Livro: Meninas Selvagens – Rory Power

Há dezoito meses a Tox está se espalhando na ilha de Raxter. A vegetação, os animais e os humanos são gradualmente infectados e devastados por esta doença cuja origem ninguém conhece. Na ilha reside um internato feminino e o local está de quarentena. Tentando sobreviver com poucas provisões, enquanto aguardam a cura, todos os dias as professoras e as alunas lutam contra os efeitos da infecção, que provoca dores, erupções na pele e mutações físicas; sendo mais intensa no sexo masculino. É com esta atmosfera endêmica que começamos a leitura de Meninas Selvagens, da norte-americana Rory Power, que foi publicado originalmente em 2019.

Hetty, Byatt e Reese são as personagens centrais contaminadas pela doença misteriosa. A Tox se manifesta de forma diferente em cada uma delas: o olho direito de Hetty desapareceu, Byatt apresenta externamente uma segunda coluna e Reese tem os cabelos brilhantes e a mão esquerda prateada e afiada. Quanto à narração, a perspectiva de Hetty é a predominante, e ela é muito ligada às outras garotas, embora tenha uma relação diferente com cada uma. Intercalando, construindo assim a narrativa, são acrescentadas as visões de Byatt quando esta se separa do grupo. Mesmo limitadas, as personagens são interessantes e distintas o suficiente para que queiramos segui-las. Fundindo as questões da epidemia aos dramas da sobrevivência, questões de amizades e relação homossexual são brevemente abordadas.

Um ponto curioso, e até plausível, do cenário no internato é a ordenação conturbada e ao mesmo tempo funcional. Existem regras e uma organização bastante simples para garantir a sobrevivência. A comida escassa é cuidadosamente armazenada e distribuída, as garotas são ensinadas a usarem armas e a ter determinadas funções, como, por exemplo, vigiar a edificação e a Equipe do Barco (seleto grupo de quatro integrantes que buscam as provisões deixadas pela Marinha, e que escondem segredos). Mas, acima de tudo, a violência reina entre colegas e até mesmo entre amigas.

Certos comportamentos podem surpreender no início porque há violência entre as alunas, mas acabamos entendendo que são esses dezoito meses de isolamento, mortes e privações que tornaram simples estudantes em sobreviventes. Elas são duras consigo e com as outras, e prontas para qualquer coisa, até mesmo machucar a colega por um pouco de pão, como ajudar as amigas mesmo que isso signifique arriscar a própria vida. A construção desse ambiente hostil foi razoável, e teve seus momentos tensos, mas acredito que a autora poderia ter caprichado mais nos dramas psicológicos, afinal, estamos falando de pré-adolescentes e adolescentes, e um pequeno grupo de adultos, que não estavam preparados para um cenário agressivo, restrito e principalmente incerto.

Concluí o romance sem ver o tal “terror feminista”. Cadê? (O_o) Não é sinônimo de feminismo ter mulheres protagonistas, personagens predominantes do sexo feminino ou relação homoafetiva entre garotas (¬_¬). O termo feminista na capa não passou de uma propaganda enganosa e apelativa, já que o feminismo pequeno-burguês está na moda atualmente. Ou seja, vende. Feminismo em destaque é algo positivo, sem dúvida, mas a escolha desse feminismo é preocupante, porque trás a luta preferida das grandes corporações, já que é fácil agradar o público com demagogia a lá Girl Power, e não é nada nocivo quanto às questões econômicas e de classe – questões estas que realmente prejudicam as mulheres (recomendo o vídeo Palestra-debate: Feminismo burguês e marxismo – Parte I e Parte II).

