras Ootaki Wakana e Kubota Keiko. Outras duas vocalistas, as selecionadas Masai Hikaru e Toyoshima Maya (que no ano seguinte deixa o grupo), foram logo adicionadas ao projeto através da audição realizada pela própria Yuki e a Sony Music Japan.

Nos dez anos o trio feminino Kalafina cresceu e tornou-se muito querido no Japão e até internacionalmente. Seu estilo musical não tem uma definição; o classificam como J-Pop, do qual acredito ser desapropriado. Lembro que numa entrevista, Kajiura comenta que é difícil descrever qual o estilo musical do Kalafina e o define simplesmente como “Kalafina Style”. Para mim o estilo vem da bagagem das inúmeras referências absorvidas pela compositora ao longo de sua carreira. Que ousa misturar esses elementos e adicionar ao ritmo vozes primorosas e em sintonia (*apaixonante ♥*).

Da esquerda para a direita: Hikaru, Keiko e Wakana.

Devido às questões internas com os executivos da agência Spacecraft Produce, no primeiro semestre deste ano Kajiura (em fevereiro) e Keiko (em abril) deixam oficialmente o Kalafina; permanecendo no momento as integrantes Wakana e Hikaru. Vi várias notícias comentando quanto ao fim do contrato das ex-membros e da trambicagem (fraude e pressão descabida) dos executivos da agência em questão com a compositora e o trio (*essas empresas sanguessuga são terríveis*).

Kalafina 10th Anniversary LIVE 2018 at Nippon Budokan é a performance de comemoração dos 10 anos desse encantador trio feminino que ocorreu em 23 de janeiro de 2018 no Nippon Budokan em Tóquio, Japão. Através de votação, todas as músicas apresentadas foram escolhidas pelos fãs japoneses. O Blu-ray (região livre) e o DVD (região 2) da apresentação teve lançamento em 13 de junho deste ano e constam com incríveis 34 faixas (incluído 5 MCs e End Roll). Segue abaixo a setlist do concerto:

ring your bell (in the silence)
ring your bell
Mirai 「未来」
MC#1
lirica
Manten 「満天」
Yane no Mukou ni 「屋根の向こうに」
Hikari no Senritsu 「光の旋律」
storia
Natsu no Ringo「夏の林檎」
serenato
ARIA
sprinter
MC#2
oblivious
Kizuato 「傷跡」
Kimi ga Hikari ni Kaete Iku 「君が光に変えて行く」
Kantan katan 「カンタンカタン」
symphonia
MC#3
red moon
adore
to the beginning
progressive
Ongaku 「音楽」
heavenly blue
MC#4
into the world
Kimi no gin no niwa「君の銀の庭」(Accordion Solo) ~ nightmare ballet
Hikari Furu 「ひかりふる」
Hyakka Ryouran 「百火撩乱」
MC#5
[Encore]
Alelluia 「アレルヤ」
End Roll (Eden on playback)

Nota-se o notável desempenho de Wakana, Keiko e Hikaru, e também dos músicos, em proporcionar uma apresentação marcante (*-*). É hipnotizante admirar tão lindas e particulares vozes ♥. O espetáculo realmente marcou uma celebração (e a conclusão de um ciclo). Além do mais, é tão aprazível conferir a emoção de Wakana, a animação contagiante de Keiko e a timidez de Hikaru; e que vestidos elegantes elas estavam usando.

Com exceção de Magia (*lamentei por não estar na lista*), todas as minhas músicas favoritas estavam presentes (\*0*/): lirica, 光の旋律 (Hikari no Senritsu), storia, 夏の林檎 (Natsu no Ringo), serenato, ARIA, oblivious, カンタンカタン (KantanKatan), red moon e 音楽 (Ongaku).

Com muito custo escolhi três das músicas preferidas, com ritmo diverso, para provar como Wakana, Keiko e Hikaru foram maravilhosas no desempenho das melodias (*elas estavam incríveis!*) e também para mostrar o estilo singular das composições de Kajiura Yuki.

» lirica:

» 光の旋律 (Hikari no Senritsu):

» 音楽 (Ongaku):

Belíssimo, né! (♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ~ *o* ~ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥)

Sei que estou me repetindo, mas não me canso de dizer como elas fizeram um tremendo esforço neste show para cantar o maior número de músicas possível. Nessas quase três horas de puro encanto, houve dois primorosos momentos que aconteceram na música 音楽 (Ongaku): primeiro o divertido momento de ver Keiko, de maneira um tanto incomum, sentada na escada do palco apresentando a banda; e o terno momento quando Keiko corre e abraça Wakana (*que fofas!!!!!!!!*). Outros dois momentos comoventes aconteceram na música アレルヤ (Areruya), quando Keiko canta e olha para o público com os olhos marejados (*com o andamento da separação, impossível ela não ter se emocionado*), e na conclusão do show, quando todos agradecem o público, Wakana está prestes a chorar (*caiu um cisco no meu olho*).

No entanto, mesmo diante dessa perfeição de espetáculo, senti aquela melancolia de saber que elas não vão mais cantar juntas as músicas compostas por Kajiura. O que é uma sensação normal, afinal eu adoro o Kalafina. Vê-las separadas é uma perda considerável para o cenário musical japonês. Espero que no futuro elas possam se juntar novamente e nos brindar. Mas caso isso não se concretize, eu desejo o melhor no caminho que elas decidirem tomar.

♪♥ Kalafina ♥♪

Como qualquer grupo de considerável proporção, o Kalafina tem o infeliz tentáculo dos executivos exploradores e castradores de criatividade. Mesmo com essas amarras, nota-se nesta apresentação, e igualmente nas anteriores, como elas exibiam uma amizade e respeito pela música. Os constantes abraços de Keiko nas suas companheiras e o choro contido de Wakana no final da apresentação me pareceram atitudes bastante espontâneas. Com certeza elas nutriam carinho por essa parceria. Mas com as restrições, pressões e fraudes dos patrões realmente fica difícil continuar. Alguns de vocês podem estar pensando que minha simpatia por essas artistas tão talentosas tenha desfocado minha percepção. Muito pelo contrário, pelas notícias que circulam e por ter conhecimento de como a indústria musical no Japão é bastante controladora, e em vários casos até humilhantes com seus artistas, vou ficar do lado de quem realmente produz e não dos que montam no trabalho alheio.

Voltando ao Blu-ray… Como adquiri a primeira impressão, ganhei uma caixa capaz de armazenar o disco do concerto e do documentário sobre o grupo, Kalafina 10th Anniversary Film – Yume ga Tsumugu Kagayaki no Harmony –, que ainda não tenho. Também ganhei um bonito pôster com a imagem de Wakana, Keiko e Hikaru apresentando-se no palco.

Blu-ray + Mimos ~ Muito amor envolvido ♥

Devido a vários fatores (distância, altos custos, falta de ocasião oportuna, divulgação tardia e a incabível burocracia para um simples visto) nunca tive oportunidade de assistir Kalafina ao vivo. Nas minhas duas visitas ao Japão às datas não coincidiram ou foram em cidades distantes das que visitei (*a divulgação da turnê ocorreu num curto tempo que me impossibilitou mudar o roteiro*). O que é uma pena, pois imagino se eu tivesse tido a chance (*ia sair de lá rouca… Bem, talvez não, porque os japoneses são contidos nos shows, hahaha*). Mesmo não conseguindo realizar tal desejo, a mídia que tenho em mãos cessou esses obstáculos, já que o produto é realmente de qualidade, causando inclusive a sensação de estar assistindo o show ao vivo.

Kalafina 10th Anniversary LIVE 2018 at Nippon Budokan foi de tirar o fôlego! ♥ Realmente arrebatador (\^0^/). Kajiura Yuki tornou as vozes de Wakana, Keiko e Hikaru numa bela harmonia deveras agradável aos ouvidos (*Artemísia, a gata tricolor, igualmente apreciou*). Como dizem, Kalafina é o corpo, Kajiura a mente e as vozes das lindas cantoras tornam-se a alma. Agradeço ao Kalafina pelos 10 anos de trabalho na criação de belas e marcantes melodias. Muito amor por Kalafina! (^o^/ ☆♥♪)

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Mangá: Marie-Antoinette – La jeunesse d’une reine – Soryou Fuyumi

Soryou Fuyumi é uma das minhas mangaká do coração (*o*♥). Adoro a forma como ela desenvolve suas narrativas e amo seu tão expressivo traço (que veio se reformulando com o passar dos anos). Então mesmo não simpatizando com a figura patética de Maria Antonieta, era obvio que este trabalho seria lido (e naturalmente apreciado).