No primeiro momento fiquei atraída pela belíssima capa (a arte da ilustradora Aykut Aydoğdu é magnifica! (*o*)). Em seguida, quando li a sinopse, a curiosidade com a trama, visto que combina com a situação em que estamos vivendo neste momento. Por isso o incluí no especial de Halloween, pois tudo que envolve epidemia e afins é realmente um terror, uma vez que lida com a incerteza. Meninas Selvagens apresenta bons elementos e um final dinâmico. Poderia ter sido um ótimo livro se não fosse o estilo mecânico de Rory Power e a falta de força no enredo que tornou a narrativa, na maior parte do tempo, cansativa. Mesmo sendo uma obra mediana e com potencial desperdiçado, o final aberto, que possibilita uma continuação, leva o leitor a aspirar uma sequência tanto para acompanhar o destino do trio, como saber mais informações a respeito da obscura Tox.

.

Título: Meninas Selvagens
Título original: Wilder Girls
Autora: Rory Power
Tradução: Marcela Filizola
Editora: Galera Record
Páginas: 320
Ano: 2020

Presentes de aniversário | 2020

Com a situação do COVID-19 é complicado se reunir com a família e os amigos para comemorar o que quer que seja. Enquanto não há a segurança de uma vacina ou medicamento, ainda devemos tomar todos os cuidados para nossa segurança, como daqueles que amamos. Infelizmente não pude comemorar mais um ano de vida com meus pais e meus amigos mais próximos, mas consegui sentir o carinho de cada um por telefone e mensagem virtual. Muito obrigada a todos! (^_^)

Mesmo com a pandemia a data de meu nascimento não passou em branco. De noite, eu e meu honorável marido assistimos o meu filme preferido da vida (Saint Seiya: A Grande Batalha dos Deuses), jantamos pastel, bebemos suco de laranja e como sobremesa teve bolo vulcão. Foi um jantar com a melhor companhia, descontraído e delicioso (*¬*).

Sim, teve presentes. Sendo que outros presentes ficaram combinados para depois da pandemia, quando for mais seguro para todos se encontrarem (*o que não vejo a hora… Cadê você vacina segura?*). Enfim, quem quiser conferir o que ganhei, sigam-me os bons! (^o^/)

Do T. (marido): A maioria dos presentes que meu marido comprou foram adquiridos com antecedência pelo simples fatos de deixá-los em quarentena. Pois é, em quarentena. Além disso, descarto as caixas assim que retiro o conteúdo, evito tocar no rosto, higienizo os objetos e, claro, lavo minhas mãos. É uma precaução exagerada? Não sei. Mas prefiro seguir o clássico ditado popular: prevenir é melhor que remediar (^_~).

Como sempre meu amor me mima com uma sequência de presentes. Teve o AMV Saint Seiya – Somente Vilões que combina demais com o ano que estamos vivendo (2020 é o ano dos vilões), a fofa Mulher-Gato (modelo B) da Dc Comics QPosket (*estou viciada nessas figures*), e claro, uma montanha de livros (*o*). Muito obrigada por essas preciosidades, Mozinho! (^_^ *abraça!*)

» A História da Revolução Russa, de Leon Trotsky: Em 2017 celebrou-se o centenário da Revolução Russa. Então foi publicado pela editora do Senado Federal o romance escrito pelo revolucionário Leon Trotsky. Estou bastante curiosa com essa obra, pois como Trotsky participou da revolução, será um romance histórico com detalhes mais vivos do momento (e também porque tenho grande simpatia por sua figura).

» O Vitral Encantado, de Diana Wynne Jones: engraçado que não tinha ouvido falar dessa publicação da Diana Wynne Jones por aqui. Publicado pela editora Galera, o livro foi lançado no Brasil em 2015 e me passou totalmente despercebido. Eu estava numa toca? (O_o) Enfim, quando soube da existência, obvio que disse “Quelo!” (*adoro essa autora!*).