Marie-Antoinette – La jeunesse d’une reine (tradução livre: Maria Antonieta – A juventude de uma rainha) é o resultado de uma colaboração inédita entre a editora francesa Glénat e o Palácio de Versalhes com a editora japonesa Kodansha. O projeto surgiu devido uma exposição no Japão dedicada a Maria Antonieta (1755 – 1793), que ocorreu na Mori Arts Center Gallery entre 25 de outubro de 2016 a 26 de fevereiro de 2017. O fascínio dos japoneses por Antonieta é sem dúvida devido ao estrondoso sucesso do clássico de Riyoko Ikeda, Versailles no Bara (*que será publicado no Brasil*).

O mangá de volume único foi publicado simultaneamente na França e no Japão em setembro de 2016. A edição francesa apresenta o padrão tradicional, sendo ligeiramente um pouco maior em sua dimensão; a capa tem detalhes em dourado; e para deixar a edição mais encantadora, são incluídas páginas coloridas no início e no final do volume há material extra, como imagens dos cenários e das pinturas que inspiraram Fuyumi. Esse material histórico foi reunido pela autora em sua visita privada ao Palácio de Versalhes.

Diferente da figura idealizada de inúmeras adaptações que conhecemos em película e na literatura, Soryou Fuyumi restaura uma Maria Antonieta não como um ícone tendencioso e sim retrata uma jovem da realeza insegura com as mudanças que ocorreram na sua vida. Mas também sem revelar o lado sórdido de sua personalidade.

Croquis de Marie-Antoinette – La jeunesse d’une reine (Soryou Fuyumi).

Como o subtítulo indica, a narrativa é focada na juventude de Maria Antonieta. Como arquiduquesa até sua estreia como Delfina de França (em francês “Dauphine de France” – título reservado a esposa do Delfim de França. Ou seja, do herdeiro aparente da coroa francesa durante as dinastias Valois e Bourbon e que tinha de descender do rei reinante): acompanhamos então a relação com sua mãe Maria Teresa da Áustria, o anúncio oficial do noivado com o filho de Luís XV, o casamento por procuração, sua partida para a França, o casamento com Luís XVI (então delfim / dauphin) e sua rotina no Palácio de Versalhes.

Mesmo com minha pessoal repulsa pela figura retratada, é fácil apreciar a obra de Soryou Fuyumi, porque mesmo sendo uma adaptação com cenas suaves dos dramas internos da Delfina na sua ambientalização aos padrões da corte de Versalhes, os detalhes históricos são realmente retratados com muito cuidado. Por conta disso é empolgante perambular um pouco pela ligação política entre a Áustria e a França através do olhar perspicaz da mangaká. Ah, por ser volume único à trama tem certo limite físico e devido a isso não há menção ao conde sueco Hans Axel von Fersen, suposto amante da futura rainha, e da traição da rainha (da realeza) com o povo francês.

Um dos momentos que particularmente me agradou é a construção da relação de Maria Antonieta com Luís Augusto, que somente se conheceram pessoalmente no matrimónio. O sorriso aparece fácil quando seguimos o primeiro encontro deles e a estranheza que provocou a situação, a linda e embaraçosa noite de núpcia e como suas personalidades opostas se complementam. A retratação delicada da relação entre o Dauphin e a Dauphine tem um teor bastante romantizado, mas eu fiquei encantada, pois adoro cenas amorzinho e também por termos o prazer de acompanhar a evolução desse relacionamento. E Luís XVI, um sujeito que na realidade não apresenta feições nada agradáveis, está um deleite no traço da mangaká (*ele me lembrou do belíssimo Rei Kashino, do mangá Mars, também de autoria da Soryou. E um dos meus shoujos preferidos da vida ♥*).

Edição francesa e camafeu-bijuteria da Dauphine de France datada do final dos anos 90.

Quanto à arte de Soryou Fuyumi, é um estilo extremamente elegante, belo e deveras expressivo (*eu amo o traço dela*). A mangaká também enriquece a narrativa com cenários fabulosos e extremamente bem retratados; e as vestimentas da realeza e dos serviçais são igualmente detalhadas e condizentes. O conjunto, arte e trama, apresenta um cuidadoso trabalho de pesquisa.