» Box Corte de Espinhos e Rosas, de Sarah J. Maas: por fim, meu marido me deu um cartão-presente artesanal que me dava direito a um box de livros. Fiquei pensando em qual escolher, e acabei optando pelo box de Corte de Espinhos e Rosas, publicado pela editora Galera. Nele reuni os quatro volumes da série, e como foi feito a pré-venda veio com brindes bem legais (quatro marcadores de páginas, três postais e uma mochila). Infelizmente a venda foi exclusiva do Submarino (não gosto dessa loja. Além do atendimento que deixa a desejar, o meu pedido foi enviado num envelope de plástico, sem nenhuma proteção. Pois é, chegou com alguns danos nas extremidades (¬_¬). Mas tive que relevar por ter esgotado (Ç_Ç)).

Da R. e do R.: admito que eu não esperava por esse presente. A R. me avisou por uma mensagem bem humorada de que uma entrega exclusiva logo chegaria. Caixona em mãos, quando abro me deparo com essas lindezas: cartinha e bilhetinhos fofinhos, chocolates (já comi tudinho), um cheiroso diário de leitura artesanal (incluído uma cartela de adesivos e um marcador de página magnético), e a cereja do bolo, a tão desejada e belíssima Aurora Camponesa (modelo A) da marca QPosket (\*o*/) – referente à animação de A Bela Adormecida, produzida pela Disney. Se eu surtei? Com certeza! Até liguei para a R. e disse “Miga, sua louca!”, hahaha. Por fim, o toque elegante da surpresa foi sem dúvida o frasco de álcool em gel (très chic). Meus caros amigos R. e R., adorei cada detalhe! Muito obrigada pelo carinho! (^_^)

Da Lígia: a voraz Lígia sabe que eu adoro literatura japonesa, então me presenteou com o desejado Penitência, de Kanae Minato, publicado pela editora Gutenberg. Isso mesmo colega leitor, é a mesma autora de Confissões (tem adaptação cinematográfica). Já li ambos os livros da Minato, falta escrever e publicar minhas impressões, mas adianto que gostei bastante das narrativas. Focando em Penitência, a autora japonesa nos fisga imediatamente pelo impressionante enredo do primeiro capítulo que foi simplesmente bizarro e sensacional (*_*). Muito obrigada pelo livro, Lígia! (^_^)

Gostaria de agradecer novamente a todos os meus amores pelas mensagens, abraços (um ao vivo e virtuais) e pelos presentes. Todo esse carinho foi deveras importante para mim (^_^). Espero que logo mais nos encontremos (saudade de reunir com pessoas queridas para papear e comer batata frita), mas até lá, desejo que todos fiquem bem.

This is Halloween! {2020}

Pretendia fazer um especial de Halloween neste ano, mas, para praticamente todo o mundo que não faça parte do pequeníssimo grupo que está lucrando com a desgraça alheia, 2020 está sendo um ano difícil devido, obviamente, à pandemia, e também pela crise econômica global. E por mais estranho que pareça, acabei não percebendo que já estamos no mês de outubro (O_O mais hein?).

Tendo agora consciência do mês (>_<), a vontade de ler algo temático despertou (^_^). Como meu tempo livre anda limitado por conta do trabalho (e das responsabilidades extras ante a Covid-19), optei somente por dois títulos. Um que combina com o momento que estamos vivendo, e o outro referente ao Dia das Bruxas. Seguem minhas escolhas:

» Meninas Selvagens, de Rory Power: eu fiz a pré-venda desse livro só por causa da capa (*lindíssima ilustração*) e dos brindes (pôster e postal). Claro que li a sinopse, hahaha. Enfim, achei a premissa curiosa, pois aborda um cenário parecido com o que estamos vivendo atualmente (*falando nisso, torcendo por uma vacina segura!*).

» Contos Clássicos de Vampiro, de Byron, Stoker e outros autores: o segundo livro não poderia deixar de ser temático e clássico (*_*). Afinal histórias de Vampiros raiz combinam perfeitamente com o Halloween (^_^). Uma querida amiga, a Jedi R., também irá se aventurar nas narrativas dos seres das sombras. Estou animada!

E vocês, quais as suas leituras temática de Halloween?