Devido ao seu excelente trabalho com Cesare, Soryou Fuyumi aplica sua experiência em Marie-Antoinette – La jeunesse d’une reine, uma obra agradável que facilmente encanta; principalmente aos fãs (*eu o/*) que estavam com saudade do seu estilo de narrativa com teor romântico (*_*). Espero que esses mangás históricos lhe rendam ideias para outras figuras (*lembro numa entrevista que ela citou que gostaria de adaptar Picasso*).

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Título: Marie-Antoinette – La jeunesse d’une reine
Título original: Marī Antowanetto, マリー・アントワネット
Autora: Soryou Fuyumi
Tradução: Patrick Honnoré
Editora: Glénat
Páginas: 180
Ano: 2016

Mangá: Alive – Tsutomu Takahashi

Alive foi originalmente pré-publicado na revista seinen Young Jump em 1999, ganhando o formato tankoubon pela editora Shûeisha e posteriormente reeditado numa edição de luxo. Este título é o segundo trabalho do mangaká Tsutomu Takahashi, conhecido principalmente pela sua obra de estreia, Jiraishin (1993); e a primeira obra do autor a ser publicado no Brasil.

Na narrativa de Alive seguimos Tenshu Yashiro, um jovem sentenciado a morte por cinco assassinatos, entre eles sua namorada. Enquanto aguarda pela execução, uma proposta inesperada lhe é ofertada: seguir seu caminho no corredor da morte ou concordar em se envolver com o experimento da organização secreta do governo. Optando pela segunda opção, Yashiro é encaminhado ao seu novo futuro; enquanto que oficialmente, ou seja, para o mundo, o protagonista condenado é falsamente executado. Então ele, com outro detento nas mesmas condições chamado Gondo, recebem a relativa liberdade. Trancados em uma enorme sala, onde suas necessidades básicas são satisfeitas, o experimento começa com o aparecimento de uma bela mulher que foi possuída por uma entidade.

Diante desse cenário de confinamento, que combina elementos de opressão e sobrenatural, a imprevisível situação vai progredindo a princípio lentamente, mas depois acelera de uma forma exponencial. No entanto a escura atmosfera que toma conta do mangá não vai estagnar na violência física, ela segue para os dramas pessoais de Tenshu Yashiro, que carrega consigo a profunda angústia de sua namorada Misako, e com isso revelará no decorrer da narrativa a real história da tragédia desse casal; como também de outras personagens do pequeno elenco, como, por exemplo, as irmãs Saegusa.

Não sei se Takahashi pretendia trazer para sua obra alguma discussão, mesmo que superficial, quanto às questões sociológicas da pena de morte no Japão (pena capital ainda presente na constituição japonesa e aplicada pelo governo). Já que a narrativa trás dois crimes com particularidades distintas que propositalmente se comparam: a violação cometida por Tenshu (digamos que é um crime moralmente aceito; eu diria até perdoado) em contraste com a figura perversa de Gondo (que matou nove pessoas por pura diversão).

Já que tocamos no assunto, acho a suposta mensagem do autor ingênua. Porque na realidade o sistema judicial de qualquer país capitalista (o Japão não foge a regra, é corrupto, nepotista e defensor exclusivamente dos interesses da burguesia) a sentença de morte será somente aplicada nos indivíduos comuns. Cidadãos de famílias influentes e ricas não sofrerão a mesma pena pelo mesmo crime; sendo neste ultimo caso a aplicação da “lei” de forma mais camarada.

Quanto à arte de Tsutomu Takahashi, é um elegante estilo realista e com cenários bastante detalhados (*eu não sei vocês, mas o traço do Tsutomu lembra um pouco o do Inoue Takehiko (autor de Slam Dunk e Vagabond), ou vice-versa*). A junção desses elementos proporciona cenas muito bem desenvolvidas, que prendem a atenção do leitor e enaltecem igualmente a beleza do mistério que ronda a entidade presente no corpo de Saegusa Yurika.

Em apenas um único volume, Alive, de Tsutomu Takahashi, apresenta um desenvolvimento surpreendente. Particularmente achei a narrativa redonda, com começo, meio e fim bem pontuais. Acredito que o mangaká fez um ótimo trabalho e eu gostei bastante do resultado. Sem dúvida um título que agradará os veteranos leitores de mangás, como igualmente quem aprecia uma boa trama sobrenatural com pitadas de suspense.

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Título: Alive
Título original: Araibu, アライブ
Autor: Tsutomu Takahashi
Tradução: Lídia Ivasa
Editora: Panini
Páginas: 264
Ano: 2017